SPFW: Balanço 4º dia

4º dia denso, com marcas “cerebrais” em sequência inédita. Uma atrás da outra, Huis Clos, Maria Bonita e Ronaldo Fraga, em grandes apresentações, mantiveram o senso de qualidade nas alturas. Logo depois, porção concentrada de testosterona com o masculino da V.Rom e da Reserva, esta com Lobão ao vivo

Huis Clos


Com assinatura de Sara Kawasaki e supervisão de Clô Orozco, Huis Clos voltou ao line-up da SPFW trazendo a maior parte do casting escondida atrás de máscaras. Para traduzir o “universo complexo da alma feminina”, adotou a modelagem esportiva como base e partiu para uma interpretação densa e noturna do tema. A coleção exibiu grandes volumes nas mangas, formas amplas nas calças, rendas negras e imagens de moda de grande força poética.  


 



Maria Bonita

Uma visão humana da construção e fundação de Brasília alimentou o desenvolvimento da coleção Maria Bonita. O resultado foi contado ao som da voz de Chico Buarque, juntando candangos e Athos Bulcão, e fundindo acessórios e roupas em coleção marcada por texturas e exercício de modelagem. 


 




Ronaldo Fraga


No 4º dia de SPFW, Ronaldo Fraga aliviou no espetáculo: sala reduzida, cenografia de execução complexa, mas discreta, deixando tudo para a roupa. Usufruiu da obra do brasileiro Athos Bulcão, conhecido pelo trabalho soberbo com os azulejos que revestem boa parte da arquitetura modernista brasileira. Ronaldo vai mais fundo do quer o artista completo e amplia o universo conhecido dele com estampas e vazados, dividindo a superfície da roupa em partes, em camadas, em texturas e em cores. Assim como a gravura é sobre o papel, a pintura é sobre a tela e os azulejos são sobre a arquitetura; os padrões visuais, brilhos, rugosidades, transparências e outros mistérios têxteis se impõem como uma pele sobre os volumes criados pela modelagem de saias longas e muitos vestidos. É uma roupa epidérmica esta.  


 




V. Rom
Materiais e modelagem que se decompõe e se recombinam, em função do tempo que passa e de inúmeras viagens ao redor do planeta. Para dar forma à saga do seu homem aventureiro, V. Rom anunciou casting masculino eclético, o que juntou filas femininas na porta do desfile. De abotinados pesados Rainha, e vestindo bermuda em grande parte da edição, os rapazes usavam casacos folgados sobre blusas idem, enquanto a modelagem enveredava por interrupções bruscas no corte, encurtando jaquetas e outras peças, e por volumes aparentemente aleatórios. As calças são curtas e há bastante justaposição de padrões e texturas, entre xadrezes e manchados, disparando várias informações visuais ao mesmo tempo. 


 




 Reserva


Última a desfilar, Reserva avisou que iria anarquizar o preep norte-americano. Cumpriu ao pé da letra, transformando bons moços em garotos rebeldes e fumantes, que cruzaram a passarela ao som pesado de Lobão e banda ao vivo e a cores na SPFW. A ideia rende bons momentos nas calças baixas. Alguns casacos e tricôs longos e escorrega nos padrões e cores, em misturas mal comportadas de vinho e bege e difíceis paletós xadrezes. Valeu pela energia anárquica da apresentação e pelo impagável Lobão, em fechamento rock and roll que estremeceu o 4º dia de desfiles.


 



Fotos: © Agência Fotosite
Eduardo Motta

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