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Riccardo Tortato: “Procure aquele que não estiver de terno – é ele o chefe”

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
today 14 de dez de 2017
Tempo de leitura
access_time 4 Minutos
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Riccardo Tortato, responsável pelo comércio eletrônico e diretor de moda masculina nos armazéns premium TSUM e DLT, dá a sua opinião acerca do pouco conhecido mundo das tendências da moda masculina russa, em conversa com a FashionNetwork.com



FashionNetwork.com: O que encontrou no departamento de moda masculina da Tsum quando chegou?
Riccardo Tortato: Comecei por ser – e continuo a ser – responsável pelo comércio eletrônico, e o proprietário pediu que me tornasse também responsável por todos os negócios masculinos. O departamento de moda masculina estava muito, muito diferente. Encontrei uma boa variedade de escolha, mas faltavam muitas marcas jovens. A minha ideia foi desenvolver a parte informal do negócio. Tinha o pressentimento, que se confirmou, de que a moda masculina estava indo em outra direção. O terno já não era um símbolo de sucesso. Os homens queriam estar mais confortáveis.

FNW: Qual é a diferença entre os homens russos e os europeus em termos de como se vestem?
RT: Russos ou moscovitas? Há uma grande diferença entre Moscovo e o resto da Rússia. Mas, não encontro diferenças entre os típicos clientes de Moscovo e os clientes europeus ou americanos. A um certo nível, obviamente. Talvez os americanos sejam mais esportivos e mais interessados em easy wear, mas no geral não existe uma grande diferença. Nunca quis ter um ponto de vista russo, caso contrário eles não teriam ido buscar alguém nascido em Itália e morando em Nova Iorque. A minha abordagem é realmente global. Estamos em 2017. Diferenciar entre um lugar e outro é um pouco anacrónico. Obviamente, cada mercado tem as suas próprias especificidades. Mesmo entre França e Itália há diferenças, ou entre um inglês e um alemão. A diferença tem a ver com o DNA das pessoas e do país. E os russos viajam muito. Então, para alguém que viaja muito, vê lugares diferentes, é bom encontrar coisas semelhantes no seu país. É como com os restaurantes. Aqui há muitos bons restaurantes, porque quando voltam de Paris ou outras cidades, as pessoas querem comer o mesmo que no estrangeiro. Com a moda acontece o mesmo. Na verdade, é ainda mais competitivo do que em muitos outros lugares. Eles também têm um bom poder de compra e são clientes mimados, no bom sentido – sabem o que querem.



FNW: Mas, se ainda existem diferenças no DNA das pessoas, há marcas que vendem melhor na Rússia? Por exemplo, o estereótipo do russo de aparência severa, que quer vestir Brioni? 
RT: Não, já não é assim. Isso provavelmente seria correto há alguns anos. Não podemos dizer que todos os russos usam Brioni, porque se assim fosse a Brioni seria a maior parte dos nossos negócios e isso não é verdade, ainda que seja uma marca com bons resultados. Há outras que também funcionam bem: Valentino, Stone Island, Dolce & Gabbana, Dsquared. A Givenchy é uma das marcas com melhores resultados. Loro Piana é uma marca que funciona bem, se estivermos falando de pessoas ricas e com classe. O terno já não é sinónimo de riqueza. Aqui não é assim, nem em Nova Iorque. Se olhar para as pessoas realmente poderosas de Wall Steet, elas não usam ternos. Se for a um banco de investimentos nos Estados Unidos e quiser perceber quem é quem, procure aquele que não estiver de terno – é ele o chefe. Eu nunca vi, por exemplo, [Roman] Abramovich de terno.

FNW: Que marcas trouxe para a Tsum?
RT: 37 marcas. Off-White, NikeLab, Yeezy, Watanabe, Yohji, Sacai. Faltava muito esta parte [este tipo de marcas].
 
FNW: Em que consiste o espaço 'On_Tsum', que criou recentemente?
RT: Eu queria um espaço para comprar produtos exclusivos e ouvir música muito boa. São cerca de 200 metros quadrados de área. É um local muito sofisticado. É difícil reparar em certas coisas, elas sentem-se, mas não se percebem. Por exemplo, as luzes são completamente diferentes de qualquer local da Tsum. Não há espelhos, porque eu queria uma iluminação de museu para expor os produtos. Para 99% destes itens, só existem 2-3 [disponíveis]; de muitos existe apenas um.

FNW: Atualmente, o departamento de moda masculina da Tsum tem tudo?
RT: Sim. Não falta nada. Tenho tudo o que queria ter.
 
FNW: Quais são os seus planos para o futuro da moda masculina na Tsum?
RT: Em primeiro lugar, sou responsável pelo comércio eletrônico. É nesta área onde temos muito por fazer e onde concentro grande parte da minha energia. Se falarmos sobre a seção masculina – ainda há muito trabalho a fazer. É como se eu tivesse pego num bloco de mármore e tivesse começado a escultura. Antes existia um bloco de mármore, agora existe uma escultura. Agora, eu tenho que decorar e torná-la mais suave. Mas, o bloco principal ainda está lá.

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