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1 de mar. de 2012
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Milionários latino-americanos ajudam a ressuscitar Miami

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Reuters
Publicado em
1 de mar. de 2012

MIAMI - Muitos latino-americanos têm um longo caso amoroso com Miami, mas raramente tinha sido tão intenso - pelo menos a julgar pelo mercado imobiliário. Os milionários latino-americanos, liderados por venezuelanos e brasileiros, conduziram uma carga de bens imóveis em Miami, ajudando a impulsionar a recuperação de um mercado que se encontrava novamente estagnado.


City Skyline, Miami, Florida, USA - Foto: Corbis


Seduzidos pelos preços baratos dos imóveis e pagando em dinheiro, os compradores latino-americanos têm comprado desde condomínios, casas e apartamentos como investimentos ou casas de temporada. Eles estão lucrando com o recente crescimento inebriante da região, que também resistiu razoavelmente bem à desaceleração global

Muitos não são apenas caçadores de casas. São também frequentadores assíduos dos chamativos shoppings de Miami, onde compram de tudo desde iPads e roupas de grife até jóias caras.

A onda de compra de propriedades revitalizou Miami e as incorporadoras estão implantando novos projetos, mesmo a Flórida permanecendo entre os estados mais afetados pelo colapso habitacional. E também transformou Miami em um destino imobiliário top para compradores internacionais.

'A América Latina realmente ajudou a reanimar o nosso mercado,' disse Jorge Perez, presidente e chefe-executivo do Related Group líder do desenvolvimento do sul da Flórida.

O afluxo está sendo liderado por venezuelanos, que como muitos latino-americanos, historicamente se voltaram para Miami como um refúgio seguro contra a volatilidade política e econômica em casa.

De acordo com a Association of Realtors Miami, os venezuelanos foram os principais compradores estrangeiros em 2011 e representaram 15% do total das vendas dos compradores internacionais, seguidos de perto pelos brasileiros e argentinos.

No ano passado, as vendas de casas e condomínios na área de Miami registrou um recorde de 46% em comparação com 2010, disse a associação. Os preços dos condomínios finalmente começaram a subir no segundo semestre de 2011, e dezembro também teve procura por casas para solteiros ou famílias pequenas, pela primeira vez desde a recessão.

Os venezuelanos ricos, confrontados com oportunidades de investimentos cada vez menores no país, e preocupados com o que eles descrevem como uma medida enérgica ao mercado interno de habitação feita pelo presidente esquerdista Hugo Chavez, os tornaram clientes procurados por corretores e imobiliárias

"Eles tiram seus cheques imediatamente," disse Harvey Hernandez, diretor do grupo Neward, e nascido na Venezuela, que está desenvolvendo o BrickellHouse, uma das primeiras torres programadas para serem construídas desde o crash imobiliário.

Em BrickellHouse, mais da metade das 374 unidades da torre foram vendidas, e os venezuelanos representam cerca de 40% dos compradores. A torre, localizada no distrito financeiro de Miami com vistas para a Baía de Biscayne, está programada para iniciar a construção ainda este ano.

Efeito Chavez

Os venezuelanos também ajudaram a revigorar o mercado imobiliário nos subúrbios de Miami como Doral e Weston, lar de grandes comunidades de expatriados venezuelanos.

"É o efeito Chavez,", disse Cleto Puzzi, um venezuelano que vendeu um apartamento que possuía na Espanha e comprou dois em Doral, que agora estão alugados. "Você não pode investir na Venezuela nos dias de hoje".

O líder venezuelano tem propensão para expropriações, fato que tem abalado muitos venezuelanos abastados. No ano passado, Chavez introduziu legislação que tornou mais difícil para os locadores de imóveis despejar inquilinos inadimplentes, espantando proprietários de suas propriedades e resfriando interesses em uma das poucas opções de investimentos na Venezuela.

"Chavez basicamente tem servido como o maior recuo, o sul da Flórida e o mercado de condomínios de Miami notaram," disse Peter Zalewski, diretor da consultoria imobiliária Condo Vultures.

Outros sul-americanos estão se voltando para o mercado imobiliário de Miami, visto que os preços dos imóveis aumentaram muito em toda a América Latina.

Um relatório recente da Miami RelatedISG, um grupo de vendas de imóveis, afirmou que os preços dos apartamentos e condomínios de Miami downtown seguem a trilha das recém construídas propriedades em diversas cidades sul-americanas, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Bogotá.

Os preços no centro de Miami custam em média mais de US $400 por m² segundo o relatório. O qual compara com $1.000 o m² para propriedades no Rio de Janeiro, $900 em São Paulo e $550 em Buenos Aires.

O crescente aumento dos imóveis no Brasil envia brasileiros a Miami em busca de propriedades. E que se beneficiam dos ganhos referente ao câmbio, a moeda brasileira, o real contra o dólar americano. Eles também são compradores prodigiosos, onde o português é frequentemente ouvido em shoppings, juntamente com o linguajar venezuelano, argentino, colombiano e espanhol.

Para os brasileiros, "tudo é tão barato. Ir jantar, comprar uma camisa ou comprar um imóvel," disse Jacques Claudio Stivelman, presidente do Miami-based Shefaor Development e nascido no Brasil.

Os grandes gastos dos brasileiros são desenhados pelo especial interesse, segundo comentários entre os agentes de imóveis de Miami, que afirmam que eles estão procurando por propriedades de alto padrão à beira-mar. "Os brasileiros estão comprando na média de milhões de dólares", disse Zalewski.

Os interesses estrangeiros não se limitam apenas a compra de imóveis. Construtores estrangeiros também estão fortemente envolvidos em mais de 20 projetos de construção planejada, muitos deles susceptíveis de serem comercializados por investidores internacionais.

O interesse dos latino-americanos levou as incorporadoras, muitos das quais foram atingidas pela crise americana de habitação, a adotar novos modelos de financiamento e vendas.

Antes da crise, as construtoras de condomínios e bens imobiliários de Miami assim como os compradores de imóveis, recorriam ao financiamento bancário. Mas com o mercado enfraquecido, as incorporadores viram seus clientes se afastaram e os bancos, preocupados com queda dos preços das habitações, cortaram o crédito. E logo torres vazias aparecem no horizonte de Miami downtown.

Com os latino-americanos e outros compradores não americanos que agora representam a maioria das vendas de imóveis em Miami, os corretores têm disponibilizado mais dinheiro em foco com a opção de financiamento familiar para os compradores estrangeiros.

O modelo "pré-pago" significa que os compradores pagam em determinadas fases da construção. Ele é amplamente usado na América Latina e requer que os compradores paguem 80% do preço final da propriedade antes da construção ser concluída.

"Eu não acho que essa é uma abordagem a longo prazo, esta é uma reação à forma como este mercado encontra-se atualmente", disse Perez.

Ivan Martinez, um advogado de 40 anos de Caracas, recentemente comprou dois apartamentos no BrickellHouse por US $250.000 e US $400.000. "Miami é como uma segunda casa para mim", ele disse, referindo-se as suas constantes viagens desde criança. A instabilidade política da Venezuela, ele disse, foi um fator chave em sua decisão.

Alguns corretores de imóveis que trabalham frequentemente com venezuelanos disseram que esperam que o interesse deles pelos imóveis em Miami permaneça forte, particularmente se Chavez vencer as eleições presidenciais ainda este ano e estender seus 13 anos no poder.

Eli Santurio, gerente de vendas da Keyes Realtor, disse que muitos corretores de imóveis que atendem venezuelanos estão mantendo um olhar atento na perspectiva da eleição de outubro.

"Isso é o que todo mundo está falando", disse ela. "Se Chavez ganhar, as vendas poderão aumentar muito".

Editado por David Adams e Cynthia Osterman

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