Levi Strauss & Co: os argumentos para entrar bolsa

Trata-se de um arquivo de várias centenas de páginas registado sob o número 333-. A informação escapou em novembro passado: a Levi Strauss & Co vai realmente entrar em bolsa. O grupo americano, liderado por Chip Berg e ainda propriedade da família, apresentou na quarta-feira o seu dossier de introdução à New York Stock Exchange (IPO) sob o símbolo LEVI. Por enquanto, não foi fixado nenhum número de ações nem nenhum valor unitário. O grupo apenas submeteu um documento que lhe permite pagar a taxa de registo e que calcula, de forma hipotética, o IPO em 100 milhões de dólares.


Lexie Liu, musa chinesa da Levi's - Levi's

Em termos concretos, o projeto parece bastante diferente. As fugas de informação ligadas ao dossier divulgadas pela CNBC em novembro anunciaram um projeto entre 600 e 800 milhões de dólares. O grupo, que pertence aos descendentes da família Levi Strauss, já esteve no mercado de ações na década de 1970. Uma experiência que terminou em 1984 com a família a assumir a empresa através de um Leveraged Buy Out (LBO).
 
Este anúncio ocorre alguns dias após a direção do grupo ter apresentado resultados anuais muito positivos. O grupo registou um crescimento de 14% nas suas vendas, para 5,57 bilhões de dólares. Se o preço da ação ainda não foi fixado, a operação de sedução junto de potenciais investidores já começou. A marca destaca a sua história: fundada em 1853, pioneira do blue jean em 1873 e assente, ainda hoje, no seu passado e na sua imagem icónica ligada à história americana.O grupo realça especialmente a evolução do seu modelo e as suas performances durante os últimos exercícios, dando alguns elementos esclarecedores.

A sua atividade internacionalizou-se. A participação da Europa e da Ásia aumentou de 39% em 2015 para 45% das suas vendas em 2018. E a sua marca principal, a Levi's, desenvolveu-se além da sua categoria rainha: os jeans masculinos. Assim, as partes de cima, que representaram 11% das suas vendas em 2015, pesaram no ano passado 20% das vendas. Da mesma forma, a mulher progrediu de 20% para 29%. O grupo faz ainda questão de realçar que nenhum dos seus principais clientes multimarca representa mais de 10% das suas vendas. No entanto, os seus 10 maiores clientes multimarca, grandes armazéns e cadeias, respondem por 27% do seu volume de negócios. As vendas diretas ao consumidor respondem por 26% do volume de negócios, com o comércio eletrónico a representar 4%. Em termos de marcas, a Dockers viu o seu peso nas vendas do grupo encolher para 7%, enquanto as marcas acessíveis Denizen e Signature by, vendidas na América do Norte, representaram 7% do volume de negócios.

O documento arquivado na SEC também fornece as chaves para a leitura dos projetos da Levi’s. Assim, nos seus cinco principais mercados (Estados Unidos, França, Alemanha, México e Grã-Bretanha), o grupo viu as suas vendas aumentarem de 3 bilhões de dólares em 2015 para 3,5 bilhões em 2018, com uma posição de liderança em todo o lado, exceto na Alemanha, onde o grupo está em terceiro lugar. O grupo pretende continuar o seu desenvolvimento abrindo novas lojas e desenvolvendo a venda por atacado e o comércio eletrónico.

Mas, o seu crescimento futuro será, promete o grupo promete aos investidores, através do desenvolvimento de categorias, continuando a aumentar o seu potencial nas mulheres, mas também através do desenvolvimento de partes de cima. A empresa também pretende aumentar o peso do seu calçado e acessórios, que atualmente representam 6% das vendas.

Outra questão é a expansão geográfica. E aqui, a China, que faz muitas vezes sonhar o mercado de ações, é um forte argumento. "A China representa cerca de 20% do mercado mundial de vestuário”, explica o documento do grupo, “mas representa apenas 3% da nossa receita". A Levi Strauss indica também a Índia e o Brasil como mercados com oportunidades significativas. 

E depois? De seguida, a Levi Strauss & Co pode rapidamente ir além do seu perímetro original. "Avaliaremos possíveis oportunidades de aquisições, concentrando-nos em aquisições estratégicas que melhorem o nosso portefólio de marcas, fortaleçam a nossa expertise em matéria de produtos ou adicionem uma nova capacidade operacional, adaptando-se simultaneamente à nossa cultura corporativa e oferecendo um retorno financeiro atraente. Avaliamos regularmente o potencial de aquisição de parceiros de franchise, distribuidores e categorias de produtos sob licença para melhorar a experiência do consumidor e acelerar a distribuição das nossas marcas."

Com algumas centenas de milhões que resultariam desta entrada em bolsa cuja data está ainda por determinar, o grupo deverá ter recursos suficientes para concretizar estas ambições.

Traduzido por Estela Ataíde

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