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Kering: sequela suíça para a investigação fiscal italiana

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
today 26 de mar de 2019
Tempo de leitura
access_time 3 Minutos
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Poderá haver na Suíça uma sequela da investigação das autoridades fiscais italianas relativa a uma alegada evasão fiscal por parte da Kering? Parece ser esse o objetivo dos parlamentares do cantão de Ticino, que apresentaram uma queixa que incide especialmente sobre "a residência fictícia do antigo CEO da Gucci, Patrizio di Marco", noticiou na quinta-feira a agência suíça ATS.


Foi feita uma queixa na Suíça contra o antigo CEO da Gucci - AFP/ISAAC LAWRENCE


A 25 de janeiro, o grupo de luxo francês pronunciou-se pela primeira vez sobre esta questão, especificando que as conclusões do inquérito italiano estimavam que o montante dos impostos em questão ascendia a 1,4 bilhão de euros. Em meados de fevereiro, François-Henri Pinault, após a apresentação dos resultados anuais do grupo, deixou, no entanto, escapar que "a investigação foi terminada, foram tiradas as conclusões". "Agora, será a fase em que apresentaremos os nossos argumentos. Temos argumentos para invocar.” O dirigente apoiava-se, nomeadamente, no facto de a Gucci ter "uma organização operacional que está em vigor desde o final dos anos 1990".
 
O procedimento italiano surgiu na sequência de uma investigação da revista francesa Mediapart, realizada em 2017 em colaboração com a rede de meios de comunicação European Investigative Collaborations (EIC). Esta denunciava um esquema de evasão fiscal relacionado com a Gucci, a principal marca do grupo e, em particular, com a remuneração do seu líder, Marco Bizzarri, e do seu antecessor, Patrizio di Marco, através de uma empresa offshore no Luxemburgo e de uma residência fiscal na Suíça. Parte das atividades do grupo Kering, incluindo a sua filial Luxury Goods International, especializada na distribuição e logística de várias marcas do grupo e citada nas reportagens da Mediapart, têm sede na Suíça, em Lugano.

Matteo Pronzini, deputado do parlamento do cantão de Ticino, ao qual pertence Lugano, interpelou oficialmente o governo cantonal desde o anúncio das autoridades fiscais italianas. Em particular, fez uma pergunta direta a 27 de janeiro. "Caso Gucci: que controlos sobre as residências de globalistas e gestores?”, conforme relatado pelo La Tribune de Genève.
 
A Mediapart explicou num artigo datado de 21 de março que o representante helvético havia "apresentado na quarta-feira, junto do procurador de Lugano, uma queixa crime contra o líder da filial da Gucci, Marco Bizzari, e o seu antecessor, Patrizio Di Marco" . O deputado e o seu partido, o MPS, explicam ter na sua posse documentos contra os líderes acusados de terem obtido residência fiscal em Ticino. Segundo a Mediapart, o grupo teria facilitado esse processo.
 
O MPS fez saber que espera que o novo parlamento cantonal, que será eleito após as eleições de 7 de abril, lance luz sobre o contexto fiscal da Kering e dos seus líderes no cantão através da empresa LGI, indica a agência noticiosa suíça ATS. O partido de esquerda também "pediu ao Ministério Público para abrir uma investigação para verificar se as residências fictícias de Patrizio di Marco e do seu sucessor Marco Bizzarri eram fraudulentas". "Nesse caso, seria um crime punível com até três anos de prisão", indica a agência.

Além disso, o dossier também está a ser estudado a nível federal. No ano passado, o Ministério Público da Confederação (MPC) explicou que havia sido iniciado um processo criminal relacionado com a investigação italiana ao grupo Kering, relacionada com alegados crimes de branqueamento de dinheiro e falsificação de títulos.
 
Contactado pela FashionNetwork.com a propósito destas iniciativas na Suíça, o grupo Kering recusou-se a comentar.

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