Paris dá o último adeus a Lagerfeld com "Karl For Ever"

A despedida foi celebrada em Paris na noite de quinta-feira (20) com um memorial único no local que se tornou a segunda casa do estilista alemão, o Grand Palais. A homenagem contou com leituras e performances de Helen Mirren, Tilda Swinton, Cara Delevingne, Pharrell Williams, Fanny Ardant e Lang Lang, intercaladas com vídeos de Karl. Uma boa mistura de frases suas e jogos de palavras em vários idiomas, além de piadas.


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Com projeção em três telas gigantes, Tilda Swinton foi uma das primeiras a participar com a leitura de um dos livros favoritos de Lagerfeld: “Orlando". "As roupas nos usam, e não o contrário...Isso muda nossa visão do mundo e a visão que o mundo tem de nós", disse Swinton, sintetizando perfeitamente a filosofia da moda de Lagerfeld.
 
Durante o evento, muitos designers prestarem homenagem à Lagerfeld: Silvia Venturini Fendi, Stella McCartney, Alber Elbaz, Haider Ackermann, Valentino, juntamente com Ralph Lauren e Tommy Hilfiger, que foi à Paris especialmente para o tributo.
 
Fendi, como muitas outras pessoas, lembrou sua falta de pontualidade. "Quando chegamos a Paris para assinar seu primeiro contrato com a Fendi, Karl era um jovem designer e mesmo assim chegava três horas atrasado. Eu estava tão acostumada com seu atraso que de alguma forma ainda espero que ele volte", confessou ela com tristeza, em um dos vários depoimentos de designers no vídeo feito especialmente para a ocasião.



O primeiro depoimento foi feito por Anna Wintour, que elogiou o sucesso de Karl "não apenas como um estilista, mas também como linguista, fotógrafo, designer de interiores, cineasta e filantropo. Foi o multitasking original, um homem que fazia tudo de uma só vez”. "É a sua presença física que todos nós lamentamos e celebramos", disse Wintour.
 
A modelo britânica Cara Delevingne leu em inglês um poema da autora parisiense Colette sobre gatos, enquanto suas palavras originais eram projetadas em francês junto com imagens da grande companheira de Karl, sua gata Choupette. A gata de pêlos brancos apareceu com seu adestrador.
 

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Talvez os maiores aplausos tenha ido para Helen Mirren, que leu citações do livro "O mundo segundo Karl", brilhantemente acompanhada pelo violinista Charlie Siem. Um vídeo mostrou Lagerfeld discutindo sobre um desenho seu para um piano de cauda, ​​que segundo ele deveria ser preto fosco e com uma cadeira lacada vermelha. Robert Carson, o diretor de ópera que concebeu o evento, conseguiu dois para a ocasião. A interpretação de Lang Lang de "Valsa No. 1 em Mi bemol maior" de Chopin levou o público presente às lágrimas.
 
A primeira fila teve a presença de atrizes e beldades como a Princesa Caroline, Charlotte Casiraghi, Carole Bouquet, Carla Bruni-Sarkozy e Claudia Schiffer. Também estavam presentes grandes empresários franceses: Bernard e Helene Arnault; a primeira dama Brigitte Macron; Alain e Gerard Wertheimer, proprietários da Chanel; o presidente da marca, Bruno Pavlovsky; e François-Henri Pinault, CEO do grupo Kering, sentado na segunda fila, o que foi entendido como um gesto de cavalheirismo.



O ato foi um projeto conjunto das três marcas de moda onde Karl foi diretor de criação, Lagerfeld, Fendi e Chanel, então havia um ar de equilíbrio na política empresarial. Dito isto, foi uma ocasião de emoções intensas, na qual os grandes dons de Lagerfeld em diferentes artes foram lembrados com afeto: da moda à arquitetura, passando pela arte da conversação.
 
O evento encerrou com Pharrell Williams, que colocou o público em pé para sua performance antes de uma montagem de Karl fazendo dezenas de reverências após os épicos desfiles de moda das três marcas de moda, desde o realizado na Grande Muralha da China até o da Fontana di Trevi, todo o público ficou em pé para aplaudir. Parecia um último adeus, a despedida final para o designer mais famoso do nosso tempo: o cavalheiro hipnótico alemão, espirituoso e poliglota que conquistou Paris e fez dela sua casa.
 
Provavelmente muitas pessoas entraram no Grand Palais se perguntando se um tributo deveria realmente mesmo ser realizado, dada a insistência habitual de Lagerfeld de que, após sua morte, ele queria desaparecer para sempre. No entanto, como Tom Sawyer, é provável que esse grande gesto de respeito, estima e amor o teria comovido. "Plenus annis abiit, plenus honoribus" (ele se foi, cheio de anos e cheio de honras), como Plínio escreveu.

Traduzido por Novello Dariella

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