Varejistas europeus apresentam dificuldades

Com as economias europeias ainda com problemas, os principais varejistas de moda estão sentindo na pele as dificuldades de vender no Velho Continente, como revelam os mais recentes resultados da H&M, que ficou abaixo das expectativas, e da Inditex, que apenas cresceu graças às vendas internacionais.


Entrada de uma das lojas da H&M. Foto: Corbis


A Inditex, número um e detentora da marca Zara, registrou aumento de 10% no lucro do primeiro trimestre, com a expansão em mercados em forte crescimento, como a China, ajudando a compensar a fraca procura no mercado interno espanhol e a pressão dos custos mais elevados das matérias-primas, como o algodão.

Já a sueca H&M, que tem uma maior proporção do seu volume de negócios na Europa, não atingiu as previsões, registrando um aumento de apenas 2% nas vendas comparáveis de Maio.

E as notícias podem não ser boas para os varejistas europeus, já que a Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) avisou recentemente que as principais economias, com a excepção dos EUA, estão perdendo dinamismo, com os preços mais elevados e as medidas de austeridade atingindo os consumidores europeus.

A Tesco, a terceira maior varejista mundial, revelou que está confiante no crescimento na Ásia e na Europa de Leste para contrabalançar as vendas mais fracas do que o esperado na Grã-Bretanha.

As cadeias de vestuário foram atingidas de forma particularmente dura porque estão também enfrentando custos mais elevados com as matérias-primas, como o algodão, e com o aumento dos salários nos centros de produção da Ásia.

A Inditex, contudo, sofreu menos do que a H&M, uma vez que compra uma maior proporção das suas peças de vestuário na Europa e no norte de África, onde o aumento dos salários foi bem mais baixo do que na Ásia.

A Inditex, mesmo tendo em conta o impulso de Abril, quando a britânica Kate Middleton usou um vestido azul de poliéster da Zara de 49,95 libras no dia seguinte ao seu casamento com o Príncipe William, indicou que as margens brutas caíram 110 pontos base, para 58,8%, em linha com as expectativas. A Inditex, com mais de 5.150 lojas em 78 países, registrou um lucro de 332 milhões de euros com um aumento de 11% das vendas, para 2,96 bilhões de euros. O crescimento das vendas continuou à mesma taxa até 12 de Junho, o que, segundo os analistas, equivale a um crescimento comparável de cerca de 3%.

A Inditex, detida pelo homem mais rico de Espanha, Amancio Ortega, que é ainda o principal acionista, indicou também que vai continuar a se expandir para o mercado on-line, em rápido crescimento, e para novos mercados. A Zara vai ser lançada on-line nos EUA a 7 de Setembro, enquanto seis das outras marcas do grupo vão chegar à Internet no mesmo mês.

Os analistas do Liberum Capital indicaram, em uma nota recente, que o impulso on-line da Inditex pode aumentar em 1,8% as vendas comparáveis este ano e 3% no próximo ano. O grupo, que atraiu filas à porta de uma nova loja em Melbourne, na Austrália, indicou ainda que pretende entrar na África do Sul, Taiwan e Peru até ao final do ano.

A H&M, com cerca de 2.300 lojas em 40 países, informou que o volume de negócios no período entre Março e Maio – o seu segundo trimestre – aumentou 2%, para 27,6 bilhões de coroas suecas (cerca de 3 bilhões de euros), excluindo IVA, abaixo das previsões de 28,4 bilhões de coroas suecas. «Se as pessoas compraram roupas de Verão já em Abril, quando estava muito quente (nos principais mercados europeus), não vão comprar novamente em Maio», apontou a analista da SG Securities Anne Critchlow, comparando as vendas fracas da H&M em Maio com a forte performance do mês anterior.

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