SPFW: balanço 4° dia

A seguir, o balanço do 4º dia. Design do automobilismo, Kustom Kulture, Alta-costura dos anos 1960 e estética da contracultura pop. A seguir, o balanço do 4º dia.


Design do automobilismo, Kustom Kulture, Alta-costura dos anos 1960 e estética da contracultura pop. Essa lista de referências está no release de Reinaldo Lourenço, e é o que o desfile apresenta. O que a lista não fala é de como a virilidade do design de carros se une à Alta-costura e com os anos 1960. E nem explica como é que, com toda a discrepância entre uma e outra, a coleção funcionou tão bem. O estilista conseguiu mixar sem fundir. A partir desse princípio, justapôs materiais armados e fluídos, transparência e opacidade, p&b e cor, linhas e formas, geométricas e dinâmicas, com delicada textura de rosas construída no tecido translúcido. Qualquer comentário a respeito da roupa de Reinaldo Lourenço já parte de outro patamar. Mas fica o registro: apesar dos momentos inspirados e da excelência técnica, o repertório de modelagem passou curto e repetitivo.



Sobre o tema “Estruturas Têxteis”, Jefferson Kulig exercitou veia investigativa e aproveitou para encampar o projeto de brasilidade da SPFW com bandeira nacional e araras. Faltou imaginação para compor silhuetas melhores, mas, como quem não arrisca não petisca, no vai e vem das experimentações ele acerta aqui e ali, fazendo valer o que tem de melhor: a coragem de embarcar em ideias autorais.



Desfile bonito o da Animale. Aberto para o parque da Ibirapuera, deixou a luz natural entrar. A ideia anunciada era falar de simplicidade estética. Bem, não foi exatamente isso o que aconteceu, mas o que passou, passou muito bem. Um voluptuoso desdobramento de formas e recortes, enquadrados por linhas esportivas e experimentações têxteis bem-sucedidas. Mais um acerto de Priscilla Darolt em parceria com Marta Ciribelli. Feio mesmo só a luz de passarela que maltratou as garotas sem piedade.





Não são propostas novas as que circularam pela passarela, são daquelas que apenas parecem ser. A estilista portuguesa Ana Salazar trouxe ideia de “Work in Progress” conduzindo uma coleção de assimetrias em transparências, cortes vazados e desconstruções. A obra em progresso vem daí, desses procedimentos desagregadores da forma, que deixam a roupa com jeito de coisa inacabada. Tem bons momentos na junção da alfaiataria com a seda fluída, e nos zíperes em espiral.



Também estreante na SPFW, Adriana Degreas elevou a temperatura do luxo na moda praia. O resultado dessa coleção anunciada como inspirada em pool parties é no mínimo curioso. A estilista parte da lingerie e da alta costura para desfilar ideias interessantes. É o caso do maiô/body cor-da-pele recoberto de arabescos pretos e dos conjuntos de top meia-taça e hotpant, também quase invisíveis pela cor. Só patina nos volumões couture, pouco à vontade na circunstância. Muito bacana ver Shirley Mallman outra vez na passarela, que ainda teve Eva Herzigova. Revival anos 1990 total.



Lino Villaventura fechou o 4° dia com a exuberância usual, esbanjando vitalidade e oferecendo um banquete de imagens contagiantes. No completo domínio do metier, o estilista tem repertório e instrumental para desarticular a modelagem e proporções sem perder a mão. O resultado é de um colorido impagável. Se a ideia era concretizar imagens novas para a sensualidade, ele conseguiu com uma irreverência que fez bem para a saúde tipo luxo do estilo dele. Observe a importância dos acessórios, alguns de styling, como os turbantes, e as meias, se é que podem ser chamadas assim, e até mesmo as pulseiras, todos eles fundamentais para o conjunto. Funcionam como extensões e não como adereços apenas, amplificando efeitos e enchendo a passarela. O estilista sabe o que faz.



Fotos: © Agência Fotosite
Eduardo Motta

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