Guy Laroche revive o estilo rock e inovador

Paris (AFP) – O estilista Adam Andrascik deu um toque rock e inovador ao universo Guy Laroche, grife parisiense que busca a renovação com a primeira coleção do americano exibida na quarta-feira (04) na Semana de Moda outono-inverno 2016 de Paris.

Guy Laroche - outono-inverno 2016 - Womenswear - Paris - © PixelFormula

"É como um choque entre dois mundos, tentei fazer algo belo", disse o jovem estilista de 30 anos no final do desfile, apresentado no Grand Palais em Paris.

"Viemos de mundos diferentes, eu sou americano e ele (Guy Laroche) era francês, mas ao mesmo tempo se interessava pelas coisas novas e isso me diz muito", explicou o estilista da Pensilvânia radicado em Londres.

A coleção outono-inverno, em que injetou um "toque sombrio e romântico", tem muitas jaquetas de motociclistas e saias desconstruídas, recortes, contrastes e estampas de caligrafia asiática. Dominam os tons de preto, prata e dourado combinando com uma estética de jogo com o masculino e o feminino.

Coleção gráfica e audaciosa

Novo diretor artístico da Guy Laroche, Adam substituiu o franco-sueco Marcel Marongiu, que trabalhou para a marca desde 2007 e apresentou seu último desfile em setembro do ano passado.

Formado no Fashion Institute of Technology de Nova York e na Central Saint Martins de Londres, ele trabalhou para Gucci e Proenza Schouler antes de lançar sua própria marca.

Guy Laroche - outono-inverno 2016 - Womenswear - Paris - © PixelFormula

Guy Laroche fundou sua casa de moda em 1957 com a ideia de liberar o corpo feminino e imprimir uma elegância "refinada e discreta". Desde a morte do estilista em 1989, a marca foi dirigida por criadores como Alber Elbaz – hoje estilista da Lanvin –, Michel Klein e Damian Yee.

O novo diretor artístico disse que usou como inspiração o filme "O Livro de Cabeceira" (The Pillow Book), de Peter Greenaway, e nas caligrafias feitas por sua heroína japonesa no corpo de seus amantes. "Quis interpretar essa ideia na fabricação" dos modelos, explicou.

Os casacos e vestidos são decorados com caracteres asiáticos dourados e o couro das jaquetas em estilo motociclista tem estampas brancas como se fosse tatuagens.

"Com esta coleção eu busquei me posicionar, queria que fosse realmente gráfica e audaciosa", disse o estilista que, em vez de reinterpretar um estilo típico de Guy Laroche, preferiu homenagear a "modernidade" do criador.

A cantora francesa Elodie Frégé assistiu na primeira fila da marca, que diz usar. "Gostei -disse- porque são peças muito clássicas mas completamente reinterpretadas na forma. Há um esforço na forma dos ombros, que ocupam um lugar mais importante que em coleções anteriores, gostei muito disso".

Para a marca, que ultimamente mudou várias vezes de direção artística, se trata de alcançar um estilo duradouro, disse Serge Carreira, especialista em moda e indústria de luxo do Instituto de Ciências Políticas de Paris.

"É umas das maisons que realmente importaram nos anos 1970 e 1980, há todo um legado e uma identidade em torno da feminilidade assumida, mas não agressiva", acrescentou o especialista.

A marca Guy Laroche "passou por zonas turbulentas, com muitas mudanças, e busca agora recuperar uma identidade", disse. A questão, adverte, "é como reviver tudo aquilo com um discurso atual e principalmente transformar em duradouro".

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