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Publicado em
22 de jun. de 2011
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SPFW: balanço 6º dia

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UseFashion
Publicado em
22 de jun. de 2011

Em apresentação  intimista no Baretto, bar dentro do Hotel Fasano, e abrindo a manhã do último dia, Pedro Lourenço selou de vez as singularidades que cercam sua trajetória de menino prodígio, com uma coleção sólida e requintada. O line up ainda reservava picos altos, caso da esperada apresentação de João Pimenta e o encerramento a cargo de Ronaldo Fraga, sempre uma garantia de experiência rara e emocional com a moda. Mas ainda tinha mais para se ver: a moda festa triunfante de André Lima, o corta, recorta e remonta da Amapô e a delicadeza orgânica de Fernanda Yamamoto, que ajudaram a selar de vez a sorte do vigoroso verão brasileiro.

Pedro Lourenço


De microfone na mão e com um pequeno grupo de modelos, ele apresentou os looks um a um, com direito a explicações sobre as matérias-primas e sobre a sofisticada execução das estampas. Ele também desdobrou questões de modelagem abordando a execução dos cortes voltados para eliminar costuras e as devidas implicações de consumo e custo, revelando truques engenhosos, como o zíper que permite o acesso a outra camada da roupa e os pequenos imãs escondidos, que sustentam as partes abertas transformadas em belas dobraduras. Outro ponto de se tomar nota é a aproximação dele com o acervo de técnicas tradicionais brasileiras, que renderam têxteis cheios de personalidade. O repertório do estilista permanece enxuto, mas foi devidamente ampliado e ele parece mais que pronto para encarar as expectativas que se acumulam em torno de sua carreira. Pedro é o estilista mais jovem em atuação no planeta moda.


 



João Pimenta


O estilista que ganhou público e crítica na edição anterior retorna com outra apresentação de impacto. Ele volta a usar o recurso de alternar alfaiataria com entradas de peças em estado de puro decor, estas representadas por bodies transparentes, ricamente bordados apenas sobre aquelas partes da anatomia masculina que não se pode mostrar na passarela. Ao som de Bowie e com alusões ao figurino glam do ídolo pop, João recheou o desfile de calças imensas e variações de paletós bem cortados acoplados a partes com sugestão de roupa feminina. Em função da presença de muito branco, do cetim substituindo a lã de inverno, do colorido forte em looks inteiros e dos bodies bordados, o conjunto perde a sisudez que na coleção anterior delimitava a distância entre a boa roupa e a fantasia. Mas reafirma o domínio técnico e a espantosa capacidade de criar um campo imaginário em meio à aridez funcional da moda masculina.


 



Fernanda Yamamoto


Pegada naturalista e orgânica na coleção da estilista, de linhas curvas e sinuosas nos contornos da peças e superfícies misturando manchas e bordados. Com a natureza como direcionamento, Fernanda, rearranja sua modelagem poética em melhores proporções. O resultado é a silhueta mais graciosa e resolvida, aspecto que tem sido um ponto nervoso no trabalho dela, muito focado na experimentação de superfícies têxteis e na geometria.


 



Amapô


Com gosto por experimentação e talento para enfrentar misturas que poderiam ser das mais indigestas, a Amapô vai amadurecendo uma linguagem e assume posição singular entre as marcas nacionais. Embalada por lembranças visuais de destinos tipo natureza do planeta, a coleção apresentada ao som de Bob Marley é um convite ao descompromisso psicodélico e uma celebração da viagem em sentido amplo. Muitos recortes no puzzle de alfaiataria, variedade de estampas e cores em formas amplas, na modelagem que equilibra estilo, conforto e despreocupação em doses iguais.


 



André Lima


Especialista em vestidos de festa para entradas triunfais, André Lima abre espaço para modelos que moderam o senso de espetáculo e introduz calças também poderosas na coleção de verão. Há de tudo um pouco, entre orientação arquitetônica, elementos retrôs e africanos, garantindo a pluralidade de referências. Belos momentos, como o da camisa branca com saia preta escultórica, e vale o conjunto suntuoso, que mantém a clientela do estilista sem fôlego, que é exatamente como ela deseja estar.


 



Ronaldo Fraga


Ao assumir a responsabilidade de encerrar a atual edição da SPFW, Ronaldo Fraga, um apaixonado pelas brasileirices da gema, trocou o que poderia ser um grand finale pomposo por uma prosaica batalha de confetes. O clima de festa, que contagiou o público presente, em parte é culpa dos saquinhos de confetes deixados sobre os assentos, mas a razão legítima da alegria vem da empatia estabelecida com a apresentação, uma homenagem aos bailes de carnaval dos anos 1930 e a Noel Rosa, celebrada em preto e branco e de desenho marcadamente Deco. Com algumas canções de Noel interpretadas ao vivo, somadas ao reforço nostálgico dos bailes do passado e a melancolia sutil do p&b, Ronaldo outra vez leva o público a uma dimensão rara e emocional da experiência com a moda. Mandou bem.


 




Fotos: Agência Fotosite
Eduardo Motta

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