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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
20 de jan de 2020
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3 Minutos
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Hermès radicaliza levemente em sua nova coleção de moda masculina

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
20 de jan de 2020

A nova coleção masculina da Hermès, intitulada “Radical", é de fato radical, mas de uma maneira muito sutil. Véronique Nichanian, diretora artística da marca francesa de luxo, graças à sua grande experiência, concentrou-se no DNA de Hermès (o da modernidade elegante e discreta) selecionando alguns detalhes impecáveis ​​e propôs uma coleção excepcional.


Hermès - Outono-Inverno 2020 - Moda masculina - Paris. - © PixelFormula


Entre seus truques criativos: tiras de tecidos internos contrastantes que aparecem do lado de fora das roupas - camurça, couro, nylon na borda de casacos de gola alta, trench coats e jaquetas - que acrescentam vibração às silhuetas. Se não tivesse sido bem executada, a ideia poderia ter sido embaraçosa, mas Véronique Nichanian conseguiu torná-la um elemento atrativo, chic e contemporâneo.
 
Nesta temporada, na Hermès, as calças são justas e cortadas no tornozelo, apertadas com pequenas abas horizontais - vistas também nas calças de um terno risca de giz em cashmere impermeável, e também em uma versão de camurça.

No final, ficamos impressionados com a elegância serena que emanava dos costumes de "Entente Cordiale" - como um encontro entre Savile Row e Saint-Germain-des-Prés -, também adornados com as tiras mencionadas acima.
 
"Um campo cromático claro-escuro", explicou Véronique Nichanian sobre sua discreta paleta de tons bege, mineral, terroso, verde e sépia.


Hermès - Outono-Inverno 2020 - Moda masculina - Paris. - © PixelFormula


A estilista recebeu aplausos merecidos da platéia acomodada em uma série de cadeiras modernistas dentro de uma instituição francesa muito especial - o Mobilier National. Um edifício gigantesco no 13º arrondissement, usado para armazenar móveis de qualidade para escritórios e embaixadas de ministros.
 
Durante o desfile, alguns manifestantes se reuniram em frente à entrada do prédio. Membros da Confédération Générale du Travail (CGT), o sindicato dos trabalho da França, com um humor mais leve do que os membros do movimento "coletes amarelos" - que queimavam carros no mesmo horário, perto da Place de la Bastille. Agitando grandes bandeiras vermelhas, os manifestantes cantavam uma música sobre a proteção do Mobilier National. "Não temos nada contra a Hermès, mas queremos defender essa organização", explicou um dos sindicalistas, enquanto distribuía folhetos escritos em francês e inglês.

No interior do edifício, os convidados (incluindo a estrela do futebol americano Brice Butler, o wide receiver do Dallas Cowboys) receberam champanhe e Chassagne-Montrachet, além de hambúrgueres de foie gras com batatas fritas. Ressaltando a eterna contradição que é Paris, a capital do luxo e a última cidade de uma democracia ocidental, na qual os fervorosos defensores do proletariado continuam lutando.
 
Excluindo esses eventos, a coleção representou uma verdadeira declaração de moda sobre o estilo da casa, perfeitamente calibrada por uma designer visivelmente em ótima forma.


Hermès - Outono-Inverno 2020 - Moda masculina - Paris. - © PixelFormula


Nos últimos dez anos, as ações da Hermès tiveram mais sucesso que as de qualquer outra marca de luxo listada no mercado de ações. Sua capitalização de mercado chegou a quase dez vezes o seu faturamento anual, o que é um sinal extraordinário de confiança na empresa e em seu futuro.
 
A Hermès deve isso em grande parte a Véronique Nichanian, que consegue manter o delicado equilíbrio entre a criação de roupas elegantes e realistas e o trabalho com os códigos de marca.

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