Portugal: Retrospectiva para a moda

A crise econômica que teve início no final de 2008 marcou, definitivamente, 2009, quer ao nível dos consumidores, quer ao nível das decisões de negócio das empresas. Mas enquando muitos se mostraram reticentes, outros arriscaram e apostaram em crescer.


Um longo horizonte para 2010


Logo em janeiro, antes da Semana de Moda de Nova Iorque, as notícias davam conta da desistência de alguns nomes conhecidos como as marcas de vestuário Betsey Johnson e Carmen Marc Valvo, que se seguiam à já anunciada desistência de Vera Wang e Donna Karan. No entanto, Tommy Hilfiger regressou, depois de três anos de ausência.

Uma tendência seguida nas passarelas de Paris, onde as menores marcas não participaram no evento, mas onde Felipe Oliveira Baptista voltou a brilhar, tal como aconteceu em Outubro na sua estreia na Semana de Prêt-à-Porter.

Milão mostrou merecer o título de Capital de Moda, com uma Semana de Moda onde a audácia e a criatividade mostraram cartão vermelho à crise, com grandes nomes como Bottega Veneta e Roberto Cavalli a brilharem.

Já nas feiras, o grande certame dedicado aos têxteis-lar marcou o sucesso das empresas portuguesas. Na Heimtextil estiveram presentes 70 empresas nacionais, 30 das quais no segmento Premium, além do Fórum de Tendências apoiado pela Associação Selectiva Moda, que atraiu a atenção da imprensa internacional. A Bread&Butter disse o último adeus a Barcelona e regressou a Berlim, onde realizou a sua primeira edição em Julho depois de uma pausa de cinco anos.

Fevereiro foi mês da festa da ITV nacional, com mais uma edição do Modtissimo, desta vez a 33.ª edição. Uma edição que ficou igualmente marcada pela apresentação pública do livro de Paulo Vaz, “20 Anos de Associativismo Têxtil”. A festa repetiu-se no Outono, com a 34.ª edição, subordinada ao mote “A moda constrói o futuro”.

No mundo dos negócios, a italiana IT Holding, detentora da marca Gianfranco Ferrè, declarou a falência de uma das suas unidades – a Ittierre Spa. Uns meses mais tarde seria a vez da Christian Lacroix mostrar dificuldades, num processo que terminou em Dezembro, com a casa de moda a manter apenas a área de perfumaria e acessórios. E a produtora de fibras Trevira também não resistiu e pediu a insolvência, tendo resolvido parte dos seus problemas já no final de 2009. O grupo alemão Arcandor seguiu os mesmos passos.

A H&M manteve a sua estratégia de colaborações, primeiro com Matthew Williamson, depois Jimmy Choo e finalmente Sonia Rykiel, para além de chegar a mercados como a China. Já a espanhola Cortefiel pôs um ponto final nas suas lojas Milano. E a Primark chegou a Portugal, primeiro a Lisboa e já em Dezembro ao Porto.

Em Março, a moda portuguesa chegou a Paris, para se mostrar em pleno na passarela, numa iniciativa do Portugal Fashion. Na Semana de Prêt-à-Porter esteve Fátima Lopes e na Zip Zone Montaigne estiveram Anabela Baldaque, Filipe Faísca e a dupla Storytailors.

Os eventos nacionais de moda voltaram a mostrar a qualidade e criatividade dos estilistas portugueses, primeiro com a ModaLisboa e depois com o Portugal Fashion, naquela que haveria de ser a última edição em V.N. de Gaia. O Outono marcou o regresso da moda nacional às passarelas, com a força da ModaLisboa e o regresso ao Porto do Portugal Fashion.

Nas empresas portuguesas, a Throttleman mostrou-se resistente e patrocinou o Estoril Open. E a Riopele abriu um outlet Premium no Porto. Já a Mundotêxtil, quase no final do ano, aliou-se aos indianos da Abhishek para crescer na gama média. A Fareleiros, a V. Fino e a Fábrica Barros uniram esforços e criaram a B4F, para impulsionar as suas vendas e a sua dimensão no mercado, e a Home Concept prosseguiu a sua expansão na Ásia, com a abertura de mais um corner na Coreia.

Um ano com altos e baixos, esperando-se e desejando-se um 2010 com mais estabilidade.

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