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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
1 de mar. de 2022
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Moda e luxo permanecem muito discretos face à guerra na Ucrânia

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
1 de mar. de 2022

A invasão das tropas russas na Ucrânia, na quinta-feira, 24 de fevereiro, em plena Semana de Moda de Milão, passou quase despercebida nas passarelas. Em sua alegria de se reconectar com desfiles físicos e noites loucas após dois anos de pandemia, a moda mostrou indiferença. Com exceção de alguns comentários ocasionais contra a guerra, um silêncio ensurdecedor invadiu as capitais da moda.


No domingo, modelos emocionados desfilaram em silêncio para Giorgio Armani. - DR

 
Na véspera da Semana de Moda de Paris, iniciada na noite de segunda-feira (28), com destaque para o desfile da Off-White, o presidente da Federação de Alta Costura e Moda, Ralph Toledano, compartilhou uma mensagem, convidando todos os participantes, "a viver os desfiles de dias que virão com a seriedade que é essencial nestas horas sombrias". "A grande família da moda se reúne para a Paris Fashion Week no momento em que a guerra estourou brutalmente na Europa e mergulhou o povo ucraniano no medo e na dor. A criação se baseia no princípio da liberdade, sejam quais forem as circunstâncias. E o papel da moda é de contribuir para a emancipação individual e coletiva em nossas sociedades", lembrou.
 
Em Milão, apenas duas marcas se manifestaram durante seus desfiles: Giorgio Armani e Francesca Liberatore. O primeiro optou por desfilar sua coleção sem música no domingo, as modelos avançando na passarela apenas ao som único dos fotógrafos e seus passos, provocando emoção tanto no público quanto nos bastidores. O costureiro explicou o seu gesto: "Algumas horas antes do show, pensei: o que posso fazer em relação ao que está acontecendo? Não se trata de mandar dinheiro ou roupas. Nada disso. Para mostrar como meu coração batia por seus filhos..." E Giorgio Armani interrompeu, emocionado: "O melhor a fazer é enviar um sinal de que não estamos felizes, que não queremos comemorar o retorno aos desfiles, porque há algo ao nosso redor que nos incomoda muito”, disse.

Um pouco mais tarde, no domingo, na antiga igreja de San Carpoforo, onde acabara de apresentar sua coleção, Francesca Liberatore subiu ao pódio. Pegando na mão duas modelos ucranianas e russas, ela convidou o público a fazer um minuto de silêncio. Mais uma vez, este pequeno minuto, como sinal de apoio a todos os afetados por este conflito, foi muito comovente.

Além desses dois momentos especiais, a Semana de Moda de Milão foi realizada como se nada tivesse acontecido, na mais plena euforia, com multidões compactas de fãs à espera de estrelas e influenciadores na entrada e saída dos desfiles. Não menos incomodado pelos poucos manifestantes, que vieram se solidarizar com os ucranianos perto dos desfiles mais populares, como os de Versace, Max Mara e Prada, onde alguns convidados pintaram a bandeira ucraniana amarela e azul em seus rostos.


Post de Alessandro Michele em sua conta do Instagram - Instagram


Alguns designers se manifestaram contra a guerra, mas de forma muito discreta. Como Elisabetta Franchi, que teve sua foto cercada por suas modelos, acompanhada da seguinte mensagem: "Neste backstage, há mulheres de todo o mundo, todas juntas sem fronteiras. É esse mundo que eu quero. Não à guerra". Entre eles, alguns outros se posicionaram contra a guerra nas redes sociais, mas de maneira genérica, em sua conta pessoal e não da marca, como o líder da Moncler, Remo Ruffini, ou Alessandro Michele, o diretor artístico da Gucci, que publicou no Instagram um poema de Gianni Rodari: "Há coisas que nunca devem ser feitas, nem de dia nem de noite, nem por mar nem por terra: por exemplo, a guerra".

O grupo Kering publicou um quadrado branco no Instagram. A Balenciaga se destacou ao remover todas as imagens anteriores de sua conta. Ao clicar nesta página em branco, uma pomba aparece de repente. Originário da Geórgia, o designer Demna Gvasalia é provavelmente mais sensível ao destino dos ucranianos que outros designers. A Geórgia sofreu em 2008 em suas regiões da Ossétia do Sul e Abkhazia uma invasão semelhante pelos russos.

Questionado nos bastidores, pouco antes de seu desfile, o designer fundador do MSGM, Massimo Giorgetti, explicou que "teve muita dificuldade para se expressar nas redes sociais por alguns dias". "Mas então percebi que eu tinha que seguir em frente. A moda tem que continuar"., Isso reflete muito bem a opinião da maior parte da indústria da moda, que só agora está começando a levantar a cabeça após dois anos de pandemia e não quer e nem pode recuar.

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