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13 de abr. de 2016
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Uniqlo: erros estratégicos selaram o mau início do ano, reconhece o CEO

Por
AFP
Publicado em
13 de abr. de 2016

O fundador e CEO da marca japonesa reconheceu em uma entrevista concedida ao jornal Nikkei ter cometido erros estratégicos ao subestimar o estado de espírito atual dos clientes japoneses, o que conduziu a resultados julgados ruins.

Uma nova unidade Uniqlo em Berlim. - www.uniqlo.com


"Os artigos, dos quais aumentamos o preço, não encontraram clientes. O mercado está muito difícil e nossa decisão de elevar as tarifas não foi boa. Os consumidores estão em uma situação que ultrapassa o que eu havia imaginado", declarou Tadashi Yanai, segundo comentários relatados na edição de quarta-feira de manhã no diário econômico.
 
Uniqlo havia decidido elevar em 10% em 2015 os preços de muitos artigos, em razão das variações dos cursos das moedas que lhe eram desfavoráveis: seus custos no estrangeiro são elevados e, quando o iene cai (como foi o caso até recentemente), eles saltam.

Esta estratégia falhou e o grupo Fast Retailing (que detém a marca Uniqlo) reduziu, na semana passada, suas previsões de resultados para o exercício de setembro de 2015 a agosto de 2016, por causa de vendas fracas, em especial no Japão.
 
Uniqlo não conseguiu alcançar seus objetivos no arquipélago com suas coleções invernais (dentre a qual HeatTech) pelo fato da chegada tardia do frio e porque os clientes não movimentaram, quanto de costume, as 844 lojas no Japão.
 
A alta de 13% das receitas das agora 890 lojas Uniqlo no exterior (174 mais do que um ano antes) não bastou para evitar uma degringolada de 31% do lucro de exploração relacionado, chegando a 29.4 bilhões de ienes, por causa de uma perda operativa nos Estados Unidos e de um declínio de rentabilidade tanto na China como na Coreia do Sul.
 
Fast Retailing espera agora um lucro líquido anual de somente 60 mil milhões de ienes (1.937 bilhão de euros), face aos 110 mil milhões esperados anteriormente.
 
E o senhor Yanai explicar que o grupo ia rever sua política comercial e sua organização para que todos, de alto a baixo na escala, tenham mais senso de responsabilidade.
 
Durante uma recente conferência diante de estudantes e alguns jornalistas em Tóquio, o dirigente havia declarado que "a gestão de uma empresa era tudo menos tranquila, é uma sucessão de crises", acrescentando "a partir do momento em que se começa a ficar satisfeito consigo, os negócios param".
 
Vale realçar que, há anos, a Uniqlo acostumou todo mundo com boas notícias, brandindo resultados em progressão ano após ano. Balanço, a advertência foi recentemente qualificada de "um choque" pela imprensa japonesa.
 
No dia seguinte, a ação havia caído aproximadamente 13% na Bolsa de Tóquio.

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