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Paris: imprevisibilidade com identidade marca desfiles

Por
Terra
Publicado em
today 8 de mar de 2011
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access_time 3 Minutos
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Uma das graças da moda é a imprevisibilidade - se é que existe esta palavra. Entramos em uma sala, crentes que vamos assistir à uma demonstração de identidade de estilo. E surpresa: tudo mudou! Foi assim neste sábado (5), na semana de moda de Paris, com estes imprevistos. O melhor é que os modelos são diferentes, mas o clima geral continua o mesmo. Afinal, identidade abrange muito mais do que tecidos e cortes.

A começar pela dupla Viktor & Rolf, os holandeses que sempre apelam para o conceitual e vendem muito perfume bacana graças à fama dos seus shows.

Começaram bem, no cenário com porta vermelha, com uma série de pretos volumosos, em clima de capas, casacos mais longos nas costas. Confesso que, à primeira vista, achei que havia segundas-peles brancas por baixo, cobrindo o colo eventualmente descoberto ou o ombro exibido por um recorte. Que nada, era a pele branca das modelos, que tinham os rostos pintados de vermelho. Depois de alguns brancos com detalhes e rosáceas pregueadas nas cavas, V & R enveredaram por prateados robóticos, vestidos montados em rodelas plissadas e saias pregueadas. Uma guinada para uma história futurista, que nunca tinha visto na grife. Deve vir perfume novo por aí. Aposto na embalagem prata.


Desfile da dupla holandesa Viktor & Rolf. Foto: Pixel Formula


Depois das peles-vermelhas, vieram os cowboys. Brincadeira: é que Isabel Marant, uma das estilistas mais fiéis ao jeito parisiense jovem de vestir, mostrou referências bem americanas, com um lote de camisas xadrezes, usadas com jeans escuros, muito figurino de mocinho ou estilo Levi's. Tem também toques de índios americanos, nos couros, nas botas franjadas e nas calças enfeitadas com bordados apaches, navajos, sioux e sabe lá que tribo.

Para não sair totalmente do seu jeito urbano-parisiense, Isabel Marant incluiu parkas lindas, arrematadas por peles. Sim, peles, e não apareceu ninguém do PETA para reclamar até agora, mesmo com tantos modelos com visons, raposas e chinchilas nos desfiles.

E Jean-Paul Gaultier? Conhecido como o mais parisiense dos grandes estilistas, o mais rebelde, o mais irreverente, apresentou uma coleção com cabelos grizalhos presos em coques-banana, terninhos de tweed, saias de couro marrom, casaquinhos curtos com alamares de couro, caramba, parecia uma vitrine de loja de bairro. Bom, bairro parisiense, vá lá. Mas foi impressionante, ver um estilo tão senhorial, tão...tão...envelhecido, será que foi influência dos anos como diretor de criação de Hermès, uma marca de senhoras elegantes? Para dar um ar mais divertido, a atriz Valerie Lemercier (que fez a mãe do Pequeno Nicolau no filme) abriu e fechou o desfile. E cada modelo que chegava à ponta da passarela jogava algo, em geral a bolsa que carregava, uma echarpe, um casaco. Ficou um monte de roupa no final, quando a mesma Valérie voltou, de macacão segunda-pele abraçada com o Gaultier.


Estilo senhoril para Jean Paul Gaultier. Foto: Pixel Formula


Um último trabalho que mudou, na grife Sonia Rykiel, agora assinada pela filha, Natalie. Deve ser um problema de quem circula nestas semanas há algum tempo. Porque deu saudade dos vestidos de malha listrados, dos chapéus, das cores e das aplicações de cristal que Sonia tornou suas marcas registradas. Natalie preferiu criar saias e calças em xadrez escoces vermelho, o tartan McGregor clássico. Botou mangas de pele em capas e aplicou um xadrez de cada tipo nas pernas de uma calça. Mas o pior ainda estava por vir: no cenário de neons e grades, passaram longos com aplicações ou estampas de folhas e listras douradas, que podiam ser foil ou hot
stamp. Seja qual for a técnica, não deu certo. Que saudade da moda Sonia Rykiel...



Iesa Rodrigues

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