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Helena OSORIO
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21 de jun. de 2021
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Louboutin se posiciona contra racismo com cápsula criada com Idris e Sabrina Elba

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
21 de jun. de 2021

Na esteira do movimento Black Lives Matter, o universo do luxo ter abordado a questão do racismo e da diversidade. Alguns grupos através de doações à associações ou incluindo em sua estrutura gestores de diversidade, e outros através de projetos específicos. Por convicção ou oportunismo,  dependendo da opinião. Agora é a vez do designer de calçados Christian Louboutin abordar a questão da justiça social com uma coleção-cápsula intitulada "Walk a Mile in my Shoes" (Caminhe uma Milha em meus Sapatos), em homenagem a Martin Luther King. Uma cápsula que está a criando polêmica, desde quinta-feira (17 de junho), num post de Assa Traore com sapatos da marca Louboutin nos pés e de punho erguido. Explicações.


O casal Idris e Sabrina com Christian Louboutin - DR


Foi após um debate entre Opal Tometi, a ativista nigeriana-americana e cofundadora do Black Lives Matter, e o casal formado pelo ator inglês Idris Elba e sua esposa americana de origem somali Sabrina Dhowre, que o criador dos famosos sapatos de sola vermelha decidiu se juntar a eles.

Deste encontro nasceu este projeto que, através da notoriedade destas três personalidades, espera ter “um impacto real e melhorar diretamente a vida de pessoas e comunidades cuja voz é importante mas raramente ouvida”, disse a maison em um comunicado.

Todos os lucros da comercialização da coleção serão doados a cinco organizações sem fins lucrativos: The Gathering For Justice, Be Rose Foundation, Purposeful, Somali Hope Foundation e The Immediate Theatre. “Estruturas que fazem a diferença e que melhoram o dia a dia das pessoas e comunidades em dificuldade”, afirmou a marca no seu comunicado. 

A coleção masculina e feminina, composta por sapatos (escarpins, tênis, mocassins e sapatos de renda), bolsas e outros acessórios de couro, baseia-se em dois motivos: a Strelitzia, flor da África do Sul mais conhecida como 'Ave do Paraíso', e a frase de Martin Luther King impressa ou bordada em vermelho, 'Walk a Mile in my Shoes'.

Os preços rondam os 700 euros para os tênis simples ou sandálias, e vão até 3.275 euros para os escarpins de strass, enquanto as bolsas variam entre 850 e 1.225 euros.

Porém, por meio dessa abordagem, Christian Louboutin se expõe ao risco de ser acusado de "lavagem da diversidade". Aliás, o investimento feito para lançar esta campanha com muitas fotos, vídeos, etc. beneficiará sobretudo a prática de luxo da maison, como muitas outras marcas durante um ano, sobre os temas da inclusão, diversidade e luta contra o racismo para se dar uma imagem ética.


A fotografia publicada por Assa Traoré, na origem da controvérsia - Instagram


Ao mesmo tempo, Assa Traoré, ativista contra a violência policial e irmã de Adama Traoré, falecida em 2016 após uma prisão policial em Beaumont-sur-Oise, anunciou nas redes sociais que participava da campanha de Christian Louboutin, contribuindo para turvar as águas em torno desta operação.

A ativista, que várias vezes se autoproclamou anti-capitalista, transformada assim na bandeira de uma marca de luxo, gerou polêmica na web, enquanto em um post no Instagram agradecia "calorosamente" ao designer de calçados e seus parceiros "pela honra dada ao associar-me à sua campanha pela igualdade e justiça para todos, que envolve a sua prestigiada marca Louboutin". 

“A mensagem de igualdade e os valores que se difundem encorajando-se mutuamente, através deste magnífico acervo, à empatia e à ação, são um sinal de que nossas esperanças de triunfo da justiça social e cívica. Não são em vão na luta contra a polícia violência, discriminação”, acrescentou em tom de elogio, que obviamente teve dificuldade em passar com alguns de seus apoiadores.

Confrontado com a escala da controvérsia, Christian Louboutin foi forçado a especificar o contexto desta colaboração. “Assa Traoré não é a musa da coleção”, explicou a marca. “Sabendo que é sensível a  estas questões, ela é uma das cerca de 200 pessoas na França e no exterior que foram contactadas para transmitir a mensagem do projeto, se assim o desejarem".

Segundo a marca, nenhuma destas personalidades foi paga. Elas receberam apenas o programa de conscientização, assim como uma T-shirt e um modelo da coleção. Entre eles estão ativistas, representantes da comunidade LGBT, mas também atores, como a americana Taraji P Henson e as inglesas Cynthia Erivo e Damson Idris, artistas como Johanna Tordjman, jogadores de futebol como Pierre-Emerick Aubameyang ou mesmo a modelo americana Shaun Ross e Deesha Dyer, ex-secretária social da Casa Branca de Barack Obama.

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