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Indústria de luxo retoma produção enquanto subcontratados correm o risco de desaparecer

Por
AFP
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
26 de mai de 2020
Tempo de leitura
4 Minutos
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Após semanas de paralisação forçada, a indústria de artigos de luxo está lentamente retomando sua produção na Itália e na França, em meio à um ecossistema econômico enfraquecido pela pandemia de Covid-19, e com muitos subcontratados enfrentando dificuldades.


A fábrica da Louis Vuitton em Beaulieu-sur-Layon, perto de Angers, no oeste da França, foi inaugurada em setembro de 2019. - Olivier Guyot - FashionNetwork.com Archives


Desde março, pequenas oficinas e grandes marcas de moda e perfumaria têm estado ocupadas produzindo toneladas de máscaras e álcool gel para ajudar a combater a pandemia, um genuíno "esforço de guerra" que também permitiu às empresas manter pelo menos uma parte de seus funcionários ativos.

O fim do lockdown na China - um mercado-chave responsável por 35% das compras de artigos de luxo em todo o mundo - e depois na Europa, onde o consumo está voltando a aumentar à medida que as lojas reabrem gradualmente, permitiu que os principais grupos de luxo retomassem suas atividades. “Reiniciamos gradualmente no final de abril. Mas, por enquanto, é impossível prever quando as operações serão normalizadas”, disse Micaela Le Divelec Lemmi, general manager da Salvatore Ferragamo, em entrevista à AFP. "Isso porque os centros de produção precisam obedecer às medidas específicas de distanciamento social, e porque um grande número de lojas ainda está fechado", acrescentou.

A marca italiana de luxo Prada indicou que cerca de 65% de sua equipe que trabalha em suas fábricas retomaram o trabalho. Esse retorno deve nos "permitir entregar as coleções de outono/ inverno em nossas lojas entre o final de julho e o início de agosto, um mês depois do habitual", disse recentemente o CEO do grupo Prada, Patrizio Bertelli, ao jornal italiano La Repubblica.

Bertelli reconhece que 2020 será um ano difícil para a Prada e outras grandes marcas de luxo, mas acredita que "aqueles que mais sofrem são os pequenos artesãos". Os gigantes da indústria de luxo estão, portanto, "confrontados com um dilema: permitir que alguns de seus fornecedores desapareçam ou investir nessas pequenas empresas para salvá-las", disse a consultoria Bernstein.

Segundo Luca Solca, analista da Bernstein, especializado na indústria de luxo, “alguns desses subcontratados provavelmente se consolidarão em maior grau. Os principais grupos não podem permitir que seus fornecedores desapareçam”, especialmente na Itália, onde há inúmeros pequenos subcontratados.


Excesso de estoque

"A ajuda do governo está disponível, mas os principais grupos precisam ajudar a cadeia de suprimentos a proteger seu know-how, por exemplo, através de assistência financeira ou adiantamentos de pedidos", disse Arnaud Cadart, gerente de portfólio da empresa francesa de gestão de ativos Flornoy & Associés.

A situação varia de acordo com o tipo de produto: “Os estoques de artigos de couro não são excessivos. Por outro lado, é um desastre para as marcas de moda, cujas coleções de verão estavam prestes a chegar às lojas;  há muito estoque”, disse Cadart.

Na França, a indústria de artigos de couro retomou o trabalho, "mas as perspectivas ainda não são nada otimistas, isso porque a demanda caiu significativamente: 46% das exportações de produtos de couro da França são absorvidas pela Ásia, onde o mercado está muito parado", disse Franck Boehly, presidente da associação francesa da indústria do couro (CNC), um setor que engloba 9.000 empresas, de criadores de animais à distribuidores de produtos prontos.

Segundo Arnaud Cadart, “embora os artigos de couro possam resistir à tempestade, há uma preocupação muito maior com o setor de calçados e seus 5.000 empregados. As exportações representam apenas 30% de sua produção, destinada principalmente aos varejistas franceses, cujas lojas permanecem fechadas há dois meses e cujos estoques estão transbordando”.

O mercado global de luxo deve encolher entre 20% e 35% em 2020, de acordo com a consultoria Bain and Co. No primeiro trimestre, as vendas da Kering (proprietária de marcas como Gucci, Saint Laurent e Bottega Veneta) e da LVMH (proprietária da Louis Vuitton, Fendi e Christian Dior) caíram cerca de 15%, enquanto as da Salvatore Ferragamo caíram 30,1%, e as Tod's diminuíram 29,4%.

No curto prazo, é difícil prever como será o consumo pós-lockdown e como ele irá variar de acordo com o país. “Os consumidores reagirão de maneiras diferentes: na Ásia, há um desejo genuíno de consumir. A população é jovem e a China provavelmente começará a crescer fortemente novamente. Os Estados Unidos também estão bem posicionados em termos de recuperação, mas a Europa não”, disse Cadart.


Por Katia DOLMADJIAN e Céline CORNU, de Milão

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