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17 de abr. de 2020
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Henri Sebaoun (Vanessa Bruno): "Aconteça o que acontecer, a temporada de verão 2021 será mais fraca"

Publicado em
17 de abr. de 2020

Embora a Vanessa Bruno tenha acelerado o seu desenvolvimento no último ano com a abertura de inúmeras lojas, a marca francesa de prêt-à-porter de luxo acessível teve que adaptar sua estratégia diante da crise provocada pela pandemia do coronavírus COVID-19.

Henri Sebaoun, que entrou na empresa no final de 2018 como diretor geral, explicou sua estratégia ao FashionNetwork.com.


Henri Sebaoun, CEO da Vanessa Bruno - DR


FashionNetwork.com: Com vocês se organizaram com o isolamento?

Henri Sebaoun: Já no final de fevereiro começamos a priorizar o teletrabalho. Com o fechamento das lojas no dia 15 de março, fomos obrigados a colocar 90% dos nossos funcionários para trabalhar em horário reduzido, um total de 130 pessoas. Parte do estúdio continua trabalhando com a Vanessa por videoconferência, sejam as áreas da comunicação e vendas digitais.

FNW: Como estão se preparando para a reabertura das lojas?

HS:
Atualmente, estamos pensando em como organizar nossas lojas em termos de segurança. Também estamos todos esperando para saber como as vendas serão legisladas, que devem ser adiadas para que possamos vender a preço integral por um pouco mais de tempo, sem sermos forçados a vender os produtos com grandes descontos.
 
FNW: Que medidas foram tomadas em relação à coleção de verão 2020, cuja venda foi paralisada com o fechamento das lojas?
 
HS:
Quase 60% do volume de negócios é gerado pela nossa própria rede, que inclui 12 boutiques de rua, 8 em centros comerciais e a nossa loja virtual, o resto é proveniente de nossos 350 varejistas em todo o mundo. Na verdade, vamos perder entre dois a dois meses e meio de vendas, que não serão recuperadas e não conseguiremos vender todas as peças.

Decidimos, portanto, remover das lojas um certo número de referências da coleção verão 2020, entre 15 e 20%. Eles serão reintegradas como peças atemporais na coleção verão 2021. O objetivo é evitar que estas sejam vendidos durante as liquidações. A consequência será que nossos clientes multimarcas, que deixaram essas peças de lado, comprarão menos da coleção do próximo verão.
 
FNW: Financeiramente, qual a situação atual da empresa?

HS:
Muitos clientes nos pediram para estender os prazos. De nossa parte, solicitamos um empréstimo garantido pelo Estado (francês). Estamos no meio de uma discussão com nosso pool bancário composto por cinco bancos, mas não é fácil. Os banqueiros lidam com os processos de maneira tradicional, concentrando-se nos elementos econômicos, apesar do convite do governo para serem mais flexíveis.

A garantia do governo foi dada para evitar um efeito em cadeia nos nossos fornecedores e um efeito em cascata em toda a rede de suprimentos. Esta mobilização foi entendida pelos grandes chefes dos bancos. Na prática, porém, não experimentamos a mesma coisa. Mas confio na qualidade de nossos interlocutores e estou convencido de que chegaremos lá.
 
FNW: Que estratégia foi adotada para a temporada de inverno 2020/2021?

SH:
Em termos de produção, ficamos um pouco paralisados. Mesmo que tenhamos tido menos problemas com a China, onde fabricamos muito pouco. As fábricas pararam na Europa do Leste, na Índia, na Turquia e em Portugal. Todos nós ficamos para trás. Quanto às coleções apresentadas em janeiro e fevereiro, não tivemos qualquer cancelamento de encomendas, mas nos colocamos no lugar de nossos clientes e decidimos reduzir as entregas porque, de fato, a temporada comercial de inverno será mais curta, uma vez que a temporada de verão será prolongada com esses dois meses de paralisação total.
 
FNW: Concretamente, o que será feito?

HS:
Normalmente, temos quatro grupos de entrega. No primeiro, que é entregue muito cedo, no final de maio, início de junho, e que corresponde a um período de transição entre o verão e o inverno, cancelamos um certo número de referências para que as peças de verão que ainda estarão disponíveis não fiquem duplicadas. Vamos fazer o mesmo para o último grupo de entregas, que, geralmente, chega um pouco antes das promoções e deve durar menos tempo, com uma redução de cerca de 20% das referências, para que as lojas não acumulem muito estoque. O objetivo é poder mudar para o verão de 2021 de uma maneira quase normal.
 
FNW: Quais são as consequências para a continuação das atividades?

HS:
Não vamos apresentar nada em junho, incluindo a pré-coleção de primavera-verão 2021. Não é uma questão de correr contra o tempo. Vamos ter de reencontrar as nossas marcas. A coleção será inevitavelmente menor e só será entregue em janeiro, porque isso irá alterar os ritmos de entrega. Como se houvesse apenas uma coleção em vez das duas habituais, uma vez que não será apresentada até setembro.  Aconteça o que acontecer, a temporada de verão 2021 será, portanto, mais fraca. Não será um bom semestre para nossas lojas. E, provavelmente, no inverno apresentaremos apenas em janeiro, e não em fevereiro.
 
FNW: Esta crise terá impacto no consumo?

HS: 
Não espero uma mudança de comportamento. Imagino que, após dois meses de confinamento, as pessoas vão querer se divertir, principalmente com a moda, especialmente porque ainda não terão acesso a restaurantes e outros locais de entretenimento. Teremos que nos adaptar às restrições. Vai depender das reações do mercado. Talvez já não esteja mais de acordo com o modelo atual, baseado em diversas coleções e eventos, que se adaptava a uma economia de elevado consumo. A crise poderá conduzir a uma queda do poder de compra e do consumo em geral.

FNW: Sua forma de trabalhar vai mudar?

HS:
Vamos certamente renovar um determinado número de peças de uma temporada para a outra, pensando em produtos mais atemporais e de consumo mais lento, na perspectiva de uma moda mais sustentável. Mas, a natureza do homem é ser otimista. Notamos isso depois de cada grande crise. O nosso negócio também requer otimismo. Quando criamos, é para seduzir. Mas, não sabemos como será na recuperação. Continuamos no campo das suposições.

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