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15 de jun. de 2010
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SPFW: balanço 1º dia

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UseFashion
Publicado em
15 de jun. de 2010

São Paulo Fashion Week começa com dia colorido e otimista. Nesta edição, a semana paulista ganha o nome de “Anima”, disposta a internacionalizar de vez o que o Brasil tem de melhor. Na cena global, é hora de decisão, e a moda chama para si a responsabilidade pelo jogo. Com o perdão da metáfora esportiva. Bem, em ritmos de copa do mundo pode, não é?

A seguir, o balanço do 1º dia.

A costura impecável quando conferida de perto justifica o estilo forte pretendido pela Tufi Duek. Eduardo Pombal deixou claro a que veio e a extensão do repertório que tem. Os shapes são anos 1960, com golas redondas e transparências na região do colo, que também apareceram em desfiles no Rio. A investigação têxtil salta aos olhos, e as transparências em sobreposições com jeito e cara de papel celofane são instigantes.

A modelagem é rigorosa mesmo nos aparentemente despretensiosos vestidos retos e conjuntos de blusa seca e calças de alfaiataria folgadas nos quadris. Peças bem bacanas. É interessante a carteira com alça presa na parte de cima do braço. O resto é tecnologia pura, de incontornável alma futurista. Só resta saber o que fazer com ela a esta altura. A modelagem sessentinha está na pauta. O futurismo sixties complica um tanto a receita.



   

Cortando, unindo, desmontando, superpondo, enviesando, dobrando e franzindo, para citar apenas alguns procedimentos, Erika Ikezili enveredou por uma arriscada coleção puzzle/patchwork. Ao já complexo conjunto, ela adicionou todas as cores da cartela, inclusive limão, pink, preto e muitas estampas, gráficas e manchadas. Faltou citar o leque de materiais, também muito amplo, incluindo uma renda de malha preta, superposta à boa parte das peças apresentadas, além dos enfeites de metal entremeados com os tecidos.

E isso não é tudo. Erika evitou repetir recursos e formas ao longo da coleção, criando uma espécie de distopia visual coroada, literalmente, por chapéus empilhados sobre a cabeça das garotas e arranjos com flores coloridas e artificiais. Um conjunto para lá de “maximalista” e em equilíbrio prodigioso. Até amanha, espero dar conta da informação e formar uma opinião a respeito. Corajoso, sem dúvida é.





Interessante o trabalho de Priscilla Darolt. Ela tem uma concisão rara e aposta nessa qualidade, guardando os excessos para a exuberante Animale, que também assina. Desta vez é a Art Déco que dá régua e compasso para a coleção. Falar nesses instrumentos soa anacrônico em tempos em que as tecnologias são outras. Mas não é só um trocadilho. O déco é mesmo um estilo geométrico, quase sempre simétrico e composto, como a roupa que a estilista apresentou.

Puxando o cortejo, entraram os vestidos armadinhos, de estrutura simplificada e linhas de contorno nem tão comuns. O mais interessante ocorre dentro dessas áreas exíguas (eles são bem curtos e sem mangas). É aí que a Priscilla deita e rola. Recorta e remonta o material para criar linhas largas e lados espelhados de visualidade imponente e convincente, com predominância de vermelhos e jeito de armadura. Mas tem também branco, preto, cinza e azul na cartela.












Rosa Chá por Alexandre Herchcovitch: essa não é situação de se esperar pelo que se convencionou chamar de moda praia. Outra vez, Alexandre engata cortejo desafiante, com alma de lingerie e fetiche explícito, ainda que sob a ambientação de um salão de dança e cores intensas iluminando o conjunto. É daí que saem os evasês curtos e pretos, e uma dinâmica da silhueta que sugere rodopios na pista de tacos que virou a passarela.

Os sutiãs de bojo meia-taça ganham áreas de transparência e são muito bonitos, como todas as outras peças em que o estilista adotou o recurso. Entretanto, o que a coleção tem de inusitado é o melhor. Caso dos recortes de bordados coloridos em meio às transparências pretas e vice-versa. Ou ainda, o body cor de carne, com linhas pretas marcando uma anatomia de articulação de boneco. Corpo estranho dentro dessa coleção abusada, e de qualidades lá no topo, são os comprimentos longos.





Moda masculina pode ter outro conceito segundo a Reserva, mas não é apenas bebendo no feminino que ela se transforma. Em meio a fortões de regata com estampa leopardo, flores e liberdades formais na modelagem de proporções modernas, o clima é de roupa para homens, pesando a mão na diferença de gênero com citações ao esporte, que ajuda a manter a testosterona no pico.

São os esportes que fornecem o repertório de recortes, cores e ajustes que modelam o corpão ideal, esculpido em atividades atléticas e mostrado sem exibicionismos agudos. A marca passou bem, com mixagem de elementos disparatados sob controle e apontando para novas direções. Esse é o típico desfile que você precisa conferir na versão loja. A Reserva está em crescimento em um segmento muito específico. Será interessante avaliar até onde ela está disposta a ir nessa trajetória que corteja o imprevisível.





Em desfile concorrido e exuberante, ambiciosa como sempre, a Cia Marítima trouxe a bela Manuela de Paula de volta ao SPFW para mostrar coleção de apelo étnico, com cores de deserto e água e algumas estampas animais. De melhor: os maiôs. A marca sabe como fazê-los bem e dentro do ecletismo que construiu como identidade. Vale tomar nota de biquínis com parte de baixo em tamanho mínimo. Pequeno mesmo.




Fotos: © Agência Fotosite
Eduardo Motta

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