Plástico é o futuro da indústria da moda?

Pensando na quantidade de plástico que vai parar nos mares, marcas como Quicksilver, Bléque e Osklen já vêm utilizando o material como forma de sustentabilidade. A Osklen por exemplo, criou bermudas e shorts de praia feitos a partir de garrafas pets recicladas. O tecido se chama AquaOne e foi desenvolvido pelo Instituto E, em parceria com a Osklen.


A Osklen criou bermudas e shorts de praia feitos a partir de garrafas pets recicladas - Divulgação

“Usar plástico reciclado em coleções de moda tem o mérito de chamar atenção para a necessidade de se banir o 'single–use plastic', um grande vilão porque é uma das grandes fontes de poluição no mundo hoje em dia. Utilizar o reciclado, ao contrário, contribui para a diminuição do volume de resíduos e para todo um contingente de catadores que fazem da atividade de coleta deste material uma fonte de renda essencial para sua sobrevivência, ao mesmo tempo em que, durante seu processamento pela indústria têxtil, se emprega bem menos água e eletricidade do que quando se usa plástico de primeira mão ou virgem’’, afirma a diretora do Instituto-e, Nina Braga, em entrevista ao Fashion Network.

A marca de calçados e acessórios Bléque, que tem forte apelo ecológico, é outra que aposta em um tipo de seda feita com garrafa pet para diminuir os impactos do plástico no planeta. A fundadora e designer da marca lembra, em entrevista ao Fashion Network, que nem sempre é fácil trabalhar com materiais mais sustentáveis.

‘’A Bléque é uma marca que está sempre em busca de matérias primas recicláveis e sustentáveis. Acredito que essa é a única forma de progredirmos e, assim, vamos buscando trazer novos materiais e possibilidades de fazer produtos com qualidade e de baixo impacto. Não é fácil trabalhar com esse tipo de material, às vezes um parceiro começa a desenvolver algo novo, mas, por causa da baixa procura, eles desistem. E empresas como a Bléque, que são pequenas, acabam tendo que procurar outras alternativas ou comprar números um tanto desafiantes daquela matéria-prima. Hoje nossos parceiros acabam aparecendo de uma forma natural e orgânica, acredito que seja por causa da nossa árdua procura. E assim foi o caso da sedapet que é feita a partir da mistura de: 30% seda, 35% algodão, 35% pet reciclado.’’

Já a Quiksilver fez uma parceria com a Repreve, empresa que cria tecidos a partir de materiais reciclados, para retirar os resíduos de plástico do mar e dar a eles uma segunda chance em forma de bermudas, que utilizam cerca de dez garrafas em sua confecção. A parceria entre as empresas já retirou mais de 100 milhões de garrafas do mar, economizando cerca de 9 milhões de litros de água potável. Isso porque a produção de poliéster reciclado consome 45% menos energia e 20% menos água que a produção do poliéster convencional.

Em 2017, a Adidas anunciou uma parceria com a iniciativa Parley for the Oceans para desenvolver uma coleção de moda praia feita a partir de redes de pesca e resíduos plásticos depositados em áreas costeiras.

Dentro do esporte, as marcas não ficam de fora e aderem à reciclagem para criar uniformes, como no caso do Flamengo, que criou uma camiseta azul de pré-treino 100% confeccionada com plástico reciclados. O clube carioca foi o primeiro time brasileiro a ter essa iniciativa sustentável. Já a Asics, fornecedora oficial das equipes olímpica e paraolímpica japonesas nos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 anunciou em janeiro que os kits e uniformes para atletas e oficiais serão feitos com fibras recicladas. A marca vai usar garrafas PET e outros materiais reciclados para produzir os kits e uniformes dos atletas.
 

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