Setor têxtil brasileiro é comparado ao italiano

O presidente da Câmara Nacional da Moda Italiana, Mario Boselli, atendeu ao Terra nesta quarta-feira logo após o desfile da estilista Elena Mirò, que abriu a Semana de Moda de Milão, com modelos bem acima do peso costumeiramente mostrado na passarela.



O simpático senhor falou com a reportagem entre uma pessoa que o cumprimentava e várias ligações no celular. Disse que não assistiria aos dois desfiles seguintes para atender ao cônsul do Paquistão, cujos estilistas desfilarão dia 30, quando termina o evento italiano.

Mario Boselli afirmou que a moda brasileira tem muito a ver com a italiana em relação a cadeia têxtil. "O Brasil tem muitos tecidos bons." Boselli disse ainda que gosta das cores da moda brasileira, mas não conhece pessoalmente nenhum estilista. Visitou a Daslu quando esteve em São Paulo. Para ele, a loja é um exemplo de grande magazine. Falou também sobre a crise, que atingiu a moda italiana e sobre modelos mais cheinhas na passarela.

O que o senhor conhece da moda brasileira?
Conheço e aprecio, sobretudo, a parte de praia, solar, com muitas cores. Não conheço nenhum estilista pessoalmente, mas sei que são muito bons, como têm mostrado as semanas de moda brasileiras. Conheci também a Daslu, quando estive em São Paulo. Me pareceu um exemplo de como uma loja se organiza para vender grandes marcas.

E sobre a cadeia têxtil do Brasil?
A moda brasileira tem uma cadeia têxtil muito parecida com a italiana, produzindo desde as fibras, passando pelos tecidos e chegando ao produto final. Hoje o Brasil tem tecidos de altíssima qualidade, por exemplo.

Como está a moda italiana com a crise?
Com a crise, a moda italiana está melhor que outros segmentos, mas eu nunca tinha vivenciado uma crise tão grande. Não é um problema da moda italiana, mas mundial, que repercutiu em toda a cadeia têxtil do país. Houve uma queda de 15% de faturamento no setor em geral, o que é muito para um segmento como esse.

Fale um pouco sobre o desfile que acabamos de ver, com modelos mais robustas na passarela.
Elena Mirò faz uma moda para pessoas com manequim maior, o que é muito bom, porque é preciso chamar a atenção para a anorexia dentro da moda, que é um problema muito sério. A Câmara Italiana de Moda firmou um acordo com os participantes da semana de moda para que não desfilem modelos com massa corporal inferior a 18. E todos têm respeitado o acordo.

Rosângela Espinossi
Direto de Milão

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