Semana de Moda de Nova York pode mudar de formato

Se 2015 foi movimentado na moda, 2016 promete ainda mais reviravoltas. O CFDA (Council of Fashion Designers of America), responsável pela organização da Semana de Moda de Nova York desde o ano passado, está estudando uma mudança radical no formato do evento para as próximas temporadas, decisão que vem na esteira de vários acontecimentos que se desdobraram ultimamente.

Diane von Fürstenberg - Verão 2016/17 - Foto: Agência Fotosite

O conselho, presidido por Diane von Fürstenberg acredita que a estrutura das apresentações de coleções está defasada e precisa ser revisitada, focando o consumidor final. Segundo a estilista, o esquema de mostrar os lançamentos com um semestre de antecedência só tem favorecido a indústria da cópia.

Além disso, graças às retransmissões ao vivo e mídias sociais, o consumidor deseja os produtos no momento em que os vê, ignorando temporadas e perdendo o interesse depois de seis meses de espera. 
 
Adaptada a essa realidade, a Moschino tem disponibilizado os lançamentos para o público imediatamente após os desfiles. Outras marcas optaram por pular o calendário internacional, como a Hunter, que anunciou que não desfilará em Londres para investir em festivais de música e eventos em suas lojas, buscando um contato direto com os consumidores finais.
 
Já a Givenchy abriu mais de 1000 lugares para o público assistir ao seu desfile verão 2016/17, na última Semana de Moda de Nova York. Quem vai também receber uma plateia integrada em até 50% de consumidores finais é Rebecca Minkoff, que em fevereiro não apresentará o inverno 2017, mas repetirá o desfile verão 2016/17 com algumas novidades que estarão nas lojas dentro de no máximo dois meses. 

Público durante o desfile de verão 2016/17 da Givenchy, em Nova York. - Foto: Agência Fotosite

Enquanto isso, Tom Ford, que na última temporada divulgou sua coleção em um vídeo, anunciou que irá trocar a apresentação em Nova York por uma exposição para a imprensa e compradores, sem mostrar a coleção antes que ela chegue de fato ao público.

Há marcas que estão ainda mais cuidadosas em relação à antecipação dos lançamentos: Proenza Schouler e The Row não pretendem liberar imagens de pre-fall 2017 até o lançamento nas lojas, nem mesmo nas redes sociais. Os cobiçados lookbooks serão mantidos em segredo.
 
A necessidade de ter mais peças e mais coleções em cada vez menos tempo é outra questão que se soma para a tomada de decisão a respeito da semana de moda. A velocidade imposta pela indústria e o calendário atual de desfiles têm incomodado estilistas de grandes marcas.
 
A pressão e falta de tempo para criar foram citadas por Raf Simons ao deixar a Dior, marca na qual era responsável por cerca de 10 desfiles por ano. Alber Elbaz saiu da Lanvin por divergências com a diretoria da casa dias depois de fazer um discurso na premiação do Fashion Group International, denunciando esses fatores.
 
Além deles, outros estilistas que resolveram se distanciar do corre-corre são Donna Karan, ao abandonar a direção criativa da marca que fundou, e Ralph Lauren, que deixou o posto de CEO da sua marca. Jonathan Saunders, ainda mais recentemente, resolveu fechar sua marca homônima

Elbaz apresentando o verão 2016/17 em Paris, seu último desfile como diretor criativo da Lanvin. - Foto: Agência Fotosite

Analisando estes e outros indicadores, o CFDA realizará em parceria com o Boston Consulting Group uma pesquisa no início de 2016 para compreender quais mudanças poderão ser implementadas, lembrando que a Semana de Moda de Nova York tem como tradição o foco maior em uma moda mais comercial e acessível.
 
Os próximos desfiles, que ocorrerão nos primeiros meses do ano, não sofrerão alterações. No entanto, a ideia para as temporadas seguintes é manter as datas de fevereiro e setembro, porém apresentando as coleções que estão nas lojas. Outra opção, ainda, é unir as semanas de moda masculinas e femininas, transferindo as atividades para janeiro e junho.
 
Para compradores, imprensa e profissionais, os lançamentos antecipados ocorrerão em eventos fechados em showroom. Como as possíveis mudanças impactarão de forma importante as próximas temporadas, estaremos atentos e acompanharemos o que virá a seguir.

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