Julia Golldenzon desvenda os segredos de uma collab bem-sucedida

As collabs se tornaram uma febre na moda quando grandes marcas uniram suas forças e investimentos em marketing para ampliarem seu público. Mas a proposta, que parte da economia colaborativa, também tem sido a aposta de negócios de pequeno e médio porte, para ampliar a divulgação e cruzar públicos segmentados. Esse modelo foi fundamental em 2018 para a consolidação das neomarcas, que se unem para colaborarem umas com as outras, como no caso da estilista carioca Julia Golldenzon, especializada em festas e noivas, que este ano assinou duas collabs, ambas à venda em sua loja. A primeira, em parceria com a designer de joias Roberta do Rio, compõe os looks para casamentos, e a segunda, criada junto com a grife ecofriendly de moda praia MARJU, traz peças voltadas para o Réveillon e os destinos de verão.

A aposta em collabs não chega a ser novidade para estilista, que, em 2013, assinou um tênis da Bride Collection da Converse, e no fim do ano passado, criou uma coleção com a marca de acessórios Annaka. Em entrevista ao Fashion Network, ela falou sobre a importância dessas parcerias e sobre os segredos para uma collab ser bem-sucedida. Confira a seguir.


A estilista Julia Golldenzon posa com as irmãs Mariana e Cecilia Correia, da MARJU: as marcas fizeram uma collab com peças que priorizam as malhas biodegradáveis e as fibras naturais - Divulgação

FASHION NETWORK: Quais as vantagens de se fazer uma collab?
Julia Golldenzon:
São várias. Mas principalmente atingir novos públicos e aumentar a visibilidade, já que, com a parceria, você também passa a aparecer nos canais de comunicação, nas mídias da outra pessoa. Além disso, é importante se unir a marcas que dividem os mesmos valores que a sua. Isso ajuda a reforçar sua essência de marca. Em alguns casos, especialmente em parcerias grandes do mercado, como uma fast-fashion que se associa a uma grife internacional, você tem ainda uma vantagem unilateral, que é agregar valor ao produto.

Na escolha das parceiras para uma collab, o que você leva em consideração? 
Julia Golldenzon:
As marcas precisam dividir os mesmos valores, o mesmo olhar criativo e senso estético. Também busco avaliar o público que a parceria vai me trazer.

Até que ponto é interessante fazer uma collab com uma marca que tem um posicionamento diferente da sua?
Julia Golldenzon: Em alguns casos, isso funciona bem, como vimos na edição especial da  Supreme, que é uma marca de streetwear, para a Rimowa, que tem um público mais clássico. A edição-limitada esgotou, e a Rimowa conseguiu atingir uma tribo mais descolada, mantendo a qualidade e padrão premium. Muitas marcas grandes hoje buscam fazer parcerias com grifes pequenas para atingir grupos específicos.

O que fazer para uma collab ser bem-sucedida?
Julia Golldenzon:
É fundamental ter um planejamento de comunicação. Não adianta ter um produto muito bem executado a quatro mãos e isso não ser contado para os públicos-alvos. Também é importante o alinhamento comercial e a definição do contrato de colaboração entre as marcas: onde as peças vão ser vendidas, se nas lojas das duas marcas ou apenas em uma, qual será o percentual da venda para cada marca...


Julia com a designer de joias Roberta do Rio: as duas criaram brincos e aneispara noivas - Divulgação


A economia colaborativa é fundamental para neomarcas? 
Julia Golldenzon:
Sim. O consumidor se atrai muito quando há uma história por trás de um produto, e collab é essencialmente isso. O futuro do consumo está muito ligado ao lúdico, ao emocional. Além disso, essas parcerias passam para o cliente uma sensação de exclusividade. Por isso, apostamos em coleções-cápsulas, edições limitadas, que não têm grade. São coleções pensadas para serem objeto de desejo, serem consumidas e acabar.

Você já fez quatro collabs. Há planos para novas parcerias no ano que vem?
Julia Golldenzon: 
Sem dúvida. A gente acredita muito em projetos em colaboração.
 

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