Sustentabilidade em avanço

Ainda que frequentemente se associe a moda ecológica a designers emergentes ou a práticas e iniciativas recentes de retalhistas globais, marcas como a Eileen Fisher, Alternative Apparel ou John Hardy são amigas do meio ambiente praticamente desde a fundação e vestiram a camisa da sustentabilidade muito antes de ser moda.

A nova geração de designers, ao que parece, acredita que a inovação estética deve sempre estar associada à consciência ambiental. Estas preocupações não são um exclusivo dos jovens designers e ecoam também nas coleções de muitas marcas indie, que de resto têm merecido um lugar de destaque nos portais da especialidade nas últimas estações.

No entanto, para muitas marcas estabelecidas, as pazes com o meio ambiente começaram a ser feitas há muito tempo – antes mesmo da ecologia ser moda, segundo o portal Fashionista.

Eileen Fisher

Eileen Fisher é talvez um dos casos mais conhecidos.

A marca colaborou com o Council of Fashion Designers of America (CFDA) em 2016 no “Social Innovators Project”, uma residência de um ano para os recém-licenciados da escola de moda Parsons que enfatizou a responsabilidade ambiental e social e, este ano, a sua fundadora foi distinguida na gala anual da Parsons pela liderança no campo da sustentabilidade na indústria da moda.

Recentemente, a Eileen Fisher comprometeu-se com uma iniciativa ambiciosa, batizada Vision 2020, com o propósito de alcançar um conjunto de objetivos até 2020, que incluem, por exemplo, usar algodão e linho 100% orgânicos.

Não obstante, a marca tem vindo a incorporar práticas sustentáveis no seu negócio desde 2000, quando introduziu as primeiras leggings orgânicas.

A responsabilidade social assumir-se-ia uma prioridade ainda mais precoce, pois abordar questões de direitos humanos dentro da cadeia de aprovisionamento tornou-se primordial para a Eileen Fisher nos anos 1990.

«As marcas de outdoor foram das primeiras a explorar a sustentabilidade, mas não havia muita coisa entre as empresas de moda», revela Shona Quinn, responsável de sustentabilidade da Eileen Fisher, ao Fashionista.


Alternative Apparel

A Alternative Apparel é outra das marcas de longa data cujo fundador se lembra de marcas de outdoor como a Patagonia terem começado a falar sobre o impacto ambiental da produção de vestuário. Evan Toporek é CEO da Alternative Apparel, marca conhecida pelas peças basilares do guarda-roupa, como as t-shirts feitas de materiais ecológicos.

«Antes de “eco-friendly” ser uma expressão-chave, usávamos algodão orgânico, poliéster reciclado e corantes de baixo impacto. Tínhamos muito cuidado com a forma como produzíamos», afirma Toporek.

Primeiro, a marca desenvolveu a coleção Alternative Earth, que mostrava esses esforços, mas, eventualmente, os tecidos amigos do ambiente acabariam por ocupar um lugar tão relevante na Alternative Apparel que já não fazia sentido separá-los. Hoje, 80% das peças da Alternative Apparel são fabricadas segundo métodos ecológicos.

John Hardy

John Hardy, fundador da marca de joalharia de luxo, incorporou práticas ambiental e socialmente conscientes na empresa por razões semelhantes.

O atual CEO da empresa, Robert Hanson, considera Hardy um «visionário» pela forma como este previu a importância da sustentabilidade ao fundar a empresa, em 1975.

Hoje, os esforços da marca em prol da sustentabilidade são visíveis em tudo, desde as matérias-primas à iniciativa de plantação de bambu, passando pelo espaço de atelier.
Educar os clientes sobre o que realmente significa a sustentabilidade, particularmente no contexto de uma marca, foi um dos desafios que todos os executivos apontam.

«É preciso tempo para uma compreensão aprofundada do ciclo de vida de um produto ou dos prós e contras das iniciativas de uma empresa [para o desenvolver]», resume Shona Quinn, responsável de sustentabilidade da Eileen Fisher.

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