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Semana da Moda de Londres: a moda como política contemporânea

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 19 de fev de 2019
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access_time 4 Minutos
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Semana da Moda de Londres - Carl Philipp Gottfried von Clausewitz, o teórico militar, notoriamente escreveu que a guerra era a continuação da política por outros meios. Às vezes a moda também é.


Vivienne Westwood - Outono-Inverno 2019 - Moda Feminina - Londres. - © PixelFormula


Veja esta temporada em Londres, e, principalmente, Vivienne Westwood, que se expressou com muita força com uma performance ecológica com um discurso do líder do Greenpeace, John Sauven. "Homo Loquax", que significa homem falante a, é o nome de sua mais recente coleção. E metade de seu elenco fez discursos politicamente carregados, incluindo Sauven.
 
Vivienne Westwood faz campanha há muito tempo para alertar as pessoas sobre os perigos do aquecimento global. Nesta temporada, ela assumiu seu compromisso em um outro nível, em um desfile lotado na Igreja de St. John, em Westminster. Mais de uma centena de ativistas de vários movimentos, do anti-fracking ao anti-Brexit, andaram com microfones de rosto proclamando sua mensagem.

"Anos de falta de ação provocaram uma crise para este mundo. Devemos agir agora. Esse sistema financeiro podre nos levou a um ponto de inflexão. Mas corporações petrolíferas como a BP estão felizes com isso", alertou John Sauven, vestido com terno cinza escuro Vivienne Westwood. Outro cavalheiro chamado Daniel Lismore, que usou um xale Comanche, disse que se uniu à Vivienne para arrecadar 100 milhões de dólares para combater o aquecimento global.
  
As roupas pareciam bastante secundárias. Mas, mesmo assim, muito boas: ternos ousados e casacos de tartan, smokings com as pernas desnudas e botas de cowboy de couro para os homens; bem como enormes casacos xadrez vermelhos com gola grossa e leggings e jaquetas fantásticas com imagens abstratas.

No final, Westwood percorreu a passagem elevada cantando a canção infantil "Round and Round the Village", enquanto as modelos desfilavam com cartazes, cartazes políticos e manifestos.


House of Holland - Outono-Inverno 2019 - Moda Feminina - Londres. - © PixelFormula

 
Uma geração mais jovem, Henry Holland protestou contra a construção de fronteiras. Theresa May disse uma vez que se você é um cidadão do mundo, você não é cidadão de lugar algum. Ela deveria dizer isso para Holland, cuja última coleção foi nomeada "Global Citizen".

Apresentada em uma passarela repleta de cartazes e manifestos políticos, foi uma proposta comercial acirrada, que sugeria que ser um globalista e não um vulgar nacionalista não era uma coisa ruim. Seu elenco multi-étnico parecia concordar, desfilando com um ar confiante, com peças Principe de Gales fluorescentes, blusas de algodão tie & dye cambojanas, saias devoré com babados e alguns fantásticos vestidos de festa de um ombro só com boinas de Che Guevara. Tudo ancorado por botas hiking Grenson, adornadas com mini-cintos Obi e laços de malha.

Apoiada por uma excelente trilha sonora de Nick Grimshaw, este foi uma proposta  corajosa do sempre otimista Henry Holland. "Imagine um globo sem cores, sem nomes, sem medidas, porque a vida não é medida por milhas", mencionava o programa do desfile.
 

Zilver - Outono-Inverno 2019 - Moda Feminina - Londres-© PixelFormula


O Brexit pode estar acontecendo, mas Londres continua atraindo muitos talentos estrangeiros. Uma grande marca atualmente em alta na capital britânica é a Zilver, a mais nova encarnação de Pedro Lourenço, um brasileiro prodígio que está amadurecendo e se tornando um grande designer.
 
Lourenço encenou seu desfile em um grande espaço, sob a Phonica, a melhor loja de LPs de colecionadores do Soho. Um desfile misto onde a energia de Londres se fundiu com a sensualidade fumegante de São Paulo, cidade natal de Pedro Lourenço.
 
Seus melhores looks: coletes western de dois tons; calças prateadas para os homens; jaquetas de ficção científica e casacos feitos para uma colônia intergaláctica. Para as mulheres, uma jaqueta de pele de carneiro brilhante transformada em um vestido; um mini vestido cheio de zíperes em tecido de pára-quedas e um macacão reconstruído em material semelhante. Roupas com atitude, mas muito usáveis.
 
Pedro nomeou a coleção de "Clássicos do Futuro", mas deveria ter sido nomeado "Ultima Thule chic".
  
Por fim, a capacidade de Londres de influenciar mentes ficou evidente no notável desfile de Erdem Moralioglu.


Erdem -- Outono-Inverno 2019 - Moda Feminina - Londres. - © PixelFormula

 
A inspiração foi inteligente nesta temporada: a famosa princesa romana Orietta Doria Pogson Pamphilj, uma corajosa anti-fascista, que foi impedida de ir à escola por causa de suas crenças. Ela morou no Reino Unido nos anos 60 e levou a Swinging London quando retornou à Roma para assumir sua herança, uma das maiores propriedades aristocráticas da Itália, uma mansão de 1.000 quartos na Via Del Corso, a rua principal da cidade antiga.
 
O resultado foi uma bela exibição de vestidos extravagantes de jacquard; ternos de corte brilhante, bordados com pérolas e pedras, e vestidos aristocráticos acinturados.
 
A alta costura é, estritamente falando, um fenômeno francês. No entanto, era o termo apropriado para descrever essa impressionante coleção opulenta e sedutora da Erdem. E um exemplo de moda que expressa uma opinião político-cultural de tolerância, compreensão e abertura. Muito bem-vinda, considerando os tempos em que vivemos

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