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11 de fev. de 2021
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Luxo pós-2020: as cinco prioridades na mesa dos tomadores de decisão

Publicado em
11 de fev. de 2021

A indústria da moda e do luxo está passando por uma mudança profunda em seu modelo de negócios, que acelerou com a pandemia. Os reflexos gerados pela crise ao longo de 2020 em torno de novas organizações e processos ainda não se materializaram, mas a mudança está em andamento. Estrutura da coleção, processo de desenvolvimento do produto, compras, sustentabilidade e planejamento-logística são as cinco pontos de atenção para os gestores das marcas de moda e empresas têxteis, segundo pesquisa apresentada pelo Sistema Moda Itália (SMI), que reúne empresas italianas de têxteis e vestuário.


Quais são os pontos-chave para compreender as mudanças estruturais que acontecem no universo do luxo? - ph Viviane Sassen - Louis Vuitton


A pesquisa, realizada em julho do ano passado entre os CEOs de 300 grandes empresas de luxo na França e Itália, com faturamento total de 25 bilhões de euros, destaca as grandes mudanças estruturais que devem afetar o setor, para além dos temas já amplamente abordados até o momento, como como a aceleração do digital, os novos modelos de distribuição e a interação com o consumidor. Essa mudança, que deve acontecer em 2021, começará a ser observada em 2022, enquanto o relançamento do mercado não está previsto antes de 2023.
 
A principal lição deste estudo diz respeito à relação entre fornecedores e marcas, que irá mudar significativamente, com maior integração e uma interação real entre upstream e downstream, seja no processo criativo e no desenvolvimento do produto, ou no planeamento das produções e sua entrega. Os fornecedores terão um papel fundamental em termos de competências, serviços e sustentabilidade. Cabe a eles assumir a liderança no fornecimento de soluções para marcas, que muitas vezes não têm conhecimento suficiente, diz o autor do estudo, Luca Bettale, sócio principal da empresa de consultoria de gestão Long Term Partners (LTP).

Conforme sublinhou durante a apresentação do estudo por videoconferência, no dia 4 de fevereiro, “o choque da Covid-19 representou para os agentes do mercado a descoberta da incrível fragilidade da moda e do custo gerado pela sua rigidez, que acabou sendo muito maior do que a economia obtida com a renúncia a um sistema mais flexível ". A flexibilidade se tornará a pedra angular do futuro modelo de negócios da indústria do luxo, cuja especificidade sazonal desaparecerá. Sua atividade não será mais ditada exclusivamente pelas estações do ano, como era anteriormente.
 
Assim, a sazonalidade deixará de ser a única referência, assim como a cadência tradicional das coleções. Então, como serão construídas as coleções no futuro? Muitas marcas começaram a reduzir o tamanho, propondo quase 30% menos referências. A pesquisa mostra a vontade de ir além, com uma grande simplificação das coleções, que terão de se basear mais na análise dos dados de consumo. A estrutura sazonal da oferta terá de ser reduzida e compensada por novos produtos destilados a cada mês para renovar a oferta.

É também uma questão de comunicação. Para criar engajamento nas redes sociais, são necessários novos produtos, embora não necessariamente os que as marcas querem vender em relação à sua coleção principal. Para isso, é preciso se reorganizar e adquirir novas ferramentas, além dos dados. “Os gestores estão todos trabalhando nos processos PLM (Product Lifecycle Management), ou seja, nas soluções para gerenciar o ciclo de vida dos produtos”, diz Luca Bettale.


As cinco prioridades para o luxo - DR


O modelo de compras deve, portanto, ser mais flexível e construído em parceria com os fornecedores. Os grupos mais poderosos compreenderam bem isso, como evidenciado pelas múltiplas aquisições por parte de maisons de alguns dos seus fornecedores, para ter controle sobre seu setor. Na ausência de recursos, as empresas de luxo terão que estabelecer um diálogo real e um relacionamento próximo com seus parceiros upstream.
 
A transformação da oferta terá repercussões no processo criativo, que se tornará contínuo ao longo do ano, assim como a produção de protótipos. Mas também na produção com a necessidade de produzir menores quantidades de produtos em curto prazo, mas que continuem em linha com a temática da estação (cores, tecidos, etc.). Daí a necessária melhoria na logística entre suprimentos e fluxos físicos.
 
"Os tempos, ritmos e volumes vão mudar. Assim como a maneira de trabalhar. As empresas devem construir um sistema de fornecimento flexível.Será muito mais caro, mas pôr em prática esta transformação é fundamental. A flexibilidade deve ser planejada e projetada, com um custo menor, de acordo com os fabricantes, organizando os riscos dos estoques”, indica o autor da pesquisa.
 
Além disso, há a questão do desenvolvimento sustentável. A este respeito, "os consumidores exigem agora algo de concreto e as empresas precisam se tornar mais atuantes neste tema, que até então era responsabilidade maior da comunicação e do marketing. Mais uma vez, é claro que a mudança não será alcançada a menos que trabalhemos em conjunto com os fornecedores. É unindo forças que as duas partes poderão abordar todas estas questões, e para isso é necessário uma forte proposta conceituall", conclui Luca Bettale.
 

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