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T-shirts nas mãos dos robôs

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 6 de set de 2017
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Quando a produtora chinesa de vestuário Tianyuan Garments Company inaugurar a sua fábrica, em 2018, em vez de costureiras, as linhas de produção serão preenchidas com robôs autônomos –, supervisionados por humanos, noticia a Fast Company.


Logo que o sistema esteja totalmente operacional, cada uma das 21 linhas de produção na fábrica será capaz de fabricar 1,2 milhões de t-shirts por ano, com um custo total de produção bastante competitivo em relação a empresas de vestuário que fabricam e expedem vestuário nos países com os mais baixos salários do mundo.

«O nosso objetivo é fornecer uma ferramenta para que os fabricantes produzam convenientemente para os seus clientes», afirmou Palaniswamy Rajan, CEO da SoftWear Automation, a empresa que desenvolveu a tecnologia robótica que será usada na nova unidade fabril.

Os Sewbots da SoftWear Automation foram desenvolvidos no Advanced Technology Development Center do Georgia Tech, um processo que começou há uma década. Em 2012, os investigadores receberam um financiamento para desenvolver o conceito e estabelecer uma empresa que comercializasse a tecnologia. Até 2015, a empresa vendia uma versão mais básica do robô, capaz de produzir tapetes e toalhas. A versão mais recente, a ser instalada na fábrica norte-americana, pode fabricar t-shirts e, ainda que parcialmente, jeans.

A utilização da robótica na confeção de vestuário, nos aspetos mais básicos, mudou relativamente pouco desde que as máquinas de costura foram inventadas no século XIX. No entanto, ainda que outros tenham tentado automatizar etapas individuais do processo de costura, só agora a tecnologia está a revelar-se capaz de criar uma peça completa de forma autônoma.

Olhar de costureira

A tecnologia da SoftWear recorre a visão de máquinas, robótica e computação avançada. «O que fizemos foi olhar e abordar a tecnologia considerando a forma como a costureira realmente opera», explicou Rajan.

A tecnologia de visão de elevada velocidade “vê” o produto e o material como uma costureira, contando os fios individuais numa malha e a sua interseção para controlar e guiar a operação de costura na agulha.
A empresa começou por focar-se em t-shirts e jeans porque a força dos robots está em produzir grandes quantidades.

«As pessoas compram 11 mil milhões de t-shirts por ano», revelou Rajan. «Este é um mercado em que a automação faz sentido, onde os nossos robots fazem sentido porque produzem um volume muito grande de artigos».
Não obstante, Rajan acredita que algumas peças de vestuário vão sempre ser asseguradas por mãos humanas. «Nunca seríamos capazes de fabricar um vestido de noiva», exemplificou.

A este respeito, defendeu que a tecnologia poderia ainda ter um impacto positivo em países com grandes indústrias de confeção de vestuário. Os trabalhadores podem garantir o trabalho mais artesanal e com isso auferir de salários mais elevados.

Em Little Rock, Arkansas, a nova fábrica da chinesa Tianyuan acabará por criar 400 postos de trabalho. Ainda que os robôs sejam totalmente autônomos, três a cinco pessoas trabalharão em cada linha de produção e outros funcionários serão alocados à logística e diferentes seções da fábrica.

A SoftWear diz ter calculado que um robô pode criar entre 50 a 100 postos de trabalho a jusante, quer dentro das fábricas, quer nas indústrias relacionadas.

Ao produzir mais próximo geograficamente dos consumidores e ao reduzir o desperdício, a tecnologia pode ainda diminuir as pegadas de carbono das marcas. A Fashion for Good, iniciativa que visa melhorar a sustentabilidade da indústria da moda, calculou que os robôs podem ajudar a reduzir as emissões em cerca de 10% e está apoiando a SoftWear.

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