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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
20 de set de 2018
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3 Minutos
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Moda em Downing Street: não se menciona o Brexit, mas fala-se sobre a Chanel

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
20 de set de 2018

Os melhores do mundo, ou pelo menos 80 deles, reuniram-se na terça-feira no número 10 da Downing Street para esperar pacientemente pelo discurso de Theresa May numa recepção em homenagem à moda britânica e ao comércio internacional. Poucos setores têm tanto a temer da ameaça do Brexit quanto a moda, que depende de fornecedores internacionais, canais de distribuição mundiais e criadores transnacionais. No entanto, no seu discurso de três minutos, Theresa May nunca pronunciou a famosa palavra que começa com um "B".


Victoria Beckham - primavera-verão 2019 - Moda Feminina - Londres - © PixelFormula


Por outro lado, mencionou a palavra que começa com "C", diante de uma audiência verdadeiramente internacional, que incluiu Anna Wintour, François-Henri Pinault e os designers baseados em Londres Christopher Kane (escocês), Erdem Moralioglu (turco-canadiano), Sandra Choi (nascida em Hong Kong), Molly Goddard e Alice Temperley (ambas inglesas).
 
"Estou muito feliz por saber que a Chanel - uma das grandes casas do setor da moda - anunciou a transferência da sua sede mundial para Londres. Espero que continuemos neste caminho de sucesso", declarou Theresa May, vestida com um terno risca de giz de casaco cruzado criado por Daniel Blake. Em janeiro, May usou um casaco preto do mesmo estilista para se reunir com Donald Trump.

"Durante anos, a London Fashion Week tem apresentado não só os grandes nomes da moda britânica, mas também os talentos emergentes, frequentemente brilhantes. Foi isso que sempre fez Londres destacar-se. Foi o que sempre permitiu que a indústria da moda desta cidade se mantivesse na vanguarda”, acrescentou Theresa May, que falou logo após Stephanie Phair, a nova presidente do British Fashion Council, que co-organizou evento.
 
Theresa May saudou a vitalidade desta indústria de 32 bilhões de libras, que emprega cerca de 890 mil pessoas, elogiando todos os criadores, de "Malene Oddershede Bach a Victoria Beckham, que desfilou em Londres pela primeira vez". A propósito, Malene Oddershede Bach vem da Dinamarca, enquanto Victoria Beckham é de Essex.

"Temos algumas das melhores escolas de moda do mundo. Os nossos designers estão à frente de marcas internacionais. E somos líderes mundiais no campo do design e inovação digital, com nomes como Matchesfashion Net-a-Porter, Asos e Farfetch, lançados no Reino Unido", continuou Theresa May, o que provocou uma onda de riso, já que Stephanie Phair ocupa também uma posição de gestão na Farfetch.
 
A primeira-ministra britânica acrescentou que "um visto excepcional dedicado aos talentos permitirá que os melhores criadores do mundo vivam e trabalhem aqui".

May revelou também que o “pacto para o setor das indústrias criativas" do seu governo vai "investir 150 milhões de libras nas empresas criativas, incluindo no domínio do design e da moda", sem no entanto dar mais detalhes sobre nenhum dos casos.

Stephanie Phair falou primeiro, depois de ter sido apresentada por Caroline Rush, CEO do BFC, e realçou que, em cinco dias, a London Fashion Week recebeu convidados de 50 países e cinco continentes.
 
E mencionou também que o British Fashion Council havia levado para a capital 150 representantes da imprensa e distribuidores internacionais, enquanto o governo irá também apoiar o programa London Show Rooms do BFC, que irá apresentar criadores britânicos emergentes durante a Paris Fashion Week este mês.
 
"Londres é a capital mundial da moda", insistiu Phair. Um ponto de vista que, provavelmente, não será partilhado pela maioria dos parisienses.
 
"Esta Fashion Week de Londres recebeu mais de 120 desfiles de moda, apresentações e eventos e 80 criadores de todo o mundo, bem como um público internacional vindo de 50 países diferentes. A nossa missão no British Fashion Council é consolidar a reputação internacional da moda britânica", acrescentou Stephanie Phair.
 
"A moda é uma indústria séria e, em termos de emprego, tem um peso semelhante ao do setor financeiro. Nestes tempos de mudança, em que o digital altera a velha ordem das coisas e as fronteiras parecem fechar-se, lembremos que a moda é uma força que une: a moda é um indicador cultural, e o Reino Unido tem a oportunidade de promover a criatividade da Brand Britain' [NR: a marca Grã-Bretanha] no sentido de tornar este setor um epicentro cultural" concluiu a nova presidente enquanto os convidados bebiam 'champagne inglês’, um vinho espumante chamado Nyetimber, produzido em West Sussex.

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