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Publicado em
22 de out. de 2020
Tempo de leitura
4 Minutos
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Mercado de segunda mão atrai cada vez mais consumidores

Publicado em
22 de out. de 2020

O vestuário de segunda mão é uma tendência global, e está se tornando cada vez mais comum nos guarda-roupas dos consumidores. Seja ele oferecido em sites de revenda, boutiques de segunda mão ou marcas e lojas tradicionais, o marketing de moda em segunda mão é multifacetado e todos estão empenhados em obter uma fatia do mercado que cresce a cada ano. Atualmente avaliado entre 30-40 bilhões de dólares, o que equivale a 2% do peso total do setor de moda e luxo, o mercado mundial de segunda mão deve crescer 15 e 20% ao ano nos próximos cinco anos, segundo informações do Boston Consulting Group (BCG), que fez um novo estudo sobre o assunto para a plataforma Vestiaire Collective.


A Vestiaire Collective acaba de lançar uma nova campanha para promover a circularidade - Vestiaire Collective


Um crescimento que pode ser muito mais forte nos mercados desenvolvidos, de acordo com o estudo, que afirma que "algumas plataformas online podem ter crescimento de 100% em relação ao ano passado". Um lucro inesperado impulsionado pela captação de novos clientes que recorrem a este tipo de compra, o que reforça a base de consumidores já adeptos da segunda mão. Em 2019, 25% dos compradores internacionais compraram um item de moda em segunda mão, ante 24% em 2018, representando cerca de 10 milhões de novos clientes no mercado de segunda mão em um ano.

Ao realizar uma pesquisa com 7.000 consumidores em seis países (Estados Unidos, França, Espanha, Itália, Alemanha e Reino Unido),  BCG foi capaz de identificar esses comportamentos de compra. 69% dos entrevistados disseram estar preparados para consumir mais peças usadas no futuro. Assim, em 2023, 27% dos guarda-roupas dos consumidores de segunda mão serão compostos por itens que já tiveram uma primeira vida, ante 21% hoje.

A crescente preocupação dos consumidores com a eco-responsabilidade, acentuada desde o início da crise da saúde, está impulsionando o crescimento desse mercado. 70% dos entrevistados indicaram que recorreram à segunda mão pelo seu caráter sustentável, ante 62% em 2018. Os outros critérios de compra da segunda mão são o aspecto econômico, a disponibilidade e a exclusividade das peças.

"Os compradores desejam ter menos peças, mas melhores, reduzir o desperdício e cuidar melhor de seus guarda-roupas. O próspero mercado de peças usadas ajuda a atingir esses três objetivos", acrescenta o relatório.

Assim, 70% dos consumidores ​​afirmam que essa forma de comprar os impulsiona a cuidar ainda mais de suas peças, e 60% dos vendedores de segunda mão não teriam sonhado em dar uma segunda vida às suas roupas sem a existência e o desenvolvimento deste mercado.

Além dessas considerações gerais, o estudo também busca dissociar os diferentes perfis de quem consome essa moda de segunda mão. Foram identificados seis tipos de clientes, cada um com diferentes atitudes e comportamentos. Os dois primeiros perfis correspondem àqueles que se contentam em comprar itens de segunda mão, ou seja, pessoas com menos de 35 anos, que procuram artigos de alto valor agregado, que buscam experiência e alguma autenticação, e com mais de 35, que buscam produtos únicos e exclusivos.


Os seis perfis detalhados dos clientes de peças de segunda mão - BCG x Vestiaire Collective


Entre aqueles que compram e vendem ao mesmo tempo, há os "impulsivos sofisticados", que vendem as suas roupas para poder comprar roupas novas de segunda mão com bastante frequência, mas também os "millennials trendy" que são muito ativos nas interacções sociais, e também revendem para adquirir novas peças. Por fim, os adeptos da sustentabilidade, que não são muito ativos na revenda e fazem compras mais raras e à preços baixos, mas atuam em várias plataformas. O sexto perfil corresponde à uma categoria que se contenta em vender itens de segunda mão sem comprar nada: o perfil de uma pessoa com mais de 35 anos que procura plataformas práticas para vender as suas peças.

Por fim, o estudo indicou que as marcas deveriam poder aproveitar esse ganho inesperado, com a opção de desenvolver seu próprio site de revenda, estabelecendo programas de compra de usados ​​ou firmando parcerias com especialistas. 62% dos entrevistados estariam mais inclinados a comprar peças de marcas que colaboram com varejistas de vendas de segunda mão. No ano passado, um em cada dois compradores de moda de segunda mão experimentou uma nova marca desta forma. Além disso, 48% pensam em comprar novamente e diretamente de uma marca que descobriram de segunda mão. A segunda mão surge como uma chave para ativar a aquisição de novos clientes.

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