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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
21 de jun de 2018
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Thierry Guibert (Lacoste): "O acordo com o COI encaixa naturalmente na nossa estratégia"

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
21 de jun de 2018

A Lacoste e o Comité Olímpico Internacional (COI) escolheram o Museu Olímpico de Lausana, nas margens do Lago de Genebra, para anunciar, na segunda-feira, a primeira coleção de vestuário e acessórios lifestyle Olympic Heritage, no âmbito de um contrato de licença exclusivo assinado por três anos. A Lacoste, que equipa os atletas franceses desde os Jogos Olímpicos de 2014, aproxima-se assim um pouco mais desse universo. À conversa com a FashionNetwork.com, Thierry Guibert explicou os antecedentes deste acordo e os desafios de distribuição enfrentados pela marca. O presidente da Lacoste abordou também os planos atuais das marcas Gant e Aigle.


Thierry Guibert, da Lacoste, e Timo Lumme, do COI, anunciam o acordo de licenciamento exclusivo - DR


FashionNetwork.com: Como surgiu este projeto de acordo de licenciamento exclusivo para a criação de uma coleção Olympic Heritage com o COI?

Thierry Guibert: Nós reunimos após os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Os responsáveis do COI acharam elegantes as roupas que estávamos fazendo para os atletas franceses, por isso fizeram-nos esta proposta. Esta é uma grande oportunidade, porque não era fácil acreditar que o COI concordaria em emprestar-nos os seus aros e toda a iconografia relacionada com os Jogos Olímpicos. Depois, começaram as negociações e trabalhamos nas coleções a partir de um relatório conjunto. Este acordo é um desafio porque as equipes do COI são muito exigentes, especialmente no que diz respeito à utilização dos aros e ao universo gráfico dos Jogos.

FNW: Por que é que a Lacoste aceitou este acordo?

TG: Isto não algo repentino para nós. É um acordo coerente, que se encaixa naturalmente na nossa estratégia. O olimpismo reúne os valores que René Lacoste defendia: humildade, compromisso e esforço. A coleção Olympic Heritage permitir-nos-á chegar a um grande público com um posicionamento premium: os jovens, morem eles em cidades ou subúrbios, mas também pessoas de quarenta ou cinquenta anos e todos aqueles que gostam da marca ou têm sensibilidade para o esporte. Desde a nossa colaboração com a Supreme, recuperamos popularidade entre os jovens. É um público importante para a nossa imagem, mas não o único. Os jovens querem autenticidade e querem ser capazes de se identificar. A primeira coleção faz referência aos Jogos Olímpicos do México, em 1968. Nestes jogos viram-se vitórias lendárias, mas também momentos míticos, como o punho dos atletas Tommie Smith e John Carlos, quando subiram ao pódio, em referência aos Black Panthers e aos direitos dos afro-americanos. A próxima coleção de verão, que será lançada em 2019, será uma homenagem aos JO de 1984, em Los Angeles. Todos estes jogos fazem parte da memória coletiva e podem ter um verdadeiro poder de atração, entre outros, para os mais jovens.

FNW: Vão promover a linha Olympic Heritage com uma campanha de comunicação própria?

TG: Vamos começar com as repercussões que terá este lançamento oficial internacional hoje em Lausana. Depois, lançaremos uma campanha em meados de julho, quando será iniciada a distribuição numa dezena de países.



Seleção de produtos da primeira coleção Olympic Heritage, que será lançada em julho - DR


FNW: A Lacoste está recuperando o controle da sua distribuição internacional. Qual é o próximo passo?
 
TG: No início do ano, recuperamos o controle da distribuição em Espanha e na América Latina. Trata-se apenas de senso comum, porque precisamos de racionalizar a nossa rede de distribuição. Foi o trabalho que levamos a cabo na Espanha. Em contrapartida, em países ou áreas geográficas como a Tailândia ou o Médio Oriente, por exemplo, não precisamos alterar os acordos atuais, uma vez que estamos satisfeitos com os mesmos. Isto nem sempre é evidente, dadas as especificidades de determinados mercados. A chave continua a ser a qualidade dos produtos, a oferta no seu conjunto, a distribuição, o nível de serviço e o controlo da promoção.

FNW: A Gant anunciou na semana passada a chegada de um novo CEO, Brian Grevy. A que se deve esta mudança?

TG: A Gant é uma marca com grande potencial, mas acreditamos que ainda está pouco explorada. No entanto, é preciso lembrar que desde a aquisição por parte da Maus Frères, em 2008, não é mais que uma holding de marcas. Não controlamos a produção. O grupo teve que reestruturar o funcionamento da marca e tomar controle de posições-chave. Assumimos o controle da distribuição na Alemanha, que é o primeiro mercado da Gant, após recuperarmos a Benelux e os Países Baixos. A nomeação de Brian Grevy acontece num momento em que a marca precisa de acelerar o seu desenvolvimento. Precisamos trabalhar em profundidade sobre a identidade da marca, o seu DNA, os seus produtos emblemáticos, como a camisa polo, mas também os seus valores históricos: a liberdade e a descontração da década de 1960. Temos que incutir mais consistência na oferta da marca e na sua distribuição. Esta é a nossa missão nos próximos quatro a cinco anos.

FNW: E quais são as novidades mais importantes no que diz respeito à Aigle, outra marca do grupo Maus Frères International?

TG: Os últimos resultados da marca foram satisfatórios. A renovação realizada nos seus mercados mais antigos funcionou bem. Há muito tempo que é associada às suas botas e à caça, mas isso está mudando. Os consumidores habituaram-se à sua conotação com "hike and travel". Trata-se de um regresso às origens. Mudar a imagem é algo que demora o seu tempo. Também é interessante notar que nos nossos mercados asiáticos a marca aparece como nova e aspiracional. Não tem a mesma imagem que nos nossos mercados históricos. As vendas de botas têm resultados muito bons. Quanto ao volume de negócios global, ultrapassou os 200 milhões de euros em 2017.

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