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SPFW N47: o que rolou na semana de moda paulista

Publicado em
today 29 de abr de 2019
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Maior semana de moda da América Latina, a São Paulo Fashion Week que apresentou as tendências de primavera-verão 2019/20 terminou no último sábado (27) marcada pelo apoio à bandeira da diversidade dos corpos femininos, pela utilização de materiais sustentáveis nas roupas, por protestos políticos e pela trágica morte do modelo Tales Cotta, vítima de um mal súbito durante o desfile da grife Ocksa. Mesmo após a morte do modelo, a programação seguiu normalmente com os desfiles restantes, o que causou indignação de alguns setores.


Diversidade de corpos foi a aposta de Amir Slama na SPFW N 47 - Divulgação


No Instagram, a marca pediu desculpas por ter reiniciado o desfile após a fatalidade com o modelo: "Nós da Också estamos profundamente tristes e devastados. Jamais poderíamos imaginar que o nosso desfile de estreia seria marcado por uma tragédia: a perda de um amigo especial, Tales Cotta. Em nome de toda equipe pedimos desculpas por temos dado continuidade ao desfile, independente das informações que dispúnhamos naquele momento, no backstage. Independente se tivesse sido uma queda ou ele desmaiado, jamais deveríamos ter dado continuidade ao desfile. (...) Acreditamos que, com união e amor, conseguiremos juntos amenizar a dor dessa tragédia e dessa perda imensurável".

As outras estreantes Flavia Aranha e Piet também tiveram seus desfiles naturalmente ofuscados pela morte de Tales. Flavia é uma referência em termos de sustentabilidade na moda, com seus tingimentos naturais com pau brasil, urucum e crajiru e também com a capacitação de artesãos locais.

A maioria dos desfiles foi feita no Arca, um galpão desativado que pertence ao grupo Votorantin, na Vila Leopoldina. 
A carioca Handred abordou a questão da tolerância religiosa na passarela, enquanto o veterano Ronaldo Fraga, em mais um desfile-manifesto realizado no Farol Santander, levou reflexão sobre os tempos de violência em que vivemos para a passarela do último dia da São Paulo Fashion Week. Nas cabeças dos modelos, capacetes militares tinham alusões a armas, livros, pombas brancas e bandeiras LGBT. O rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em março do ano passado, apareceu em roupas e calçados como forma de protesto, mas o uso da imagem de Marielle não foi bem visto pela família dela, que criticou o estilista.  Em entrevista ao jornal "O Globo",  a viúva de Marielle, Mônica Benício disse temer que a figura de sua companheira se torne algo comercial como aconteceu com Che Guevara. Ronaldo Fraga procurou a irmã de Marielle para dar explicações e afirmou que as peças não serão comercializadas, mas entregues à família da vereadora. 


Cabeças criadas para o desfile de Ronaldo Fraga: protesto na passarela - Reprodução Instagram @realmarcoscosta


Também de olho nas questões urgentes da sociedade, Amir Slama apresentou uma coleção-cápsula feita em parceria com a artista Suzi Pires, com renda revertida para o Instituto Dona de Si, que acelera talentos femininos da economia criativa, com capacitação e orientação profissional. Na passarela, um casting bem diverso que evidenciou uma preocupação com a diversidade de corpos.

A ausência da Osklen no line up foi sentida. Já a Cavalera, que não desfilava no São Paulo Fashion Week há sete temporadas, fez um grande retorno e encerrou a 47ª edição do evento resgatando as próprias origens no streetwear. Antes da apresentação, a marca pediu um minuto de silêncio e o vídeo com as instruções de segurança e a vinheta do evento foram exibidos sem som.
 

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