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Reuters
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
11 de nov. de 2021
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Problemas na cadeia de abastecimento da Ásia levam varejistas aos Bálcãs e à América Latina

Por
Reuters
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
11 de nov. de 2021

Grandes empresas de moda e calçados estão deslocando suas produções para países mais próximos de suas lojas nos Estados Unidos e Europa, devido aos problemas nas cadeias de abastecimento asiáticas gerados pelos novos surtos da variante Delta de Covid-19 em países como Vietnã e China, cujas fábricas fecharam por semanas a fio nos últimos meses. As mudanças ocorrem em um cenário de longos atrasos nas remessas que estão gerando aumento nos preços e forçando as empresas a repensar suas cadeias de suprimentos globais e centros de produtivos de baixo custo na Ásia.


Photo: Shutterstock


O exemplo mais recente é a varejista de moda espanhola Mango, que disse à Reuters no dia 5 de novembro que "acelerou" sua produção local em países como Turquia, Marrocos e Portugal. Em 2019, a empresa adquiriu em grande parte seus produtos da China e do Vietnã. Mango disse à Reuters que expandirá "consideravelmente" o número de unidades fabricadas na Europa em 2022.

Da mesma forma, a varejista norte-americana dos Estados Unidos, Steve Madden, disse na quarta-feira (10) que reduziu a produção no Vietnã e transferiu 50% de sua produção da China para o Brasil e o México, enquanto o fabricante de calçados de borracha, Crocs, disse no mês passado que iria transferir sua produção para outros países como como Indonésia e Bósnia.

Bulgária, Ucrânia, Romênia, República Tcheca, Marrocos e Turquia foram alguns dos países que despertaram interesse por parte dos produtores de roupas e calçados, embora a China continue produzindo grande parte das roupas para cadeias de moda americanas e europeias.

"Estamos vendo um grande crescimento na atividade de fretes e transporte terrestre nas antigas repúblicas soviéticas...um grande aumento na Hungria e na Romênia", disse Barry Conlon, CEO da Overhaul, uma empresa de gerenciamento de riscos de cadeia de suprimentos.

Na Turquia, as exportações de vestuário devem chegar a 20 bilhões de dólares este ano, um recorde histórico, impulsionado por um aumento nos pedidos da União Europeia, conforme dados do Conselho de Indumentária e Vestuário da União de Câmaras da Turquia. Em 2020, as exportações totalizaram 17 bilhões de dólares.

Na Bósnia e Herzegovina, as exportações de têxteis, couro e calçados totalizaram 739,56 milhões de marcos (436,65 milhões de dólares) no primeiro semestre de 2021, mais do que em todo o ano de 2020.

"Muitas empresas na União Europeia, que é a nossa parceiro comercial mais importante, procuram novos fornecedores e novas cadeias de abastecimento no mercado dos Balcãs", disse o professor Muris Pozderac, secretário da associação de têxteis, vestuário, couro e calçado da Bósnia e Herzegovina.

Na Guatemala, onde a Nordstrom mudou significativamente o volume de produção de sua marca própria em 2020, as exportações de roupas ultrapassaram 1 bilhão de dólares no final de agosto deste ano, 34,2% a mais que em 2020 e 8,8% a mais que em 2019.

Deve-se observar que muitas empresas também dependem fortemente do Vietnã, onde recentes paralisações de produção causaram interrupções significativas. O governo vietnamita disse em outubro que não cumprirá a sua meta de exportação de vestuário neste ano, com um total de 5 bilhões de dólares no pior cenário, devido aos impactos das restrições geradas pelo coronavírus e à escassez de trabalhadores.

As inspeções de fábricas no Vietnã, um importante fornecedor de pedidos de manufatura dos varejistas, caíram 40% no terceiro trimestre em comparação com o segundo trimestre, com a produção durante esses meses mudando rapidamente para Bangladesh, Índia e Camboja. As taxas de inspeção no Vietnã mantiveram-se em níveis ainda mais baixos no quarto trimestre, com uma pequena recuperação observada no final de outubro, disse Mathieu Labasse, vice-presidente da QIMA, uma empresa de auditoria e garantia de qualidade da cadeia de suprimentos que representa mais de 15.000 marcas.

A fabricante de roupas VF Corp e a fabricante de equipamentos para atividades ao ar livre Columbia Sportswear foram duas das empresas que alertaram sobre atrasos nas coleções de outono e primavera e, em alguns casos, sortimentos de tamanhos insuficientes.

A fabricante de bolsas da Michael Kors, Capri Holdings, disse na quarta-feira (10) que não terá os estoques desejados para as festas de fim de ano, enquanto a fabricante de roupas esportivas Under Armour informou na terça-feira (9) que cancelará os pedidos de compra do Vietnã apenas para ajudar "as fábricas a operarem novamente e obterem o máximo de desempenho".

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