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Publicado em
22 de jun. de 2011
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SPFW: balanço 5º dia

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UseFashion
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22 de jun. de 2011

Dia mais longo da SPFW, com vários desfiles externos. Herchcovitch mostrando o masculino às 11 horas da manhã e Lino Vilaventura avançando pela noite. Entre um e outro, a Bauhaus segundo a Neon, jeanswear da Ellus, mais moda masculina da VRom, o silêncio do Fause Haten e o beachwear opulento da Adriana Degreas com direito a presença explosiva e performática da Sônia Braga na passarela.

Alexandre Herchcovitch masculino


Alexandre encara tema funcional, a roupa de caça, pesca e camping com a inventividade usual e dribla as restrições do repertório. Em 1º lugar, acentuando os elementos práticos, como bolsos, zíperes e peças idem, com muitos coletes, calças cáqui e trench coats. É um nicho que tem algo de "caixa de ferramentas" com todas aquelas divisões, uma para cada coisa, e os muitos elementos, tratados em neutro contra fundo de cor ou vice-versa, que assumem lado decorativo. Em 2º lugar, Alexandre injeta todo um imaginário lúdico neste mundo de objetividade. É aí que entram florais, botões exagerados, invenções na modelagem e um belo trabalho cromático. O tema testosterona empresta quase tudo para a coleção, inclusive a possibilidade de contradição, e Alexandre deita e rola criando confusão de gênero no casting (menino ou menina?) e abusando do cor de rosa.





Neon


Ao definir o tema Bauhaus Tropical, Neon embarcou em um choque de redução têxtil. Tem bem menos tecido nessa coleção e mais formas secas e coloridas, algumas delas lisas. É claro que estão lá o enorme caftan, a estampa gloriosa e um ou outro vestido ou macacão amplo, mas entram em cena os conjuntos enxutos de short e blusa, calça capri e camisa sem mangas e ajustada e macaquinhos curtos. Também não faltam peças e climão de balneário e o tempero étnico, só que desta vez tudo é regido pela geometria. tanto quanto possível e ao jeito irreverente e caliente da néon, naturalmente.





Ellus


Apresentou a coleção de verão 2011/12 no jardim do Auditório Ibirapuera, evocando o clima dos festivais de música ao ar livre. A modelagem para rapazes é a mais ajustada da SPFW até o momento, com bons efeitos manchados em degradê, estamparia híbrida, peças fáceis de recombinar, camisaria ajustada, barras de calças dobradas e jaquetas. Para elas, calças justas e pantalonas, boleros e vestidos curtos e ágeis. Mesmo quando a edição conduz aos modelos paetizados e prateados, o tratamento permanece no registro correto, o da moda jovem que não reza pelo tão certinho. Se o jeanswear da Ellus passou bem na passarela, não significa que chega em plena forma à loja. O que é sempre de se lamentar.





VRom


O filme "Fome de Viver", que uniu Catherine Deneuve e David Bowie como vampiros e amantes, se tornou um cult da vampirologia cinematográfica. É ele que alimenta com sangue fake, estampa de rosas vermelhas e algum dandismo nos aspectos e materiais, a coleção da VRom. O styling do David Pollack cuida de modular o tema e não deixa que ele saia do controle. Sob a camada de sangue e a corajosa saturação de referências, têm peças boas e básicas no desfile, sempre em proporções acertadas.





Fause Haten


As performances de Fause em edições anteriores causam certa apreensão nos desfiles de hoje. Todos esperam que o estilista modere a mão ou que encontre qualidade nos excessos. Desta vez, ele optou por desacelerar. Manteve a ideia de performance sem se envolver pessoalmente nela, com as garotas/marionetes vendadas e manipuladas por rapazes vestidos de preto cruzando a passarela. Elas encarnam a personagem "Clarice que dorme" e encaram a apresentação ao som de uma narração e de acordes de caixinha de música, sem o auxílio de uma trilha propriamente dita. Tudo para mostrar vestidos ora soltos ora modelando o corpo, quase sempre em trabalho de oposição de opacidade e transparência e preciosistas no detalhe e no desenho de superfície.





Adriana Degreas
Homenageando o Brasil e Sonia Braga em registro exagero-tropical, Adriana Degreas usou caftans e turbantes, adotou folhagem grande, onça e pinturas de Eckout como motivo de estamparia, e abusou do verde. Além disso, os maiôs são cavados sem pudor e rola um clima luxo anacrônico que deve ter público certo, maduro e endinheirado.




Lino Vilaventura


"Shes´s a rainbow", música dos Stones, rege a coleção do Lino, que encerrou o variado, extenso e rico 5º dia. O estilista continua insuperável nos vestidos longos, cheios de molejo, fino trabalho artesanal, belos tingimentos e grande senso de espetáculo. Caroline Ribeiro abriu com um exatamente assim e a sequência vai do rosa que ela veste ao amarelo e aos neutros. Os materiais leves e sedosos dão potência ao climão que o estilista gosta. No feminino, tem ainda sequência de vestidos mélange, curtos e hiper trabalhados. O masculino é o de sempre, um homem bofe que gosta de seda, experimentação e estampa, desta vez com lampejos de executivo chique.





Fotos: © Agência Fotosite
Eduardo Motta

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