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26 de out de 2018
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Tati Magalhães fala sobre os desafios de empreender moda no Brasil

Publicado em
26 de out de 2018

Foi da vontade de criar roupas confortáveis e femininas, que vestissem bem em qualquer tipo de corpo, que a  jornalista com MBA em marketing digital Tati Magalhães resolveu criar a marca que leva seu nome. Dois anos depois, a carioca conquistou celebridades como Agatha Moreira e influenciadoras como Lu D'Angelo vendendo apenas em e-commerce, Instagram e WhatsApp. Em entrevista ao Fashion Network, ela fala sobre as dificuldades de empreender no Brasil e sobre a aposta no movimento slow fashion.


Look Tati Magalhães - Divulgação



FASHION NETWORK: Quais são as maiores dificuldades de empreender no Brasil atualmente? 
Tatiana Magalhães: As dificuldades são muitas: a começar pela gestão financeira. Não se pode confundir contas pessoais com as da empresa, isso é um suicídio. É muito importante estar atento à questão financeira e controle do fluxo de caixa - tudo o que entra e sai. Outro fator que dificulta muito é a falta de mão de obra qualificada. Eu trabalho com moda e lido com pessoas. Dependo das minhas costureiras para produção das minhas peças. O que sinto na pele é a falta de comprometimento e de profissionalismo de algumas. Fora a dificuldade que é encontrar profissionais qualificadas. A burocracia é outro fator que só atrapalha o empreendedorismo. Dificuldades são impostas o tempo inteiro para quem quer abrir uma empresa aqui no Brasil.   

O Brasil já está mais consciente e adepto ao consumo slow fashion ou ainda temos muitos passos para dar?
Tatiana Magalhães: Acredito que sim. O Brasil está mais consciente e as empresas também, mas acho que ainda há muito para avançar. A indústria da moda é uma das mais mais poluentes do mundo, temos que fazer a nossa parte para tentar mudar alguma coisa. Seria muito legal se as pessoas tivessem um interesse maior em saber de que forma aquela roupa que ela está comprando foi produzida, por quem, e com que tecido. O trabalho escravo ainda é uma realidade em muitas fábricas aqui no Brasil e acredito que de uma certa forma, quem não se interessa em saber se determinada marca trabalha de uma maneira correta e sustentável, acaba contribuindo para que essa indústria permaneça. O slow fashion é uma produção consciente, baseada em pequenas e médias escalas, com tecidos naturais, reaproveitamento e valorização da produção local. Eu adoto o slow fashion e muitas das neomarcas que conheço já nascem com essa consciência. 

Vocês têm planos de abrir lojas físicas? 
Nossas vendas são 100% online. Temos o site, o Instagram e também vendemos pelo WhatsApp.                                       
E de exportação?
O céu é o limite, né? Mas tudo no seu tempo. O mais importante para mim é que minha marca se torne referência de conforto e sofisticação e que as pessoas conheçam a Tati Magalhães e se identifiquem com ela.


Divulgação

Body Tati Magalhães

Por conta do novo momento do mercado da moda nacional, notamos que muitas neomarcas preferem aderir ao modelo de espaços coletivos de vendas, eventos e até mesmo dividir lojas com outras marcas. Quais são as vantagens e desvantagens desse novo modelo de vendas? 

Tatiana Magalhães: Por conta dos altos valores dos aluguéis dos espaços físicos e a insegurança de uma marca nova em assumir um contrato longo, acho muito vantajoso para quem está começando e que ainda não tem um nome firme no mercado se juntar a outras marcas com o mesmo público-alvo, mas com mix de produtos diferentes, proporcionando uma experiência nova e inovadora aos clientes, oferecendo tudo em um único lugar. Além disso, a divisão de todos os custos que uma loja física dispõe, também é uma vantagem. Acredito, sinceramente, que este é o futuro da moda. Quando as marcas se unem, elas se tornam mais fortes, os clientes diversificam e ampliam suas possibilidades conhecendo outras marcas, e isso é incrível! 

E quantos aos eventos e feiras? Como vocês veem a participação nesses espaços? 
Tatiana Magalhães: Eventos e feiras também são interessantes para fortalecer o branding da marca, muito mais que no aspecto financeiro em si. Mas é ótimo para apresentar a marca ao público, distribuir cartões, fazer contatos com outras marcas, etc. 

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