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15 de jan. de 2014
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Greenpeace quer eliminação total de químicos tóxicos no setor têxtil

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Agência LUSA
Publicado em
15 de jan. de 2014

Redação – A organização ambientalista Greenpeace explicou nesta terça-feira que as análises feitas em roupas infantis de várias marcas internacionais – que detectaram a presença de substâncias tóxicas – visam a alterar as políticas do setor, eliminando o uso de químicos nocivos. “O nosso principal objetivo é transformar o setor como um todo, [por isso], queremos a eliminação dessas substâncias e não simplesmente o controle [da sua utilização] até um certo nível”, afirmou a responsável pela campanha “Detox”, Naida Haiama.

A Greenpeace denunciou ter encontrado produtos tóxicos nocivos à saúde em roupa infantil de marcas internacionais vendidas em 25 países, como a Adidas, a Burberry, a Disney, a Primark ou a Nike. A organização analisou 82 peças para crianças, desde camisas a sapatos e maiôs de banho, de um conjunto de marcas que também incluiu a H&M, a Puma, a American Apparel, a GAP, a Uniglo ou a Li-Ning.

Os produtos analisados pela Greenpeace foram adquiridos entre maio e junho do ano passado em lojas oficiais das marcas.


De acordo com o relatório apresentado, as análises mostraram que 61% das peças continham nolilfenol, um grupo de químicos que causam perturbações hormonais, e 94% continham ftalatos, substância que afeta o processo reprodutivo dos mamíferos.

“As crianças são mais vulneráveis à presença de substâncias tóxicas do que os adultos, achamos chocante que esses produtos [roupas infantis] contenham tais substâncias”, sublinhou Naida Haiama, destacando que a associação espera que “a pressão pública leve empresas e marcas importantes a eliminá-las”.

O relatório divulgado, denominado "Um pouco da história sobre os monstros no seu armário", foi o último de uma campanha iniciada em 2011 e que a Greenpeace designa como “Detox”. “Algumas das marcas que testamos são novas, outras já tínhamos testado”, reiterou a responsável. Segundo explicou, algumas das empresas testadas “comprometeram-se publicamente a eliminar substâncias perigosas, mas essas promessas têm sido um pouco negligenciadas”.

Embora não saiba ainda se os níveis das substâncias tóxicas encontradas prejudicam diretamente a saúde, Naida Haiama lembrou que isso pode depender da acumulação dos químicos, da sua relação com outras substâncias ou do momento em que entrarem em contato com as pessoas.

“É praticamente impossível dizer que a presença de uma substância vai causar danos diretos à saúde. O problema é que, mesmo em quantidades muito pequenas, elas podem perturbam o sistema hormonal, que regula todas as funções do corpo”, disse.

Por isso, a Greenpeace pretende continuar a analisar produtos “para ter a certeza de que as marcas que já se comprometeram [a eliminar os químicos tóxicos] estão mesmo adotando ações concretas, mas também para alertar outras marcas e conseguir ainda um compromisso de governos como o da China ou os da União Europeia.

Os produtos analisados pela Greenpeace foram adquiridos entre maio e junho do ano passado em lojas oficiais das marcas situadas em países como a Espanha, a Itália, os Estados Unidos, a Colômbia, o México e a Argentina, e foram fabricados em 12 Estados.

A organização conseguiu, no entanto, verificar que um terço da produção é proveniente da China, país que a Greenpeace defende ser o primeiro a ter a sua exportação bloqueada.

Foto: Corbis

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