Raf Simons: reviver o punk rock num verão monárquico

Raf Simons apresentou um desfile muito punk no primeira dia da Semana da Moda masculina de Paris, numa garagem escura e decadente numa rua decrépita num subúrbio distante ao norte da cidade.


Raf Simons primavera-verão 2019 Moda Masculina - Photo: PixelFormula

Parecia que Raf nos tinha transportado até à Bélgica, embora o seu destino final fossem os meados dos anos 70, no Reino Unido, a rebelião punk e uma época na qual os Sex Pistols deixavam os tabloides ingleses loucos ao assinarem o seu contrato discográfico no exterior do Palácio de Buckingham.

O espaço foi decorado como um clube noturno londrino de estilo retro, com manequins pendurados no teto, colocados diante de gigantescos espelhos dourados ou sem roupa e rodeados por múltiplos lasers. Havia também gigantescas fotografias preto e branco dos primeiros punk rockers, com alfinetes de ama e mini correntes nas bochechas, os cabelos raspados de lado ou com cortes de moicano. As mesmas fotos apareceram em t-shirts oversized com mini-ilhós como acabamentos. Em termos de alfaiataria, Raf optou por casacos oversized, os seu favoritos, finalizados com mini-bolas e pérolas de imitação e feitos em cetim em maravilhosos tons verdes, rosas e dourados. E eram usados sobre uma série selvagem de t-shirts oversized desleixadas de Lurex - excelentes para sair à noite. Todos o tecidos pareciam emprestados da alta costura feminina, exceto o jersey e alguma alfaiataria masculina. Também se detectaram algumas referências às formas de Jean Royère, designer de móveis francês de meados do século, e “flashbacks” para os desfiles anteriores de Raf, com pacotes six packs prateados, e cotas de malha em referência a Paco Rabanne.
 
Todos os looks acompanhados por pesadas botas de plataforma e calças muito justas, num renascer artístico de uma época mais rebelde. Em comparação, os millennials pareciam quase sedados.

“Burlesco. Pegar em ideias e colocá-las em contextos e vocabulários inesperados. Como Yves Saint Laurent, quando fazia aquelas incríveis combinações de cores. Aquele momento em que o punk se transforma em New Wave, mas sem os ingredientes típicos, como tachas e couro preto”, disse Simons no backstage, após ser parabenizado por Jonathan Anderson, Kim Jones e Naomi Campbell.

Depois de um desfile no qual um em cada dois looks incluía um casaco oversized, Simons argumentou que “precisamos de uma nova silhueta, já vimos muitos sweats de capuz com estampados. Não acho que seja um regresso, mas sim um reflexo do nosso tempo: narcisista e feminino. Podemos ver como todos estabelecem o seu próprio diálogo com o mundo através dos novos médias. Portanto, as três palavras-chave são: performance, transformação e clubbers.”
 
Sem esquecer o punk muito rebelde. É difícil lembrar, neste verão de amor pela família real inglesa e Meghan Markle, que houve uma altura em que uma grande parte da juventude europeia entoou a mais famosa das músicas dos Sex Pistols, God Save The Queen, cujas palavras "the fascist regime" ou "she ain't no humain being" ("o regime fascista" e "ela não é humana") foram cantadas pela primeira vez durante o ano jubilar da rainha, em 1975, outra festa de amor monárquico, celebrada há quatro décadas, no auge do punk.

Traduzido por Estela Ataíde

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