Unilever registra vendas abaixo do esperado no primeiro semestre

A gigante holandesa agroalimentar e de cosméticos Unilever comunicou na quinta-feira um declínio no seu volume de negócios e vendas inferiores às esperadas, que atribuiu principalmente a uma greve dos camionistas no Brasil, um dos maiores mercados do grupo. De acordo com um comunicado da Unilever, no primeiro semestre o volume de negócios caiu 5% em relação ao ano anterior, para 26,4 bilhões de euros. O lucro líquido do grupo foi de 3,2 bilhões, o que representa uma queda de 2,4%.


A última campanha de 2018 da Dove foi desenvolvida em torno do tema "anti-retoques"

Objeto, no ano passado, de uma gigantesca oferta de compra por parte da americana Kraft Heinz, que acabou por fracassar, a Unilever fez manchetes em março ao anunciar, numa altura em que o Brexit se aproxima, a mudança da sua sede de Londres para a Holanda. A empresa multinacional agroalimentar e de cosmética, conhecida pela célebre Marmite britânica ou pelos sorvetes Ben & Jerry's, tem presença jurídica no Reino Unido e na Holanda há quase um século. A Unilever anunciou que se realizará uma Assembleia Geral de acionistas nos dias 25 e 26 de outubro em torno da questão da "simplificação da estrutura jurídica de duas cabeças".

O grupo com sede em Roterdã também indicou ter concluído o primeiro semestre da sua extensa recompra de ações de até 6 bilhões de euros, que terminará no final de 2018 para redistribuir entre os seus acionistas o produto da venda do seu negócio de "margarinas", concluída em 2 de julho. O grupo concordou, em dezembro, vender esta divisão histórica (Flora, Blue Band, Rama...) por 6,8 bilhões de euros ao fundo americano KKR.

Devido principalmente aos efeitos cambiais negativos, o crescimento subjacente das vendas, de 1,9%, foi inferior às expectativas dos analistas, que esperavam um crescimento de 2,2% no primeiro semestre.

Excluindo as margarinas, no segundo trimestre o volume de negócios situou-se nos 13 bilhões de euros, novamente uma queda de 4,5%.

A Unilever, que comercializa marcas como as sopas Knorr, os sabonetes Dove e os desodorizantes Rexona, mantém as suas metas apesar das "condições gerais de mercado, que continuam difíceis", disse Paul Polman. "Esperamos um crescimento subjacente das vendas na ordem de 3% a 5%, uma melhoria na margem operacional subjacente e fortes fluxos de caixa. Continuamos no bom caminho para atingir os nossos objetivos de 2020."

O diretor geral da Unilever congratulou-se pela subida dos volumes nas três divisões - "Higiene pessoal", "Produtos de limpeza doméstica" e "Alimentos e bebidas" -, nomeadamente nos mercados emergentes.
 
A divisão de “Higiene pessoal” continuou a crescer graças às "inovações ao nível das marcas mundiais e locais" e registou um volume de negócios de 5,2 bilhões de euros no segundo trimestre (10,1 bilhões de euros ao longo do primeiro semestre do ano).

Cotada na Bolsa de Amsterdã, a Unilever perdeu 0,60%, para 47,86 euros, às 09h50 (07h50 GMT), num índice em queda de 0,15%, para 567,32 pontos.

Traduzido por Estela Ataíde

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