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Estela Ataíde
Publicado em
4 de set. de 2018
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Moda italiana continua impulsionada pela exportação

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
4 de set. de 2018

Embora o setor de moda italiano tenha alcançado os 66 mil milhões de euros em exportações em 2017, com um aumento de 5% em relação a 2016, os primeiros meses de 2018 refletem uma desaceleração, marcando uma rentrée sob o signo da incerteza, nomeadamente em termos políticos, como sublinha o presidente da ICE, a agência italiana para o comércio externo, Michele Scannavini, à margem de uma conferência de imprensa em Milão, na segunda-feira, sobre o projeto Milano XL, destinado a promover a excelência do Made in Italy durante a Fashion Week.


Michele Scannavini - FashionNetwork.com ph Dominique Muret


O aumento das exportações afetou de forma transversal todos os setores da indústria da moda italiana, com um especial avanço na joalheria. "Isso prova que o modelo estrutural da nossa moda funciona, com produtos de boa qualidade e preços acessíveis", refere Michele Scannavini, indicando a Ásia como a principal saída, especialmente para o segmento do luxo, nomeadamente a China, mas também a Coreia do Sul e todo o Sudeste Asiático. "A Rússia recuperou após a tempestade do ano passado. Os Estados Unidos continuam a ser uma região sólida, enquanto os países do Golfo formam uma importante zona de desenvolvimento", continua.
 
"A exportação de todo o nosso setor da moda, do têxtil ao vestuário, passando pelos acessórios e produtos de beleza, representa 15% do total das exportações italianas. No entanto, os primeiros meses de 2018 registraram um abrandamento com um crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior. É claro que o Made in Italy progrediu exclusivamente graças à exportação. Por isso, é importante que mantenha a sua solidez", sublinha o presidente da ICE.

Neste contexto, "certas ameaças de guerra comercial entre as grandes potências poderiam ter efeitos indiretos para Itália. Mas, há uma diferença clara entre as ameaças e a sua implementação", afirma Scannavini, que se diz otimista. No domínio doméstico, a situação é igualmente incerta. Com o seu novo governo populista e a crise que se aproxima da Europa, o mercado financeiro italiano está sob tensão.
 
"É óbvio que há preocupação", diz Michele Scannavini, que quer, ainda assim, acreditar que o governo continuará a apoiar as exportações, "o verdadeiro eixo da economia italiana". Nos últimos três anos, entre 2016 e 2018, o Made in Italy obteve um extraordinário apoio do poder público, que investiu 520 milhões de euros, incluindo 135 milhões de euros apenas no setor da moda, para promover internacionalmente as empresas Made in Italy.

Com a mudança de governo, tudo deverá ser redefinido. Está prevista para este mês uma primeira reunião para redefinir a estratégia e os investimentos. As autoridades da moda transalpina conhecerão o seu novo interlocutor, o subsecretário do ministério do desenvolvimento econômico, Michele Geraci. "Tudo vai depender das prioridades do governo. Da nossa parte, queremos que esse apoio extraordinário se torne estrutural e mais abrangente", conclui o presidente da ICE.

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