Vivienne Westwood: as mudanças climáticas são mais importantes do que as roupas

Vivienne Westwood foi homenageada por sua brilhante carreira na mod neste fim de semana na Itália, mas a dama britânica está claramente muito mais interessada nas mudanças climáticas do que nas roupas.


Vivienne Westwood com Pascal Vicedomini - Photo: Ischia Global Fest

 “Estou entediada com a moda e muito mais preocupada com a saúde do planeta. Nós mal temos uma geração para mudar as coisas antes que seja tarde demais”, declarou Vivienne Westwood.

Vivienne Westwood é a mais nova ganhadora do "Excellence Award" no Ischia Film & Music Global Fest, realizado no domingo (22). Os vencedores das últimas edições do prêmio foram Jean-Paul Gaultier e Carolina Herrera.

Westwood entregou o design das coleções de moda de sua marca para seu marido e colaborador de longa data, Andreas Kronthaler. Em setembro, Kronthaler apresentará a coleção primavera-verão 2019 em Paris, durante a temporada francesa de desfiles, enquanto no início de dezembro sua marca lançará uma coleção conjunta com a Burberry, em parceria com o novo diretor criativo da grife, Riccardo Tisci.
 
“Será uma coleção única de ideias clássicas de Westwood, com blazers cortados lindamente por Andreas ou alguns dos meus arquivos de kilt punk com tiras. Embora feito em xadrez Burberry. É realmente muito inteligente”, explicou Vivienne durante um almoço vegano.

Mesmo aos 77 anos, a designer permanece ainda muito ocupada. Ela está intensamente comprometida com a luta contra o aquecimento global, e mantém um blog altamente ativo chamado Climate Revolution.
 
Vivienne Westwood continua sendo um verdadeiro ícone da moda. Ela recebeu uma grande salva de palmas quando aceitou o prêmio "King Fisher" no Hotel Regina di Isabella. Um célebre hotel jet-set italiano - onde Richard Burton e Elizabeth Taylor viveram seu romance apaixonado durante as filmagens de Cleópatra em 1963.
 
“Temos um problema global enorme: nossos políticos não estão escutando os nossos cientistas. Nós temos apenas 20 anos para parar o que está acontecendo, caso contrário, vamos chegar a um ponto de inflexão e poderemos traçar uma linha através da terra, pois todos os lugares abaixo de Paris estarão inabitáveis. No final deste século, seremos apenas um bilhão de pessoas”, diz Vivienne, recebendo aplausos das 500 pessoas da platéia.

O Ischia Global Fest deste ano - fundado e liderado pelo cineasta número um da Itália e crítico de cinema, Pascal Vicedomini - também premiou o famoso produtor musical Quincy Jones com um "Legend Award", e Marcello Fonte com o prêmio "Ischia Actor of the Year”. Marcello também foi o vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes deste ano, por seu papel no filme romano neo-realista, Dogman.
 
Duas vezes vencedora do Prêmio Designer do Ano do British Fashion Council, Vivienne Westwood recebeu seu prêmio depois de uma exibição de filme projetada em um penhasco, em uma pequena baía na ilha verdejante. Adequado, dado seu compromisso em apoiar a floresta tropical através do movimento Cool Earth.

“Nós não estamos tentamos comprar a floresta, mas estamos trabalhando com os povos indígenas para obter documentos totalmente legais para que eles possam adquirir o pedaço de floresta onde viveram por centenas de anos. Eles se preocupam apaixonadamente com suas terras e nós lhes damos a mesma quantia de dinheiro para salvar a floresta que os madeireiros lhes dariam para cortá-la. O plano é salvar toda a floresta por cem milhões de libras, o que é muito pouco. E a Rainha Elizabeth II se juntou ao movimento e agora ele está progredindo. Cada libra ajuda a salvar uma árvore”, explicou a rainha do punk, em um vestido sari de chiffon.

"Não temos escolha entre economia verde e extinção em massa", insistiu Westwood, que foi nomeada Dama em 2003 pela Rainha Elizabeth II, 25 anos depois que a estilista desfigurou o rosto da monarca com alfinetes em camisetas.
 
Mãe de dois filhos - o fotógrafo Ben Westwood e o fundador da Agent Provocateur, Joe Corré (de seu segundo casamento com Malcolm McLaren) - Vivienne Westwood se tornou avó há dois anos, de Bamboo Westwood. Em 1971, a estilista explodiu na imaginação do público com sua primeira loja com McLaren - Let it Rock na 430 Kings Road, em Londres. Em 1975, o ano do punk, sua loja renomeada Sex tornou-se a meca do movimento anti-establishment. Suas saias kilt xadrez punk rock; seus casacos retrô Teddy Boy; tops de estampa de leopardo rasgados ou roupas sadomasoquistas cortados com estampas de suástica e slogans situacionistas se tornaram o uniforme de toda uma era.
 
Mas em 1992, essa imperatriz do chic subversivo apresentou sua coleção em um desfile em Paris - sendo a primeira estilista britânica a fazê-lo desde Mary Quant - e canalizou sua estética para ideias mais teatrais em suas aclamadas linhas Anglomania e Red Label, incorporando tecidos dos séculos 17 e 18, e técnicas de costura Savile Row. Ela desenvolveu negócios substanciais no Reino Unido, Estados Unidos e, acima de tudo, na Coréia e no Japão, onde ela ainda tem dezenas de lojas. Vivienne Westwood também possui uma série de perfumes de sucesso e até mesmo seu próprio xadrez, MacAndreas.
 
Mas nos dias de hoje, sua obsessão é sua luta contra o aquecimento global, que pode ser acompanhada em seu blog. Seu nome é tipicamente insurrecional: Climate Revolution.

Traduzido por Novello Dariella

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