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Europa Press
Publicado em
17 de mai de 2015
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Luciano Benetton, criador de polêmicas campanhas, completa 80 anos de paixão pela moda

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Europa Press
Publicado em
17 de mai de 2015

Roma (Notimérica) – Luciano Benetton, um dos designers e empresários italianos mais destacados do mundo atual, completou na semana passada 80 anos. Oito décadas, das quais seis marcadas pela moda, sua grande paixão.

Luciano Benetton - Foto: Reuters


Apesar de ter vocação para médico, as circunstâncias familiares lhe forçaram a abandonar o seu sonho, centrando-se no trabalho para poder manter sua mãe e seus três irmãos mais velhos.
 
No entanto, Luciano Benetton sempre teve jeito de empreendedor. Quando apenas com 20 anos, o primogênito dos Benetton propôs à sua irmã, que naquela época costurava peças para uma oficina, a abertura de uma loja em conjunto. E assim, com um pequeno estabelecimento na região de Véneto, começou o que seria o início de uma das grandes indústrias da moda do panorama internacional.

O sucesso demorou pouco para chegar. Dez anos depois do seu nascimento, a Benetton já contava com nove fábricas ao redor do globo e com uma grande presença internacional. Mesmo assim, foi a princípios dos anos 1980 quando a Benetton se formou em todos os aspectos com a incorporação do fotógrafo propagandista Oliviero Toscani.
 
Se algo caracteriza a marca italiana, além das suas peças e acessórios, são as suas campanhas publicitárias; sempre dispostas a suscitar a polêmica. A Benetton é uma dessas marcas que não temem arriscar e equivocar-se, nem denunciar com suas imagens as injustiças sociais.
 
Desde que Toscani integrou a empresa, cada imagem assinada pela United Colours of Benetton deu o que falar. A maioria traz três elementos em comum: a multiplicidade de cores nas roupas e de etnias nos modelos, a transmissão de valores sociais e a denúncia de injustiças. Graças a esses fatores, os anúncios da Benetton conseguiram ser algo mais que simples vitrines para suas peças, tendo um importante papel na conscientização sobre a realidade do mundo.
 
Apesar do fotógrafo Toscani ter deixado de trabalhar para o grupo têxtil no ano 2000 e de Luciano Benetton não liderar mais a companhia há três anos, a marca não renunciou à criatividade que tanto lhe caracteriza.
 
Por sua vez, Toscani passou à história da marca com campanhas como a realizada em 1989, na qual mostra uma mulher negra amamentando um bebê branco. Na mesma linha de protesto antirracismo, o fotógrafo lançou outro original anúncio no qual apareciam três corações humanos iguais com a diferença de que um era identificado 'branco', o segundo como 'negro' e o último como 'amarelo'.

Mas, apesar da multiculturalidade ser o lema que melhor define a marca, em muitas ocasiões Toscani utilizou fotos para lutar contra preconceitos sociais. Uma das que mais polêmicas suscitou foi protagonizada por um padre e uma freira beijando-se, utilizada para uma campanha de 1991. Três anos mais tarde, Toscani revolucionou o mundo inteiro em plena guerra da Iugoslávia, quando a Benetton lançou uma imagem da roupa ensanguentada de um soldado bósnio.
 
A arriscada linha de marketing do grupo têxtil não esteve livre de críticas e denúncias. De fato, a última destacável aconteceu em 2011, devido à campanha intitulada 'Deixe de odiar' ('Unhate'), cujo fim era lutar contra o ódio por motivos raciais, religiosos, sociais ou culturais. Composta por uma série de imagens, a campanha mostrava diferentes personagens pertencentes à esfera pública beijando-se.

Desde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com o falecido dirigente da Venezuela, Hugo Chávez, até o Papa Bento XVI com um ímã muçulmano. A controvérsia foi tanta que o Vaticano denunciou a Benetton, obrigando-a a retirar a série de imagens das ruas e das publicidades.

Imagens: Reprodução

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