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Portugal Textil
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18 de jul. de 2017
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Startups: o novo rosto do varejo

Por
Portugal Textil
Publicado em
18 de jul. de 2017

Enquanto gigantes como American Apparel, Macy’s ou Guess experimentam dissabores como encerramentos de lojas e despedimentos, os jogadores menores estão trazendo a experiência do retalho para o século XXI, com foco na autenticidade e comunidade e, em muitos aspectos, deixando as vendas para segundo plano.


«Não vejo apocalipse algum no mundo de pequenos e criativos empreendedores», afirma Sarah Filley, cofundadora do Popuphood, programa de residência de varejo que ajuda startups, ao portal de moda Racked. «As pessoas estão olhando para os shoppings suburbanos e falando do fim de uma era. Se olharem para as startups, há muita energia».

Uma oportunidade

O apocalipse do varejo, por outras palavras, pode ser entendido como uma oportunidade para aqueles que não se enquadram na atual realidade de negócios.

Como Sarah Filley e muitos outros acreditam, o modelo original e em escala já está morto. A próxima fase do varejo físico, explorada em lojas pop-up, portais como o Etsy e no comércio online, está apenas começando.

A B8ta, loja física especializada em gadgets, acredita que a venda precisa de ser um processo educacional muito mais personalizado.

«Fazer produtos é agora mais fácil do que nunca, por isso, muitas pessoas estão levando as novas ideias diretamente ao cliente», defende o fundador da B8ta, Vibhu Norby. «O varejo deve ser visto como um serviço. As empresas contam-nos quais os dados demográficos e clientes que querem alcançar para descobrimos a melhor forma de chegar a esses consumidores», explica.

Desde a estreia em dezembro de 2015 em Palo Alto, Califórnia, a B8ta já trabalhou com 400 empresas e lançou mais de 100 produtos no varejo físico. Os dados da loja sugerem que o espaço supera o varejo tradicional quando se trata de conectar consumidores com novos produtos e, em média, os clientes interagem com 36 artigos por visita, gastando uma média de 20 segundos por produto, comparativamente a uma média de 7 no setor.

A The Kolony, em Nova Iorque, está olhando para a experiência em loja de forma bastante diferente. Em vez de competir com as grandes marcas que se encontram em Manhattan, o objetivo é criar um destino no bairro de Soho.

«Queremos construir uma experiência mais abrangente e criar valor para o cliente», aponta Bill Hajar, cofundador da Kolony. «O que estamos tentando descobrir é como podemos conseguir que pequenas marcas entrem num espaço urbano e sejam bem-sucedidas», sublinha.

Com abertura agendada para este outono, a The Kolony pretende oferecer uma experiência de compras com curadoria. O espaço irá agregar 15 marcas, com a área dividida entre exposição de produtos e entretenimento sob a forma de cafés, bares e espaços de performance. Alfaiates presentes no local vão ajudar a reparar vestuário e a educar os consumidores em artesanato.

«É realmente sobre slow fashion», afirma Anshul Mathur, cofundador da The Kolony. «É sobre a promoção de vestuário de alta qualidade e mostrar como as roupas são feitas», acrescenta.

Espaços multifunções

A diferença da The Kolony, segundo a empresa, é que também funcionará como incubadora.

Marcas e designers serão recrutados para residências de seis meses e beneficiarão do sistema de vendas online da empresa, da presença de comércio eletrônico e da equipa de vendas, bem como consultoria e orientação do diretor de moda da empresa.

O objetivo é que o modelo dê às marcas menores uma porta de entrada no varejo caro de Nova Iorque, onde a renda para o espaço de retalho aumentou 22% apenas em 2016.

«As empresas não deveriam falhar apenas porque a renda é muito alta», admite Mathur. «Isso é uma vergonha», realça.

Apesar das dificuldades, a formação de pequenas empresas atingiu níveis recorde em todo o país no ano passado.

A Popuphood por exemplo, tem levado o modelo de varejo pop-up para o próximo nível, trabalhando com entidades locais para organizar programas de residência para novos negócios. A organização de Sarah Filley, que começou em Oakland em 2011, acabou de lançar um programa com a cidade vizinha de Hayward – pequenas empresas serão recebidas em espaços subutilizados no centro da cidade isentos de rendas ou com uma renda baixa.

«Há uma nova consciência à volta do consumismo», assegura Filley. «As pessoas querem entender como, quando e onde as coisas foram feitas. As pessoas querem conectar-se», esclarece.

Em última instância, o que une estes conceitos é o foco no fator humano. Embora muitos grandes varejistas estejam reduzindo equipas, as startups acreditam que concentrar-se apenas no digital as fará perder a sua vantagem competitiva. «As pessoas vêm às lojas para terem uma interação humana», reconhece o fundador da B8ta, Vibhu Norby.

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