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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
22 de set. de 2017
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Milão: glamour dos anos 80 com um twist

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
22 de set. de 2017

O glamour dos anos oitenta está de volta em Milão, ainda que com esplendor sofisticado e um acabamento atrevido, mas desportivo. Algo como uma nova Dinastia, mas sem o cabelo enorme, como três estilistas não milaneses mostraram no dia de abertura em Milão.

Alberta Ferretti primavera-verão 2018 - Alberta Ferretti


Vejamos a Nº21, de Alessandro Dell’Acqua. Uma mistura de malandrice napolitana e complexidade milanesa, perfeitamente conjugadas neste talento nascido em Nápoles.
Revelador, mas nunca ordinário, sugestivo, mas nunca vulgar.

O designer mostrou saias lápis finalizadas com plumas dançantes, cardigans deslumbrantes, em tamanho large e com lantejoulas, e alguns vestidos de couro brilhantemente franzido. Dell’Acqua também sabe, como nenhum outro estilista atualmente, acrescentar influências desportivas – sutiãs e casacos atléticos – a conjuntos de noite.

“Sou eu, o meu DNA, mas um pouco mais composto e ainda assim urbano”, sorriu Dell’Acqua, que se mudou para Milão nos anos 80 para começar a trabalhar com nomes como Gianni Versace. E caso não tenham percebido a referência aos anos 80, a trilha sonora foi um remix do maior hino de rock da década – Shout, dos Tears for Fears, lançado em 1985.

E, tranquila, mas desafiadoramente, Dell’Acqua construiu um negócio substancial, com uma nova sede na via Archimede e um volume de negócios de cerca de 50 milhões de euros.
Para os amantes do disco dos anos 80, não precisam procurar além de Alberta Ferretti, que mudou significativamente o rumo da sua coleção de assinatura. Longe vão os seus padrões românticos, que deram lugar a cores mono, metalizados arrojados e formas que realçam a silhueta.

Ferretti abriu com meia dúzia de looks praianos totalmente pretos, mas o cerne da questão era o seu glamour Bad Girls. De um minivestido de cocktail com mega lantejoulas, usado por baixo de um casaco de nylon brilhante, a um vestido de cocktail prateado de decote profundo usado pela brasileiríssima Izabel Goulart.

Farrah Fawcett-Majors deveria ter estado sentada na primeira fila deste desfile, organizado no pátio de um maravilhoso hospital renascentista. Embora o destaque tenha sido um fantástico minivestido de festa em prata metalizado, com acabamentos em cristais, ideal para um revival de Grace Jones. Caso não tenham percebido a referência, a música do desfile foi Upside Down, o derradeiro hino do disco, escrito por Nile Rodgers e Bernard Edwards da banda Chic e interpretado por Diana Ross.

Um terceiro talento não oriundo de Milão, Francesco Scognamiglio, que vem da antiga cidade romana de Pompeia, completou o revival. Seu desfile enfatizou o seu romantismo puro, mas com um grande twist. Ele até pode trabalhar com rendas femininas e sedutoras e padrões florais e abstratos, mas nesta temporada sua grande ideia foi pintar seus vestidos de cocktail de seda com spray.  

“Na verdade, usei o mesmo tipo de tinta metálica que se usava para pintar com spray os Cadillacs”, confessou Scognamiglio após um excelente desfile numa sala cheia de mulheres arquitetonicamente poderosas – a histórica Sala delle Cariatidi, do Palazzo Reale, na Piazza Duomo, a praça principal de Milão.

Atenção, os cabelos gigantes de Dinastia foram banidos. O revival dos anos oitenta que aconteceu em Milão aconteceu com chignons elegantes ou cabelos puxados para trás.

E como terminou o dia? Com uma festa Wonderland Party, da Swarovski, com glamour atual, ombros largos e brilho para todos. Onde pelo menos Naomi Campbell e Jourdan Dunn usaram cabelos volumosos. Joan Collins teria gostado.

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