Grupo Kering ou Artémis podem comprar a marca Courrèges

O Grupo Kering ou a Artémis poderão estar perto de concluir negociações para adquirir uma participação substancial na Courrèges, casa de moda francesa famosa pelo seu estilo futurista.


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Courrèges - primavera-verão 2017- Moda feminina- Paris - © PixelFormula

A notícia das negociações veio à tona na sexta-feira (24), depois de Coqueline Courrèges, viúva do fundador André Courrèges, interromper o CEO da Kering, François-Henri Pinault, durante um debate sobe a indústria em Paris.
 
“Não me agrada aquilo que fez com a Balenciaga, é nojento, e não me agrada a ideia do que poderia fazer com a Courrèges”, disse a viúva a Pinault numa curta intervenção durante a sessão de perguntas e respostas com o CEO da Condé Nast França, Xavier Romatet, no Vogue Paris Fashion Festival.
 
Courrèges, vestida com um look branco total, característico da marca, continuou mostrando uma grande folha A3 com o logotipo da Balenciaga, uma marca do Grupo Kering, de um lado, e imagens de mulheres seminuas do outro.
 
“Estou completamente orgulhoso do que estamos fazendo na Balenciaga”, respondeu calmamente Pinault, antes de os seguranças retirarem silenciosamente a viúva.
 
Pinault não fez qualquer comentário acerca da afirmação de que a Kering estaria no processo de adquirir a Courrèges. No entanto, fontes insistem que a Kering ou a Artémis, veículo de investimento da família Pinault, que controla o gigante grupo francês de luxo, está prestes a adquirir o controle da Courrèges de seus atuais proprietários, Jacques Bungert e Frédéric Torloting, dois executivos de publicidade.

Em 2015, circularam informações não confirmadas de que a Artémis tinha adquirido uma participação de 30% na Courrèges. Um porta-voz da Kering confirmou à FashionNetwork.com que a Artémis havia de fato adquirido os 30%, mas remeteu todas as questões para a holding de Pinault. A porta-voz da Artémis não retornou as chamadas. Em junho, os Pinault usaram a Artémis para comprar uma importante participação minoritária na Giambattista Valli.
 
Ainda que se desconheçam os números exatos, estima-se que a Courrèges tenha vendas anuais em torno de 20 milhões de euros, acreditando-se que esteja gerando perdas. A casa também encerrou este ano a sua histórica fábrica de produção em Pau, dispensando 18 dos 23 funcionários. No entanto, a sua famosa flagship no número 40 da rue François 1er mantém-se aberta, um imóvel valioso que se acredita ser propriedade da casa.
 
Na Courrèges, François Le Ménahèze, que foi nomeado presidente em abril, insistiu não ter conhecimento de quaisquer negociações. “Ouvi falar muito sobre Madame Courrèges e que é uma pessoa especial. Sei que ela não adora o Sr. Pinault. Há muitos rumores. Comecei há apenas alguns meses e não para preparar a venda da Courrèges, mas sim para manter e desenvolver a casa”, disse Le Ménahèze.

André Courrèges, o engenheiro civil falecido no ano passado, fundou a sua casa em 1961, tornando-se num designer altamente influente devido aos seus designs clean e geométricos e às suas formas monocromáticas esculpidas. Considerado por muitos o inventor da minissaia, Courrèges é recordado como o mais importante designer futurista da história da moda. Em 2011, vendeu a marca à Bungert e Torloting, que levaram a Courrèges de volta à passarela de Paris em 2015, depois de contratarem dois jovens talentosos designers franceses, Sébastien Meyer e Arnaud Vaillant, que encerraram a sua própria marca Coperni, vencedora do prémio ANDAM, quando ingressaram na Courrèges. No entanto, nesta primavera, os proprietários dispensaram Meyer e Vaillant, apesar das críticas favoráveis que ambos os diretores criativos receberam. E é revelador o fato de, quatro meses depois da dupla de designers ter partido (no final julho), a empresa não ter ainda nomeado uma substituição.

Traduzido por Estela Ataíde

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