Reestruturação da Arcadia, proprietária da Topshop, pode implicar em muitas demissões

O varejo britânico, que já vem enfrentando dificuldades há algum tempo, sofreu outro revés ao ser informado que Arcadia, um dos principais empregadores da indústria da moda no Reino Unido e proprietário da Topshop, entre outras marcas, planeja realizar uma reestruturação drástica que irá contemplar o fechamento de muitas lojas e o corte de muitos empregos.


- Foto : Shutterstock

A empresa britânica informou que o proprietário da Arcadia, Sir Philip Green, está trabalhando junto com seus assessores em uma proposta de acordo voluntário de empresa (CVA, em inglês), uma medida de insolvência, que deve ser apresentada aos credores no próximo mês.

Se ela conseguir obter o apoio de seus credores, incluindo proprietários e o Fundo de Proteção de Pensões, a reestruturação irá resultar em perdas significativas para um dos maiores nomes do varejo no Reino Unido, após um ano difícil para o setor.

A Arcadia, que engloba as marcas Topshop, Topman, Miss Selfridge, Burton e Dorothy Perkins, emprega mais de 20.000 pessoas no Reino Unido e conta com uma rede mais de 1.500 lojas e concessões.

No início do ano, a empresa contratou consultores para analisar sua rede de lojas considerando as condições difíceis do mercado no Reino Unido. De acordo com a imprensa local, espera-se que as negociações formais com os proprietários comecem nas próximas semanas e afetem mais algumas marcas do grupo do que outras.

O império comercial de Philip Green tenta se proteger das pressões que levaram à falência de outros varejistas de moda nos últimos anos, como LK Bennett, House of Fraser, Mothercare e New Look. Debenhams também considerou a possibilidade de apresentar uma proposta de CVA, e a Marks & Spencer irá fechar gradualmente mais de 100 lojas até 2022, implicando no corte de mais de 1.000 empregos.

Todas as opções estão sendo estudadas

O CVA da Arcadia teria que ser aprovado pelos credores e pelo Regulador de Pensões; e este último é quem irá aprovar a proposta desde que a reestruturação melhore a capacidade da Arcadia de cumprir suas obrigações em termos de contribuição às aposentadorias.

De acordo com documentos publicados em 2017, o déficit previdenciário do grupo atingiu mais de 565 milhões de libras esterlinas (quase 665 milhões de euros). A reestruturação, que deve ser começar no final de abril ou início de maio, pode incluir um programa acelerado de fechamento de lojas ou injeção de capital.

Além da infeliz combinação de aumento de custos e menor gasto do consumidor, o grupo Arcadia foi afetado por um escândalo de assédio sexual envolvendo Philip Green e vários funcionários do escritório central, o que levou à deterioração da imagem da Topshop no mercado, de acordo com um relatório YouGov.

No passado, o empresário também foi acusado de tirar proveito do colapso da loja de departamentos BHS, o que provocou a perda de 11.000 empregos e um déficit previdenciário de 571 milhões de libras em 2016. Philip Green concordou em pagar 363 milhões de libras ao fundo da BHS um ano depois.

Em janeiro do ano passado, a Arcadia nomeou Andy Harding como diretor digital provisório, em substituição a Simon Pritchard, que deixou a empresa este mês.

Traduzido por Novello Dariella

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