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Publicado em
14 de jun. de 2011
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SPFW: balanço 1º dia

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UseFashion
Publicado em
14 de jun. de 2011

Em São Paulo se faz moda. Com poucas apresentações, mas do tipo que carregam uma assinatura, o 1º dia justifica a afirmação.  Veja o que trouxeram para a passarela Animale, Tufi Dueck, Samuel Cirnanski e Reserva.


Animale


Começar uma edição com um desfile afiado como este da Animale é um privilégio. Priscilla Darolt baixou o tom da experimentação e levou a invenção para a sutileza do detalhe. Mergulhando nos campos de lavanda do Sul da França, ela emplacou vestidos transparentes e elaborados disfarçando a complexidade técnica na leveza do resultado. A viagem prossegue até a Côte d´Azur, evocando barcos e o litoral com recortes em formatos de velas e outras sutilezas mais. A lista de acertos, conduzidos por um supertime de garotas, é recheada de momentos poéticos. O público se deu conta do que acontecia e aplaudiu com gosto.



 



Tufi Duek


Eduardo Pombal é talentoso e imprime um direcionamento particular ao histórico da Tufi Duek. Dessa vez, ele recorre ao Brasil profundo, mais precisamente à arte indígena. É dali que ele extrai base geométrica depurada, revelando o lado minimalista de uma referência quase sempre abordada nos excessos. Vestidos enxutos na forma, bem curtos, radiantes na cor e nas superfícies construídas em miçangas e tramas de cestaria. Nem todas as ideias ”têxteis” têm carreira comercial garantida, mas a excelência da imagem de moda está plenamente assegurada.



 



Samuel Cirnansck


A mulher imaginada por Samuel Cirnansck usa vestidos elaborados como os do fim do século 19, caminha sobre saltos assassinos, amarrada, amordaçada e é forçada a preservar intacta a eterna performance da noiva submissa. Neste caso, acrescido da característica de mulher sedutora e fatal. A atualização fica por conta do velho tema do fetiche, do látex misturado ao tule na sequência de vestidos curtos e da Lady Gaga avisando que  “I born this way”. É de dar um susto nas sensibilidades feministas e alguns vestidos pecam abertamente pelo excesso, o que, no contexto, até faz sentido. No entanto, não há como não contabilizar a inegável beleza anacrônica e a perícia técnica de parte da coleção, além das estranhezas que dão certo, caso dos cruzamentos de tradiçao e contemporaneidade e de pudor e sexo. São  pontos que explicam porque Samuel tem os créditos que tem e autoconfiança para fazer o que faz. Apresentaçao do tipo ame ou odeie, testando ao limite a fleuma fashion. 



 



Reserva


Visível  na direção dos desfiles da temporada é o desaparecimento das cenografias. A medida só é possível em função  da maturidade que alcança a roupa made in Brazil. Não é que toda cenografia seja dispensável, mas a grande maioria é. Quem sente falta, vai migrando para a performance. Para reforçar o tema Cuba livre, Reserva trouxe atores de nariz de palhaço enrolando charutos na passarela. Acrescentou pouco ou nada à coleção de linha tropical cool que a marca sabe fazer. Com exceção de alguns belos tricôs secos e dos ombros no lugar no blazer, a modelagem descola do corpo, com desenhos arredondados discretos e inteligentes.



 




Fotos: © Agência Fotosite
Eduardo Motta

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