Milão: uma semana da moda masculina curta, mas renovada

A Semana da Moda Masculina de Milão começa nesta sexta-feira à noite com o aguardado desfile da Ermenegildo Zegna. Depois do primeiro desfile, assinado por Alessandro Sartori, em janeiro de 2017, no centro de arte contemporânea Hangar Bicocca entre as sete torres de cimento gigantes do artista Anselm Kiefer, no claustro da Universidade Estatal e ainda a passarela coberta de neve montada na faculdade Bocconi, sem contar com o desfile de tirar o fôlego, em junho passado, junto à água, aos pés da impressionante sede da Mondadori projetada por Oscar Niemeyer, a marca de menswear promete novamente uma apresentação espetacular, uma vez que irá revelar a sua coleção para o outono-inverno 2019/20 na monumental estação central e Milão.
 
Após o desfile junto à água, em junho, em janeiro a Zegna organizará o seu desfile na estação central de Milão - Facebook

De resto, a semana da moda de Milão confirma esta temporada o seu formato reduzido. Entre o salão Pitti Uomo, e a sua série de eventos, e Paris, que domina com o seu forte poder de atração, a semana milanesa não se consegue relançar. Agora circunscrito a três dias, ou um fim de semana alargado, de sexta-feira, 11 de janeiro,  a segunda-feira, 14, à noite, o evento sofreu especialmente com o reposicionamento das casas no calendário feminino com desfiles mistos ou outros destinos mais prestigiados.
 
Três exemplos, em particular, ilustram esta tendência. Jil Sander, cuja coleção masculina desfilou em Milão durante anos (ainda que ultimamente se contentasse apenas com apresentações), optou nesta temporada pelas passarelas parisienses. Outro exemplo é a Moschino, que em junho apresentou a sua coleção masculina em Los Angeles. Ao invés de regressar a Milão, a casa preferiu organizar o seu desfile seguinte em Roma para prestar homenagem a Federico Fellini nos estúdios cinematográficos de Cinecittà, escolhendo a data de terça-feira, 8 de janeiro, em plena abertura do Pitti Uomo... Finalmente, a marca jovem de streetwear Palm Angels, que desfilava em Milão há quatro temporadas, decidiu transferir-se para o calendário feminino de Nova Iorque.

Apostar na nova geração de criadores
 
Diante deste cenário, resta apenas à Câmara da Moda Italiana (CNMI) apostar constantemente em novos nomes. O organismo tentou destacar as pré-coleções femininas em junho e, nesta temporada, joga a cartada dos talentos emergentes. Ainda assim, será necessário encontrar uma maneira de os manter em Milão, uma vez que a maioria desaparece do calendário milanês de uma estação para a outra. Assim, a esta nova sessão de inverno, que anuncia, como na temporada passada, 27 desfiles, aos quais se soma o da Dolce & Gabbana, fora do programa oficial, chegam oito novos nomes para substituir oito deserções...

Entre os designers que farão a sua estreia em Milão a partir de sábado encontra-se o vencedor do concurso "Who is on Next ? Uomo 2017", Luca Magliano, conhecido pelo seu menswear simultaneamente viril e de inspiração latina, repleto de cor. Tal como Magliano, também a Bed J.W. Ford, que desfila no domingo, foi descoberta pelo Pitti Uomo. O salão florentino organizou, em junho de 2018, o primeiro desfile europeu da marca de tayloring desconstruído hiper contemporâneo lançada em 2010 por autodidata japonês Shinpei Yamagishi. A capital lombarda vai também receber dois debutantes italianos nas suas passarelas, duas marcas de streetwear: Numero 00, lançada em 2012 por Valerio Farina, e United Standard, fundada em 2015 por Giorgio di Salvo.

Ainda entre as novidades encontra-se o desfile, agendado para segunda-feira 14, da Spyder, que fez uma primeira apresentação em Milão em junho. A histórica marca americana de esqui, nascida em 1978 sob a liderança do esquiador canadiano David Jacob, relança-se com uma coleção lifestyle para homem e mulher, que foi confiada a Christopher Bevans, vencedor em 2018 do Prémio Woolmark de Inovação, enquanto os acessórios foram desenhados pelo alemão Peter Brunsberg.


A marca italiana United Standard vai desfilar pela primeira vez em Milão no domingo - theunitedstandard.com

A semana vai ainda celebrar o grande regresso de John Richmond, em pleno relançamento. O estilista britânico faz o seu come-back no domingo, 13 de janeiro, na passarela milanesa, que havia deixado em setembro de 2015, após 17 anos de desfiles ininterruptos em Itália. A sua marca é agora produzida e distribuída pela empresa Arav Fashion (Silvian Heach), propriedade da família napolitana Ammaturo, que comprou a John Richmond em junho de 2017.

Igualmente de regresso à semana lombarda está a Mioran, a marca de prêt-à-porter unissexo fundada em Milão em 2014 pelo jovem chinês Mio Ran, que foi distinguido em junho de 2015 no Pitti Uomo, recebendo uma menção especial na competição “Who is on Next ? Uomo 2015”, tendo na sequência sido convidado por Giorgio Armani para desfilar no seu teatro em junho de 2016.

Uma fashion week sem Armani, mas com a Brioni
 
Após ter abandonado a sessão de junho para desfilar com as coleções femininas em setembro durante um desfile espetacular no Aeroporto de Linate, a coleção masculina da Emporio Armani reintegra também o calendário... ocupando, no entanto, o lugar da linha principal do grupo, Giorgio Armani, que salta por sua vez a sessão de janeiro para se apresentar em fevereiro com um desfile misto na semana feminina.
 
A Giorgio Armani será, assim, a grande ausência desta semana da moda masculina, juntamente com a Plein Sport e a Palm Angels, além de casas que tiveram passagens fugazes por Milão em junho, como Vien, BESFXXK, Hunting World e Aalto. Quanto à marca Represent, de Manchester, que se estreou em Milão no ano passado, esta ainda deve apresentar a sua coleção, ainda que já não figure no calendário dos desfiles. Também merece destaque no programa de apresentações o regresso da Brioni, depois de várias temporadas em Paris, enquanto nesta temporada a Canali preferiu instalar-se em Florença, no Pitti Uomo.

Por fim, uma grande novidade: a extensão da fórmula testada em junho do "White Street Market", dedicado ao sport e ao streetwear, ao salão White no seu todo, que irá assim adotar, de 12 a 14 de janeiro, um formato híbrido aberto tanto ao público como a profissionais da moda. 

Traduzido por Estela Ataíde

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