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AFP
Traduzido por
Novello Dariella
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23 de mar. de 2022
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Rússia proíbe Facebook e Instagram por 'extremismo'

Por
AFP
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
23 de mar. de 2022

Um tribunal russo baniu na segunda-feira (21) os gigantes das redes sociais Facebook e Instagram por "extremismo", uma medida que faz parte do esforço de Moscou para controlar totalmente as informações digitais em meio à repressão à Ucrânia. "O tribunal satisfez uma ação movida pelo primeiro vice-procurador-geral contra a holding Meta Platforms Inc. para proibir suas atividades em território russo", sentenciou o tribunal.


Sede da Meta em Menlo Park, Califórnia, em 28 de outubro de 2021. - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Archives - JUSTIN SULLIVAN


Portanto, o Facebook e o Instagram, de propriedade da Meta, estão "proibidos devido a atividades extremistas", acrescentou o tribunal em um comunicado publicado no Telegram. Essa proibição não afeta o aplicativo de mensagens WhatsApp, também de propriedade da Meta, uma vez que o tribunal considera que ele não é utilizado como meio de “difusão pública de informações".

Facebook e Instagram (este último especialmente popular na Rússia) são as últimas vítimas da recuperação do controle de informações que as autoridades russas aceleraram após o início da operação militar na Ucrânia em 24 de fevereiro.

Essas duas redes sociais já estavam bloqueadas há vários dias, assim como o Twitter e os sites da maioria dos meios de comunicação russos independentes. A única maneira de acessá-los é por meio de uma rede privada virtual (VPN).


Vida dificultada



Uma notícia descrita como "horrível, estranha e terrível" por Maxime, 30, gerente de uma marca de roupas e entrevistado em Moscou, que aponta que "todos os progressistas que trazem um benefício econômico usam o Facebook e o Instagram" na Rússia.

Margarita, uma arquiteta de 32 anos, acredita que os russos encontrarão formas de contornar essa decisão. "Não vai mudar nada, vai simplesmente dificultar nossas vidas. Isso mostra mais uma vez até que ponto as autoridades não se importam com as pessoas comuns", disse.

Em 11 de março, as autoridades russas pediram para classificar a Meta como uma organização "extremista" depois de acusá-la de ter relaxado seus regulamentos para permitir a publicação de mensagens violentas contra militares e líderes russos como resultado da operação militar de Moscou na Ucrânia.

Na segunda-feira, no tribunal, a promotoria reiterou esse pedido, considerando que a Meta havia justificado "ações terroristas" e queria incitar "ódio e inimizade" aos russos.

Os serviços de segurança russos (FSB) também exigiram a proibição "imediata" do Facebook e do Instagram. "As atividades do Meta são direcionadas contra a Rússia e suas forças armadas", disse o porta-voz do FSB, Igor Kovalevsky, na audiência.


YouTube na mira do governo russo



De acordo com a agência de notícias russa TASS, um representante da Meta testemunhou no tribunal na segunda-feira e disse que a empresa havia mudado suas regras para proibir "russofobia e apelos à violência". Desde o início da intervenção russa na Ucrânia em 24 de fevereiro, o governo russo reforçou consideravelmente seu controle sobre as informações na Internet, um dos últimos resquícios da liberdade de expressão no país.

O bloqueio e a proibição do Facebook, mas especialmente do Instagram, é um duro golpe para muitos cidadãos que usavam essas redes sociais não apenas para diversão, mas também para negócios.

Quer se trate de roupas, móveis, massagens ou cursos de idiomas, o Instagram é uma ferramenta de vendas digital crucial para muitas empresas russas, bem como artistas, que confiam nesta plataforma para aumentar sua visibilidade na Rússia e no exterior, e encontrar clientes.

As proibições impostas ao Facebook e ao Instagram também provavelmente terão impacto nos movimentos de oposição, que, banidos pela grande mídia controlada pelo Kremlin, costumam fazer publicações por meio dessas plataformas.

A tendência pode continuar. Na semana passada, o regulador de telecomunicações da Rússia, Roskomnadzor, acusou a gigante americana Google e seu serviço de vídeo YouTube de atividades "terroristas", o primeiro passo para um possível bloqueio.

Continuando com o objetivo de controlar a informação, no início de março as autoridades introduziram dois novos crimes: um por divulgar informações que "desacreditam" o exército russo e outro por divulgar informações "falsas" sobre as tropas russas.

Este último crime prevê penas de até 15 anos de prisão e preocupa particularmente os opositores e a mídia independente, que temem ser perseguidos por qualquer crítica à ofensiva. Ao menos três pessoas que já haviam publicado mensagens contra o conflito na internet estão sendo processadas por esse motivo.

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