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14 de jun. de 2018
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Professor avalia impacto desta Copa do Mundo no varejo

Publicado em
14 de jun. de 2018

Nas vitrines, grandes grifes ou pequenas marcas já exibem o verde amarelo com produtos lançados especialmente para a Copa. Bares, restaurantes e hotéis também já anunciaram promoções, drinques e pratos para animar o consumidor durante o Mundial. Mas o brasileiro parece ainda tímido diante da competição que começa nesta quinta-feira. Conversamos com o professor do MBA em Varejo da FGV Juedir Teixeira sobre o impacto no varejo dos Jogos da Rússia. Confira o bate-papo: 

FASHION NETWORK: Como o senhor vê a movimentação do comércio para esta Copa?

Juedir Teixeira: Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 24% das famílias brasileiras têm intensão de consumir produtos relacionados à Copa do Mundo. Esse percentual representa a metade da intenção de consumo as véspera da copa de 2014 (50,1%), que foi realizada no Brasil. Um termômetro do consumo desse tipo de produtos é a Saara no Rio de Janeiro (maior shopping a céu aberto do Brasil), onde as vendas vêm crescendo bastante na última semana. Longe do movimento das Copas de 2006, 2010 e 2014, mas os lojistas estão com boas expectativas.


A Tufi Duek convidou as influenciadoras Roberta Ferraz, Saide Mattar e Carol Assad para posarem com as camisetas criadas pela grife para o Mundial - Divulgação



Ainda não vemos nas ruas tantas manifestações dos torcedores com relação a este Mundial. O desânimo aparente tem se refletido nas vendas? 

Juedir Teixeira: Realmente o desânimo e a baixa estima da população estão refletindo diretamente no resultado das vendas. Mas, pelo movimento da última semana, como eu disse anteriormente, existe uma tendência de recuperação. Quem tiver estoque, pode aproveitar a oportunidade, o que não recomendo é comprar novo estoque. Se o Brasil for bem no primeiro jogo, pode melhorar o ânimo da população e, com isso, melhorar as vendas.

A apropriação política da camisa da seleção foi um gol contra para o comércio? Fica mais difícil vender peças inspiradas nas cores da bandeira?

Juedir Teixeira: Não tenho como avaliar qual o impacto deste fator nas vendas do comércio. Entendo que a baixa estima da população com tudo que está acontecendo no Brasil, o desemprego e a crise em geral certamente afetaram as vendas. A política afetou diretamente, mas o uso politico da camisa da seleção, não entendo que tenha afetado tanto. As pessoas continuam gostando do Brasil. Não gostam dos políticos. Os políticos não representam o Brasil.


A.Niemeyer criou uma coleção especial para Shop2gether - Divulgação


Em termos de tíquete médio, comportamento do consumidor, o que podemos esperar durante os Jogos?

Juedir Teixeira: 
A Pesquisa da CNC constatou que a maioria (51,6%) daqueles que pretendem consumir deve gastar o mínimo de R$ 200, sendo que 39,2% declaram a intenção de consumir mais de R$ 300. O brasileiro não desiste nunca. Como o desânimo está tomando conta (o que não podemos permitir), ele deixa para cima da hora, mas acaba consumindo, não nos níveis anteriormente vistos, mas vai melhorar o consumo durante a Copa.

Quais os impactos para a economia pela paralisação para os jogos?

Juedir Teixeira: Como alguns segmentos serão prejudicados e outros serão favorecidos, entendo que o resultado da Copa para o varejo será positivo. Se a seleção for bem nos primeiros jogos, aumenta a alto-estima das pessoas e, como o varejo depende da motivação do consumidor, isso pode impactar diretamente nas vendas. É o que espero.

Da última Copa para cá, o que mudou em termos de estratégia de vendas? 

Juedir Teixeira: Mudou tudo ou praticamente tudo no varejo. O varejo tem passado por rápidas e profundas transformações e, nos últimos quatro anos, as mudanças foram muito extensas, principalmente no comportamento do consumidor mundial com relação à exigência de uma melhor experiência de compra e do brasileiro em particular, que passou também  a valorizar muito mais o dinheiro. Mesmo quem tem dinheiro, está mais cauteloso na hora de consumir. Isso impacta diretamente nas vendas e na necessidade de mudança no processo de gestão das empresas varejistas, para enfrentar esses e tantos outros desafios.

Em função das tendências mundiais do varejo, o varejo brasileiro enfrenta neste mundial e em todos os dias, três grandes desafios: Melhorar todo o processo de gestão para aumentar a produtividade e tornar o seu negócio mais competitivo; Melhorar a experiência de compra do cliente para que ele sinta vontade de ir até a loja; Operar em todos os canais para que o cliente possa comprar em qualquer horário e em qualquer lugar, sem a necessidade de ir até a loja.  

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