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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
21 de jan. de 2018
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Vetements e a arte, e a necessidade de apropriação

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
21 de jan. de 2018

“Tudo é apropriação, não é? E acho que é bom sermos honestos sobre isso. Vivemos num mundo cheio de influências, que existem para serem copiadas”, argumentou Demna Gvasalia.


Vetements - outono 2018 - PixelFormula


Todos os editores dignos de referência – juntamente com Courtney Love, na fila A – rumaram a Paris para este desfile, organizado adequadamente no Marché Paul Bert, um labirinto de lojas de antiguidades, entre as quais a seleção de modelos desfilou. E que seleção – uma juventude selvagem e rebelde, alguns da sua Geórgia natal, que desfilou com segurança em frente a uma plateia de fashionistas e divertidos, e ocasionalmente furiosos, comerciantes.
 
As roupas em si eram composições bizarras e bonitas – nomeadamente as camisas com estampados excêntricos, onde colidiam imagens de edifícios, doces e até de Marilyn Manson. Uma sensação de soldados retornados ou refugiados com uniformes militares, calças cargo e casacos de oficiais repletos de buracos. Para as noites frias, a caminho de grandes festas rave, enormes parkas, novamente cobertas por grandes insígnias Vetements ou branding exterior. Tudo assente em tenis volumosos de solas grossas, fruto de uma colaboração com a Reebok.

“O desafio foi fazer com que tudo parecesse autenticamente antigo. O que na verdade é muito difícil”, disse o designer sorrindo.
 
Esta foi a primeira coleção desenvolvida pela Vetements desde que a empresa transferiu a sua sede para a Suíça, o que provavelmente se refletiu na qualidade do produto, ainda que a roupa tenha sido produzida na Itália. Tudo em street style sofisticado, ainda que o look de abertura tenha sido uma falsa mulher de meia idade, vestida com um incrível casaco em nylon castanho, com mangas em jacquard azul, e óculos ao estilo Jackie Onassis. Mas, a grande novidade foi o lettering, uma série de palavras e frases misturadas em t-shirts oversized. Numa delas podia ler-se “Russia Don’t Mess with Me” (Rússia não se meta comigo), o que parece uma referência à juventude do designer, visto que durante a sua infância sua família foi forçada a fugir da sua região natal de Abkhazia, na Geórgia, após a guerra com a Rússia.
 
De fato, o designer recuperou referências da sua juventude, quando sonhava em ter coisas que não estavam disponíveis na antiga União Soviética, como uma t-shirt de Marilyn Manson.
 
“O objetivo era cortar em pedaços as minhas t-shirts favorita, por isso acabamos com algumas mensagens estranhas – não foi premeditado,  é como se fosse obra do destino”, disse Demna sorrindo num canto do mercado de antiguidades.

 

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