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15 de jul. de 2021
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Setor têxtil deverá fechar o ano com saldo positivo de 35 mil empregos

Publicado em
15 de jul. de 2021

Na comparação entre os primeiros cinco meses de 2021 e do ano passado, a produção têxtil avançou 36,3%, a do vestuário, 36,6% e o varejo de roupas teve expansão de 26,2%. No primeiro semestre, as importações cresceram 44,27% e as exportações, 20,41%, em relação a igual período de 2020. Nos últimos 12 meses, tendo como referência maio, a produção têxtil aumentou 15,6%, a do vestuário caiu 1,6% e o varejo de roupas sofreu recuo de 3,9%. Os dados foram anunciados por Fernando Valente Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).


Balanço semestral do setor têxtil e de confecção sinaliza retomada e riscos - Ekaterina Grosheva / Unsplash


Pimentel explicou que as informações relativas ao acumulado de 12 meses são mais claras como indicadores do que a análise comparativa com 2020, quando os dados dos primeiros cinco meses estavam impactados pela eclosão da Covid-19, que derrubou o nível de atividade. Ele observou que a retomada do segmento têxtil está muito acima da verificada no vestuário porque as indústrias de tecido fornecem para outras setores como imobiliário, automotivo, saúde e cama, mesa e banho, sendo que algumas dessas áreas tiveram a demanda mantida ou menos afetada.

Nos últimos 12 meses, já contando com o período sazonal do final do ano, o setor apresentou saldo positivo de 74.657 postos formais de trabalho, sendo 45.331 referentes a este ano.

No primeiro semestre deste ano, as importações do setor têxtil e de confecção cresceram 44,27% e as exportações, 20,41%, em relação a igual período de 2020. Nos últimos 12 meses, o aumento acumulado foi de 20,28%. As exportações aumentaram 20,41%, na comparação com os primeiros seis meses de 2020 e 10,09% nos últimos 12 meses.

Embora haja pressões sobre seus custos de produção, a indústria têxtil e de confecção segue atualizando os preços de seus produtos em níveis muito inferiores ao da inflação, enfatizou o presidente da Abit. De janeiro a maio deste ano, o IPCA Geral foi de 3,22% e o do vestuário, 2%. Nos últimos 12 meses, já considerando os 0,53% de junho, o IPCA acumulado foi de 8,35%, ante 3,27% do setor.

Os números da evolução em 12 meses sugerem uma tendência de recuperação do setor, que também foi identificada na Pesquisa Conjuntural Abit/junho feita com empresários, na qual: 73% estimam produção acima do nível inicialmente esperado e 75% projetam aumento das vendas em patamar mais alto do que as previsões iniciais. Dado relevante é que apenas 2% dos entrevistados pretendem demitir trabalhadores.

Pimentel ressalvou que a expectativa de retomada precisa ser avaliada com cautela, considerando a persistência de alguns fatores preocupantes, como a continuidade da pandemia, o desemprego elevado, inflação acima da meta e o cenário político instável do País, que poderá prejudicar a tramitação das reformas, como a tributária e a administrativa.

Outro fator limitante é a crise hídrica, cujo mês mais preocupante deverá ser novembro e que já provocou aumento das contas de luz na faixa vermelha, impactando os custos.

"As indústrias têxteis e de confecção analisam planos de contingência, caso seja necessário racionalizar ou reduzir o consumo de eletricidade, embora não estejamos trabalhando com a perspectiva de racionamento", disse Pimentel, lembrando que 65% da energia consumida hoje pelo setor são de origem hidrelétrica. A Abit também está mantendo diálogo permanente com as autoridades do setor, avaliando as providências que possam ser adotadas.

Pimentel, revelou que o segmento têxtil tem receita estimada para sua produção este ano de R$ 57,5 bilhões e o de confecção, de R$ 146,6 bilhões, valores que representam crescimento, respectivamente, de 9,2% e 16,2%, em comparação com 2020. A soma de ambos resulta em receita total de R$ 204,1 bilhões. O setor deve continuar abrindo vagas até outubro/novembro, mas, após as demissões sazonais de dezembro, a estimativa é de que encerre 2021 com 35 mil novos postos de saldo, mantendo sua base de 1,5 milhão de trabalhadores diretos.

O segmento têxtil deverá produzir dois milhões de toneladas, 7,4% a mais do que no ano passado. A importação, com crescimento de 46,6%, está estimada em US$ 2,4 bilhões e a exportação, com aumento de 23,1%, em US$ 530,30 milhões, resultando em déficit de US$ 1,87 bilhão. No vestuário, a produção prevista é de 5,7 bilhões de peças, significando aumento de 13,56% em relação a 2020. A importação deverá ser de US$ 1 bilhão, significando valor 8,4% menor do que o de 2020. A exportação projetada é de U$S 130,2 milhões, o que representa aumento de 18,8%. O saldo comercial negativo deverá ser de US$ 869,80 milhões.

Considerando os números acima, o déficit comercial total do setor têxtil e de confecção deverá fechar o ano em US$ 1,87 bilhão.

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